Paulo Serra critica debandada de tucanos para ninho de Kassab

Presidente estadual do PSDB classifica migração em massa para o PSD como "canibalismo" e alerta para contradição ideológica de dissidentes

Crédito: Divulgação

O cenário político no Estado de São Paulo passa por forte tensão nesta quinta-feira (5), após a confirmação de uma debandada em massa de parlamentares do PSDB para o PSD, partido liderado por Gilberto Kassab. O movimento, que praticamente esvazia a bancada tucana na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), gerou uma reação imediata e ácida do presidente da Executiva Estadual do PSDB de São Paulo e vice-presidente Nacional do PSDB, Paulo Serra.

Em nota enviada à redação, Serra não poupou críticas à estratégia de Kassab, classificando a movimentação como predatória:

Lamento profundamente a forma desrespeitosa de cooptação de quadros. Ressalto que continuo respeitando muito o presidente da Executiva Nacional do PSD e reconheço nele um grande dirigente partidário. No entanto, este tipo de ‘canibalismo’ dentro da base do governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), ao meu ver, em nada ajuda na construção de um projeto nacional de Centro”, disparou o Paulo Serra.

O “esvaziamento” da ALESP

Gilberto Kassab | Paulo Serra
Gilberto Kassab (PSD) (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A crise atingiu o ápice após um café da manhã na casa de Kassab, onde seis deputados estaduais do PSDB confirmaram que deixarão a sigla em março, aproveitando a janela partidária. 

Entre os nomes do tucanato que migram para o PSD estão veteranos e lideranças regionais como: Carlão Pignatari (ex-presidente da Alesp), Barros Munhoz, Maria Lúcia Amary, Mauro Bragato, Analice Fernandes e Rogério Nogueira

Com a saída deste grupo, o PSDB, que já foi a maior força política do estado por décadas, fica reduzido a apenas duas cadeiras na casa: as das deputadas Bruna Furlan e Carla Morando. Paulo Serra agora terá que reconstruir o partido em tempo recorde para ter chances de eleger uma base sólida ainda nas eleições de 2026.

Reconstrução e “sangue novo”

Paulo Serra
Divulgação

Apesar do duro golpe, Paulo Serra tenta manter o otimismo sobre o futuro da legenda, que recentemente oficializou uma federação com o Podemos para ganhar musculatura nas eleições de 2026. 

“O PSDB está passando por um processo de transformação e isso exige mudança de atitude. Da mesma forma que tem gente saindo, tem grandes quadros ingressando nas fileiras do partido, e com sangue novo, representatividade e vontade de reconstruir um projeto de gestão que já provou que dá certo!”, afirmou o tucano Paulo Serra.

Fator Lula na campanha de 2026

Lula e Tarcísio anunciam extinção do contrato com a Enel em SP
Governador Tarcísio de Freitas e presidente Lula (imagem: Ricardo Stuckert/PR)

Um dos pontos mais sensíveis da nota de Serra é o questionamento sobre a coerência ideológica do PSD. Enquanto o partido de Kassab se consolida como pilar do governo Tarcísio de Freitas em São Paulo, nacionalmente a sigla ocupa 3 ministérios importantes no governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Para Serra, essa ambiguidade será o calcanhar de Aquiles dos dissidentes na próxima eleição. “Importante destacar que o PSD é da base do PT no governo federal e contribui com um modelo de governo que não funciona mais. Isto, certamente, poderá ser explorado na campanha eleitoral daqueles que escolhem o caminho temporariamente mais fácil”, alertou. Paulo Serra é crítico ferrenho do Partido dos Trabalhadores.

O cenário nacional

A ofensiva de Kassab em São Paulo é mais um capítulo de um movimento que, desde 2025, já extraiu do PSDB grandes ativos nacionais. O PSD já havia atraído a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, e, mais recentemente, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, consolidando-se como o novo porto seguro do centro político brasileiro.

Em junho de 2025, o PSD realizou um evento em São Paulo para filiar nomes que eram “a cara” do PSDB no interior paulista. Na época, nomes como Duarte Nogueira (Ribeirão Preto), Barjas Negri (Piracicaba), Dilador Borges (Araçatuba) e Clovis Volpi (Ribeirão Pires) selaram acordo com Kassab.

Paulo Serra tenta reverter a situação.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 05/02/2026
  • Fonte: FERVER