Patentes: tendências e perspectivas no mundo da inovação

As patentes ganham novos contornos ao acompanhar avanços em sustentabilidade, tecnologia e cooperação internacional.

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O universo das patentes reflete, em grande parte, o grau de inovação e o dinamismo tecnológico de um país. Uma patente é um título de propriedade temporária concedido pelo Estado a inventores ou empresas que criam algo novo, útil e dotado de atividade inventiva. Esse direito garante exclusividade por um período, permitindo ao titular explorar comercialmente a invenção e impedir terceiros de fabricarem, utilizarem ou venderem a tecnologia protegida sem autorização.

Novas tecnologias e demandas da sociedade

Nos últimos anos, temos observado um crescimento significativo na busca por patentes em setores estratégicos como biotecnologia, inteligência artificial, energias renováveis, mobilidade urbana e saúde. Essa expansão está diretamente relacionada às demandas da sociedade contemporânea e ao incentivo à inovação como motor de desenvolvimento econômico. No Brasil, o INPI vem implementando programas de aceleração de exame, como o Programa Patentes Verdes e o Patent Prosecution Highway (PPH), que facilitam e agilizam a análise de pedidos em áreas prioritárias.

Patentes verdes e critérios ESG

Biodiversidade - Patentes - ESG
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Entre as principais tendências, destaca-se a ascensão das chamadas “patentes verdes” — inovações que contribuem para a sustentabilidade e a mitigação dos efeitos ambientais. Tecnologias limpas, processos industriais menos poluentes e soluções energéticas mais eficientes são cada vez mais patenteadas. Esse movimento não é apenas reflexo de uma conscientização ambiental, mas também da exigência do mercado e de investidores que priorizam empresas alinhadas a critérios ESG (Environmental, Social and Governance).

Crescimento da proteção internacional

Propriedade Intelectual - (PI)
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Outra tendência importante está na integração global dos sistemas de propriedade industrial. Através do Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT), é possível depositar uma única solicitação e obter proteção em mais de 150 países, facilitando a internacionalização da tecnologia. Essa ferramenta é amplamente utilizada por empresas que desejam expandir seus negócios além das fronteiras e proteger sua inovação nos principais mercados consumidores.

No cenário nacional, startups e universidades também têm despertado para a importância de patentear suas criações. Centros de inovação, incubadoras e editais públicos frequentemente incluem a proteção intelectual como critério de avaliação e de fomento, incentivando o crescimento de um ecossistema mais estruturado e profissional.

Em resumo, as patentes são muito mais do que um instrumento legal: são um diferencial competitivo, um atrativo para investidores e um escudo contra a concorrência desleal. Em um mundo cada vez mais pautado pela inovação, proteger as ideias é tão importante quanto desenvolvê-las.

Luisa Caldas

Luisa Caldas
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Especialista em propriedade intelectual e agente de transformação na valorização do conhecimento. Atualmente, é colunista da editoria Valor Intelectual no portal ABCdoABC. Atua como empresária e palestrante, com 26 anos de experiência na área. É pós-graduada em Propriedade Intelectual pela OMPI (Organização Mundial da Propriedade Intelectual). Responsável por mais de 10 mil marcas registradas e mais de 2 mil patentes no Brasil e no exterior. Sócia da Uniellas Marcas e Patentes e presidente do Instituto de Tecnologia e Inovação do Grande ABC.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 06/08/2025
  • Fonte: Sorria!,