Paris vive dia de violentos confrontos durante manifestações de 1º de Maio
A capital francesa viveu nesta terça-feira um dia de violentos protestos. Mais de 200 manifestantes foram presos durante choques com a polícia na manifestação de 1º de Maio em Paris
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 02/05/2018
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Os confrontos ocorreram no início da passeata convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) contra as reformas do presidente Emmanuel Macron. Perdendo força, os sindicatos tentam relançar a onda grevista iniciada há três semanas.
Os choques aconteceram na região de Austerlitz, leste da capital quando a marcha de sindicalistas se preparava para partir. Um grupo de 1,2 mil black blocs se posicionou à frente da manifestação com faixas anarquistas. Encapuzados, eles partiram para cima da polícia, atacaram lojas e incendiaram carros.
A polícia respondeu com gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar a multidão. Um balanço parcial divulgado nesta terça-feira indicou que quatro pessoas ficaram feridas, entre as quais um policial, Mais de 200 manifestantes foram presos.
À noite, os confrontos prosseguiram, desta vez no célebre Quartier Latin, centro histórico de Paris, onde grupos de black blocs organizaram barricadas. O grau de violência chocou a opinião pública francesa e levou o ministro do Interior, Gérard Collomb, a prometer uma “reação dura” contra os vândalos.
O chefe da polícia de Paris, Michel Delpuech, convocou a imprensa para explicar as razões pelas quais as forças de ordem demoraram a agir – segundo ele, por razões de segurança. “Havia pelo menos mil pessoas entre os black blocs e a polícia”, disse. “Não poderíamos intervir sem risco de danos colaterais.”
O secretário-geral da CGT, Philippe Martinez, acusou o governo de não saber lidar com os black blocs, que teriam roubado o protagonismo dos sindicatos. “Evidentemente, condenamos a violência, mas faz dois anos que isso acontece”, disse. “Os incidentes escondem os verdadeiros problemas.”
Em meio a uma onda de greves, a CGT convocou 240 manifestações nesta terça na França, incluindo capitais regionais como Nantes, Grenoble, Lyon, Lille, Estrasburgo, Toulouse e Marselha. De acordo com o Ministério do Interior, 143,5 mil pessoas participaram das passeatas – 210 mil, segundo os organizadores.
O principal objetivo é pressionar Macron a ceder na reforma do setor ferroviário. Mas, iniciadas há três semanas, as greves vêm perdendo adesão e sindicatos e partidos de esquerda não se entendem sobre uma frente única de mobilização contra o governo. O resultado é que as reformas de Macron continuam avançando no Parlamento.
Falando da Austrália, onde estava em visita oficial, Macron rebateu as críticas dos sindicatos. “Meu temperamento não é o de me esconder do que quer que seja”, afirmou. O presidente ainda garantiu que os culpados pelo vandalismo serão detidos. “Condeno a violência que desvirtua as marchas de 1.º de Maio. Tudo será feito para que seus autores sejam identificados e punidos.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.