Parintins e a força das tradições que mantêm viva a alma do Brasil
O Festival de Parintins celebra a cultura amazônica, fortalece identidades e reafirma o valor das tradições locais
- Publicado: 23/06/2026 11:33
- Alterado: 23/06/2026 11:33
- Autor: Dr. Fabricio Tavares
- Fonte: Assessoria
No coração da maior floresta tropical do mundo, um espetáculo de cores, ritmos e narrativas ancestrais prova, ano após ano, que a identidade de um povo é o seu maior tesouro. O Festival Folclórico de Parintins não é apenas uma disputa de três dias na Ilha Tupinambarana; é um manifesto vivo da nossa resistência cultural. Em um mundo cada vez mais globalizado e homogeneizado, manter e ovacionar as tradições locais deixou de ser apenas um ato de celebração — tornou-se uma urgência histórica.
Uma rivalidade que atravessa gerações

Essa jornada coletiva não começou ontem. O festival oficial nasceu em 1965, mas as raízes da brincadeira dos bois já fincavam base na alma amazônica muito antes disso, no início do século passado. São mais de seis décadas de uma rivalidade que move paixões inacreditáveis. Até hoje, nessa balança poética que divide o bumbódromo, o Boi Garantido carrega o orgulho de suas 32 vitórias, enquanto o Boi Caprichoso ostenta com brio seus 27 títulos, além de um histórico empate que apenas reforça o equilíbrio dessa genialidade nortista.
Defender essa herança é salvaguardar a nossa própria história. O confronto entre o Boi de Pano da Baixa do São José e o Boi da Praça Oswaldo Cruz traduz a fusão das mitologias indígenas, dos rituais caboclos e da resistência nordestina. Quando aplaudimos Parintins, estamos aplaudindo a nós mesmos, reconhecendo o valor de uma assinatura cultural que nenhuma tendência internacional ou modernidade consegue apagar.
Cultura que gera identidade, renda e desenvolvimento

Além do valor imaterial, há uma engrenagem socioeconômica vital que se sustenta através da arte. O festival de Parintins é o principal motor econômico do município, gerando emprego e renda para milhares de costureiras, artesãos, soldadores e trabalhadores do turismo. A cultura, portanto, é também dignidade e desenvolvimento. Preservar o festival significa garantir o sustento e o orgulho de comunidades inteiras que encontram na tradição a sua subsistência e a sua voz.
Parintins: a herança que precisa ser celebrada
Uma nação que não reverencia suas raízes corre o risco de perder sua soberania de pensamento. Ovacionar o Festival de Parintins nas páginas dos jornais e no debate público é entender que o Brasil profundo guarda a nossa maior riqueza. Que o Garantido e o Caprichoso continuem a nos lembrar de onde viemos e do tamanho real da nossa grandiosidade. Nossa cultura merece, exige e deve sempre ser ovacionada.
Dr. Fabricio Tavares

Fabrício Ferreira de Araújo Tavares, advogado à frente do Tavares Advocacia e Assessoria Jurídica, tem atuação consolidada na área do Direito Público, com foco em Direito Administrativo, Direito Constitucional e gestão governamental. Sua trajetória é marcada pela combinação entre prática jurídica e sólida formação acadêmica voltada às relações entre Estado, políticas públicas e administração pública.
Bacharel em Direito pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Tavares possui mestrados e pós-graduações em Direito Administrativo, Direito Constitucional, Diversidade e Inclusão Social, além de MBA em Política e Gestão Governamental e Análise de Políticas Públicas, com passagens por instituições como a Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo e a Escola Paulista de Direito.