Paranapiacaba vai restaurar 34 casas inglesas do século 19 com verba do PAC

Projeto de repasse federal destina milhões para salvar imóveis do século 19, preservar a arquitetura britânica e impulsionar a economia local.

Crédito: Helber Aggio/PSA

A vila de Paranapiacaba iniciará a restauração de 34 residências históricas a partir do segundo semestre deste ano. O projeto visa recuperar as antigas moradias do século 19, consolidando o destino localizado na Grande São Paulo como polo de preservação ferroviária.

A iniciativa custará R$ 11,7 milhões, financiados integralmente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os recursos integram o Novo PAC, programa do governo federal, enquanto a Prefeitura de Santo André executará as obras no terreno.

Como Paranapiacaba preservará a arquitetura inglesa

Inaugurado em 1867 pelo Barão de Mauá, o vilarejo abrigava os funcionários da São Paulo Railway. As residências vieram pré-fabricadas da Europa em navios, projetadas com painéis modulares para montagem rápida na Serra do Mar.

A madeira é pinho-de-riga e as telhas foram produzidas em Marselha, na França. A casa vinha toda pronta. Era só encaixar as peças”, explica Carlos Eduardo Palazzi, arquiteto municipal responsável pela intervenção.

Desgaste natural e o plano de recuperação

O clima úmido da região e a falta de manutenção comprometeram as estruturas originais nas últimas décadas. Diferentes imóveis sofrem com buracos nas paredes, apodrecimento das fundações e crescimento de vegetação indesejada sobre os telhados.

A equipe técnica preencherá as falhas com materiais modernos e fará o tratamento profilático da madeira histórica. As fachadas receberão uma nova pintura com a cor autêntica escolhida pelos colonizadores britânicos, o tradicional vermelho goya.

Preservar o patrimônio não é apenas cuidar do passado, é gerar desenvolvimento econômico e turístico. Paranapiacaba é um ativo estratégico para a cidade e precisa ser tratada como tal”, afirma o prefeito Gilvan Ferreira.

Impacto no turismo e na rotina dos moradores

A injeção de investimentos públicos impulsiona diretamente o turismo em Paranapiacaba. O local atrai atualmente cerca de 250 mil visitantes por ano, mobilizados por passeios da CPTM e eventos culturais expressivos, como o Festival do Cambuci e a Convenção das Bruxas.

O projeto de restauro exigirá a realocação temporária de inquilinos e comerciantes locais. A recepcionista Mariana Lino da Silva precisará esvaziar a casa geminada onde vive, localizada na avenida Fox, durante a execução dos reparos estruturais.

Estou com o coração apertado. Eu adoro morar aqui. Sou a favor da restauração, mas não gostaria de sair. Ainda não me disseram para onde vamos”, desabafa Mariana, que hoje paga R$ 400 de aluguel pelo imóvel.

Comerciantes também enfrentarão pausas logísticas nas operações rotineiras. Os fundadores do café Infinito Olhar deixarão o espaço de 160 anos provisoriamente, sacrifício considerado necessário para que o legado histórico de Paranapiacaba resista ao clima extremo da serra e perdure intacto para as futuras gerações.

  • Publicado: 23/05/2026 14:23
  • Alterado: 23/05/2026 14:23
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: FolhaPress