Parada LGBT+ de São Paulo terá show de Gloria Groove

A 30ª edição do evento na Avenida Paulista terá Gloria Groove e Melody, em meio a debates sobre democracia e queda de patrocínios.

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A Parada LGBT+ de São Paulo anunciou as atrações musicais para a sua 30ª edição, marcada para 7 de junho de 2026, na Avenida Paulista. O evento reunirá artistas como Gloria Groove, Pepita e Melody a partir das 10h. A organização definiu o tema deste ano com foco direto nas eleições.

Os cantores Jup do Bairro, Dornelles, Isma, Diego Martins e o grupo Katy da Voz e as Abusadas também compõem a programação oficial. Alguns artistas abriram mão de seus cachês devido à fuga recente de patrocinadores. A estrutura do evento contará com 14 trios elétricos, três a menos que no ano anterior.

Projeto de lei ameaça Parada LGBT+ na capital paulista

Parada LGBT 2025: primeira edição aconteceu no Rio de Janeiro e com menos de 3000 pessoas
(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, Nelson Matias, criticou o projeto de lei nº 50/2025, aprovado em primeira votação pela Câmara Municipal. O texto de autoria do vereador Rubinho Nunes tenta proibir a ocupação de vias públicas e a presença de menores de idade em manifestações da comunidade.

A Parada nunca foi construída como um grande evento. É um ato de resistência, espaço de defesa da democracia e dos direitos humanos”, afirmou Matias. O presidente garantiu a presença de crianças e adolescentes acompanhados pelos pais na edição deste ano.

Especialistas apontam inconstitucionalidade na medida em tramitação no legislativo municipal. “Não se pode proibir que crianças e adolescentes, cuja responsabilidade é dos pais, participem de eventos como esse”, explicou Flávio Crocce Caetano, presidente da Comissão de Direito Constitucional da OAB-SP. As multas previstas pelo descumprimento da norma chegam a R$ 1 milhão.

Impacto financeiro e recuo de marcas

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A Parada LGBT+ deve movimentar R$ 466,2 milhões na economia paulistana, segundo estimativa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O montante representa uma queda de 15% em relação ao ano de 2025. O cálculo engloba gastos com hotelaria, transporte e comércio informal.

A redução de investimentos reflete o avanço de discursos conservadores e o recuo de políticas corporativas de diversidade. A cantora Pabllo Vittar usou as redes sociais para criticar empresas que lucram com campanhas publicitárias em junho, mas abandonam o apoio financeiro real às organizações do terceiro setor.

A Prefeitura de São Paulo investiu mais de R$ 6 milhões na edição passada da Parada LGBT+. A gestão municipal ainda não confirmou o repasse de verbas para o evento deste ano. A ausência de apoio afeta diretamente os projetos sociais mantidos pelas entidades organizadoras.

A organização mantém a convocação popular e apropria-se do momento eleitoral para engajar o público nas ruas. O cenário político adverso transforma a atual edição em um teste histórico de força e resistência para a Parada LGBT+.

  • Publicado: 27/05/2026 12:05
  • Alterado: 27/05/2026 12:05
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: Parada LGBT+