Papa Leão XIV condena retórica de guerra em mensagem de Natal

Em seu primeiro Natal como pontífice, papa Leão XIV faz apelo ao diálogo, cita Gaza e Ucrânia e critica discursos bélicos

Crédito: Narcin Mazur/cbcew.org.uk

Em seu primeiro Natal à frente da Igreja Católica, o papa Leão XIV utilizou a tradicional mensagem e bênção “Urbi et Orbi”, realizada nesta quinta-feira (25), na praça São Pedro, no Vaticano, para criticar o que classificou como o “absurdo dos discursos bélicos” e alertar para as consequências humanas dos conflitos armados em diferentes regiões do mundo.

A fala foi marcada por apelos diretos ao diálogo e à negociação como caminhos para a paz, com destaque para guerras em curso na Europa, no Oriente Médio, na África e na Ásia.

Durante a celebração, o pontífice afirmou que os conflitos deixam “feridas abertas” que permanecem mesmo após o fim dos combates. Segundo ele, guerras em andamento ou já concluídas produzem destruição material, sofrimento social e impactos duradouros sobre populações civis, especialmente as mais vulneráveis. O papa ressaltou que a violência armada compromete o futuro de comunidades inteiras e agrava crises humanitárias ao redor do mundo.

Apelo por diálogo entre Rússia e Ucrânia

Ao abordar a guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022, Leão XIV pediu que as partes envolvidas encontrem coragem para negociar de forma direta e respeitosa. O conflito é considerado o mais grave em território europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

“Oremos de maneira especial pelo atribulado povo ucraniano, para que cesse o estrondo das armas e para que as partes envolvidas, com o apoio e o compromisso da comunidade internacional, encontrem a coragem para dialogar de maneira sincera, direta e respeitosa”, afirmou o pontífice.

Para ele, a superação da guerra depende do engajamento diplomático e do compromisso internacional com soluções pacíficas.

Situação dos palestinos em Gaza

O papa também destacou a situação humanitária dos palestinos na Faixa de Gaza. Ao relembrar o nascimento de Jesus em um estábulo, Leão XIV uma associação simbólica com as condições enfrentadas por civis que vivem em abrigos improvisados na região.

“Como, então, podemos não pensar nas tendas em Gaza, expostas por semanas à chuva, ao vento e ao frio?”, questionou.

Apesar do cessar-fogo estabelecido entre Israel e Hamas em outubro, o pontífice ressaltou que a situação permanece crítica, conforme alertas de organizações internacionais, que apontam avanços frágeis no combate à fome e à insegurança alimentar.

Leão XIV já havia se manifestado anteriormente sobre o conflito no Oriente Médio e, em novembro, reuniu-se com Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina. Na ocasião, segundo o Vaticano, foi discutida a necessidade de buscar uma solução de dois Estados, com a criação de um país judeu e outro palestino, como forma de encerrar o conflito de maneira duradoura.

Conflitos globais e impacto sobre civis

Durante a homilia, o pontífice ampliou o olhar para outros conflitos ao redor do mundo, citando países como Sudão, Mali, Mianmar, Tailândia e Camboja. Ele ressaltou que a violência afeta principalmente civis indefesos e jovens forçados a participar de confrontos armados.

“Frágil é a carne das populações indefesas, provadas por tantas guerras em curso ou concluídas que deixam escombros e feridas abertas”, declarou. O papa também criticou discursos políticos que justificam a violência, mas ignoram o sofrimento humano causado pelas guerras.

Imigração, América Latina e posicionamentos recentes

Leão XIV também lamentou a situação de imigrantes e refugiados no continente americano, destacando a exclusão social enfrentada por essas populações. Embora tenha evitado menções diretas a líderes políticos, o pontífice já havia criticado no passado políticas anti-imigração. Nascido em Chicago e com cidadania americana e peruana, ele é o primeiro papa dos Estados Unidos.

Na noite anterior, durante a Missa do Galo, o papa Leão XIV criticou a “ganância do mundo moderno” e afirmou que negar ajuda a pobres e estrangeiros equivale a rejeitar Deus. Ao mencionar a América Latina, pediu que líderes políticos priorizem o diálogo e o bem comum, evitando exclusões ideológicas e partidárias.

Antes de ser eleito no conclave, Robert Francis Prevost, nome de batismo de Leão XIV, comandava o Dicastério para os Bispos e a Comissão Pontifícia para a América Latina. No início de dezembro, ele também defendeu que crises políticas, como a da Venezuela, sejam enfrentadas por meio do diálogo, e não pelo uso da força militar.

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  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 25/12/2025
  • Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA