Papa Francisco promove mudanças cautelosas na doutrina católica; saiba quais foram
Apesar da fama de reformista, pontífice opta por avanços cuidadosos em temas sensíveis como comunhão de divorciados, bênçãos a casais irregulares e pena de morte.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 27/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Embora o papa Francisco seja visto por muitos como um líder revolucionário, seu trabalho de atualização da doutrina católica tem ocorrido de forma ponderada. Uma das mudanças mais emblemáticas foi a abertura para que divorciados em nova união possam, em certos casos, receber a comunhão.
A mudança foi apresentada na exortação apostólica Amoris laetitia (2016), onde Francisco reconheceu que a realidade dos casais em situação irregular é mais complexa do que o tradicional juízo binário da Igreja.
Em diálogo com conferências episcopais, o papa apoiou um modelo que permite a avaliação caso a caso, sob orientação pastoral. No Brasil, a CNBB indicou a possibilidade de comunhão em “casos limitados”, enquanto em outros países, como os Estados Unidos, a interpretação foi mais restrita.
Bênçãos para casais “irregulares” e homossexuais
Outro ponto de controvérsia foi a autorização de bênçãos a casais em situação irregular, sejam heterossexuais ou homossexuais. A medida foi formalizada em 2023 através da declaração Fiducia supplicans, assinada pelo cardeal Víctor Manuel Fernández.
O documento deixa claro que tais bênçãos não equivalem a uma celebração matrimonial e não devem seguir um rito oficial, evitando confusão com o sacramento do matrimônio. O objetivo, segundo o texto, é acolher aqueles que buscam a ajuda divina sem a intenção de legitimar seu status, reforçando que Deus nunca se afasta dos que o procuram.
Condenação da pena de morte
Francisco também reformulou o posicionamento oficial da Igreja sobre a pena de morte. Em 2018, ele aprovou uma alteração no Catecismo da Igreja Católica, declarando a prática “inadmissível” sob qualquer circunstância, por violar a dignidade da pessoa humana.
Anteriormente, a doutrina permitia a execução em casos extremos para a proteção da vida. Agora, com a nova redação, a Igreja se compromete firmemente a trabalhar pela abolição da pena de morte em todo o mundo.