Estado da Palestina é reconhecido por Reino Unido, Canadá e Austrália

Reino Unido, Canadá e Austrália reconheceram oficialmente a Palestina, seguindo pressão internacional por uma solução de dois Estados em meio à crise no Oriente Médio.

Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil

Em um marco significativo na diplomacia internacional, os governos do Reino Unido, Canadá e Austrália oficializaram, neste domingo (21), o reconhecimento do Estado da Palestina. Os anúncios foram feitos em pronunciamentos separados, antecipando-se a um grupo de dez países que também deverá formalizar seu apoio à Palestina durante a Conferência de Alto Nível sobre Palestina, que ocorre em paralelo à Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York.

Com essa decisão, o Reino Unido e o Canadá se tornam os primeiros membros do G7 a reconhecerem a Palestina. O ministro das Relações Exteriores britânico e vice-primeiro-ministro, David Lammy, afirmou à Sky News que “qualquer movimento em direção ao reconhecimento é um esforço para manter vivas as perspectivas de uma solução de dois Estados“.

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A pressão política no Reino Unido foi evidente, com mais de 130 deputados do Partido Trabalhista apoiando uma carta que pedia o reconhecimento. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, optou por adiar a declaração até a conclusão da visita do presidente dos EUA, Donald Trump, conhecido por seu alinhamento próximo a Israel.

Durante essa visita, Trump comentou sobre o reconhecimento da Palestina como “uma das poucas discordâncias” que mantinha com Starmer.

No Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney destacou em um comunicado que o reconhecimento da Palestina é parte de um esforço internacional coordenado. Ele declarou: “O Canadá reconhece o Estado da Palestina e está disposto a colaborar na construção de um futuro pacífico para ambos os Estados“. A nota também critica as ações do governo israelense, alegando que este tem trabalhado para obstruir a viabilidade de um Estado palestino.

Por sua vez, o primeiro-ministro australiano Anthony Albanese enfatizou que “a organização terrorista Hamas não deve ter qualquer papel na Palestina”, evidenciando as complexidades do reconhecimento e da situação política na região.

A iniciativa dos três países representa um movimento crescente entre as nações ocidentais em favor do reconhecimento da Palestina, especialmente diante da grave crise humanitária no Oriente Médio e das pressões internacionais por uma solução de dois Estados.

Em julho passado, o presidente francês Emmanuel Macron iniciou essa mobilização ao anunciar sua intenção de reconhecer oficialmente o Estado da Palestina durante a cúpula da ONU em setembro. Na ocasião, o Reino Unido e outros aliados estratégicos de Israel expressaram disposição para seguir esse exemplo caso a crise humanitária na Faixa de Gaza se agravasse.

Entretanto, existem divisões significativas entre os países. O grupo de dez nações que deverá reconhecer a Palestina nesta semana – incluindo França, Portugal, Bélgica, Luxemburgo, Andorra e Malta – não conta com a adesão de potências como Alemanha e Itália. Isso frustrou as tentativas de Macron de formar um bloco europeu para desafiar o apoio incondicional dos EUA a Israel.

O professor Daniel Pineu, especialista em relações internacionais na Universidade de Amsterdam, aponta que a solução de dois Estados é legalmente desejável sob o direito internacional, mas pragmática e politicamente desafiadora. Ele afirma: “Até que haja uma mudança significativa no governo israelense ou nos Estados Unidos – algo improvável nos próximos meses ou anos – essa solução permanecerá bloqueada”.

Desde o início do conflito entre Israel e Hamas, as forças israelenses impuseram um cerco à Faixa de Gaza, afetando mais de 2 milhões de habitantes locais que enfrentam uma crise alimentar severa. Dados do Ministério da Saúde palestino indicam que mais de 65 mil pessoas já perderam suas vidas devido à ofensiva israelense, a maioria delas civis. Esses números são considerados confiáveis pela ONU, embora não possam ser verificados independentemente devido às restrições impostas por Israel ao acesso da imprensa internacional em Gaza.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 21/09/2025
  • Fonte: Fever