Padarias de SP celebram 472 anos da cidade com exposição
Mostra "Padarias paulistanas: onde você se sente em casa" revela história, economia e o pedido de patrimônio imaterial da capital.
- Publicado: 03/02/2026
- Alterado: 23/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Michel Teló
Padarias são, para o paulistano, muito mais do que meros locais de comércio; são extensões da própria casa. Para celebrar o aniversário de 472 anos de São Paulo, a Fundação Bunge e o Metrô inauguram neste domingo (25) a exposição “Padarias paulistanas: onde você se sente em casa”. A mostra, que ocupa inicialmente a Estação República, utiliza um dossiê histórico para provar que esses estabelecimentos são pilares da identidade cultural e social da metrópole.
Enquanto em outras regiões o foco é a compra rápida, as padarias em São Paulo se consolidaram como centros de convivência, onde o “pingado” e o pão na chapa servem de pano de fundo para laços comunitários que atravessam gerações.
Setor de padarias movimenta bilhões e gera milhares de empregos

A relevância das padarias não é apenas afetiva, mas também um motor econômico vital. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), o setor movimentou expressivos R$ 153,36 bilhões em 2024 — um salto de mais de R$ 14 bilhões em relação ao ano anterior.
Na capital, os números impressionam: de acordo com o sindicato Sampapão, São Paulo detém o título de cidade com o maior número de padarias do mundo, sendo responsável pela geração de cerca de 250 mil empregos diretos. “A padaria paulistana é sinônimo de socialização e memória afetiva”, destaca Cláudia Buzzette Calais, diretora-executiva da Fundação Bunge.
Tradição familiar e o título de Patrimônio Imaterial
O estudo realizado pelo Centro de Memória da Fundação Bunge revela a impressionante longevidade desses negócios: quase um terço das padarias pesquisadas tem mais de 70 anos de história. A sucessão familiar é a regra, com mais de 80% dos sócios tendo ingressado no negócio por laços de primeiro grau (pais ou irmãos).
Devido a essa característica única de “acolhimento multisserviço”, a Fundação Bunge protocolou em 2025, junto ao Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), um pedido formal para que as padarias sejam reconhecidas como patrimônio cultural imaterial da cidade de São Paulo. O processo, que segue em análise, visa proteger e valorizar o modo de fazer e o convívio social típico desses locais.
Guia interativo e roteiro pelas estações
Quem visitar a exposição poderá acessar, via QR Code, um guia online exclusivo (padariaspaulistanas.com.br). O roteiro mapeia estabelecimentos históricos próximos às estações República e Paraíso, trazendo depoimentos em vídeo de proprietários tradicionais e curiosidades sobre os pratos mais famosos de cada região central.
A mostra segue um cronograma itinerante para atingir o maior número de passageiros possível, utilizando o Metrô como um espaço tão democrático quanto o balcão de uma padaria.
Serviço:
- Estação República (Linha Vermelha): De 25 de janeiro a 24 de fevereiro.
- Estação Paraíso (Linhas Azul e Verde): De 25 de fevereiro a 24 de março.
- Entrada: Gratuita (necessário o pagamento da tarifa do Metrô para acessar a área paga).