Ozempic: Anvisa exige retenção de receita para venda de canetas emagrecedoras
Medida busca coibir uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento sem prescrição adequada
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 16/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Na última quarta-feira, 16 de agosto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou uma nova diretriz que torna obrigatória a retenção de receita médica para a venda de medicamentos como Ozempic, Wegovy e Saxenda, amplamente utilizados para o emagrecimento. Essa medida visa aumentar o controle sobre a prescrição e comercialização desses produtos, que são classificados como medicamentos de tarja vermelha.
Embora a legislação já exigisse a apresentação de receita para a compra desses fármacos, na prática, muitos consumidores têm conseguido adquiri-los sem o devido documento. A decisão da Anvisa surge em resposta a um apelo do Conselho Federal de Medicina (CFM), que destacou a necessidade urgente de um controle mais rigoroso na utilização desses medicamentos, especialmente devido aos riscos associados ao seu uso indiscriminado.
Obesidade é crise global de saúde pública
Atualmente, mais de um bilhão de pessoas no mundo vivem com obesidade, sendo que no Brasil cerca de 56% da população adulta enfrenta sobrepeso ou obesidade. Este cenário é considerado uma crise de saúde global, exacerbada pela falta de opções farmacológicas eficazes. A obesidade está ligada a diversas complicações sérias, incluindo diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e problemas hepáticos, impactando negativamente a expectativa de vida.
Os medicamentos em questão, como Ozempic e Wegovy, contêm semaglutida como princípio ativo. Originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, estes medicamentos demonstraram eficácia significativa na redução do peso corporal, com estudos mostrando que os pacientes podem perder até 17% da sua massa corporal em um ano. No entanto, essa mesma eficácia atrai pessoas sem indicação médica apropriada para seu uso.
A semaglutida atua imitando a ação do hormônio GLP-1, produzido no intestino, e influencia áreas específicas do corpo que regulam a saciedade e o metabolismo da glicose. Os efeitos incluem uma redução significativa na ingestão calórica — entre 30% e 40%, dependendo da dosagem administrada.
Uso sem orientação pode causar complicações sérias
Especialistas ressaltam que o acompanhamento médico durante o uso desses inibidores de apetite é crucial. Segundo Cynthia Valério, diretora da Associação Brasileira para Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO), uma orientação nutricional adequada pode garantir que a perda de peso se torne sustentável ao longo prazo. “O uso indevido dessas medicações pode levar à desnutrição e à perda significativa de massa muscular”, alerta Valério.
É importante mencionar que os medicamentos não são adequados para todos. Pacientes com alergias aos componentes das canetas ou histórico de pancreatite devem evitar seu uso. Além disso, indivíduos com histórico familiar de carcinoma medular da tireoide e mulheres grávidas ou lactantes também não devem utilizar esses fármacos.
Os efeitos colaterais mais comuns incluem náuseas e vômitos, frequentemente associados ao sistema gastrointestinal. Outros efeitos adversos relatados incluem diarreia, constipação e dor abdominal. Apesar desses efeitos serem geralmente leves e temporários, há riscos mais graves como pancreatite que devem ser considerados.
A Anvisa continua monitorando a situação dos medicamentos para emagrecimento no Brasil enquanto busca assegurar que seu uso seja seguro e eficaz sob supervisão médica adequada.