Ovos, coelhos e a Páscoa: tradições que cruzam séculos e culturas

Símbolos populares da data têm origens religiosas e pagãs, com versões distintas em países como Alemanha, Rússia e no contexto da Igreja Católica

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A celebração da Páscoa, que comemora a ressurreição de Jesus Cristo, é marcada por uma série de símbolos, entre os quais se destacam o ovo e o coelho. A origem dessa associação é cercada de controvérsias e diferentes interpretações ao longo da história.

Uma das narrativas que circulam sobre o surgimento desses símbolos remonta à figura de Maria Madalena. De acordo com essa versão, ela teria visitado o sepulcro de Jesus na manhã do domingo após sua crucificação na sexta-feira, levando consigo materiais para ungir seu corpo. Ao chegar ao local, teria encontrado a sepultura aberta. Um coelho, que teria ficado preso no túmulo, é considerado o primeiro ser vivo a testemunhar a ressurreição e, consequentemente, ganhou a incumbência de anunciar a boa nova às crianças no dia da Páscoa.

A origem simbólica do ovo ao longo das eras

O ovo, por sua vez, é um símbolo ancestral que representa vida e renascimento. Desde os tempos antigos, diversas culturas já associavam ovos à ideia de criação e renovação. Os romanos, por exemplo, acreditavam que o universo tinha uma forma oval. Na Idade Média, surgiu a crença de que o mundo teria nascido dentro de um ovo. Assim, tornou-se comum presentear amigos e familiares com ovos de galinha decorados.

Historiadores como o monsenhor André Sampaio Oliveira apontam que essa prática pode ter raízes em tradições persas ou chinesas. “Séculos antes do advento do cristianismo, a troca de ovos durante o equinócio da primavera celebrava o fim do inverno”, explica Oliveira. Com a introdução da Páscoa cristã, esses rituais pagãos foram assimilados, levando os cristãos a verem nos ovos um símbolo da ressurreição.

O conceito de ornamentar ovos evoluiu ao longo dos séculos. Na Idade Média, as cascas eram pintadas à mão. Em países como a Alemanha, os ovos coloridos passaram a ser pendurados em árvores durante a primavera, enquanto na Rússia eram deixados nos túmulos como homenagem aos falecidos. Na Itália, esses itens decorativos adornam as mesas durante a ceia pascal.

Um capítulo notável nessa tradição ocorreu entre 1885 e 1916, quando os czares russos encomendaram uma série de ovos decorativos ao joalheiro Peter Carl Fabergé. Um desses ovos foi avaliado em impressionantes US$ 20 milhões em 2014 devido à sua intrincada beleza e valor histórico.

O coelho e a fertilidade nas tradições de Páscoa

Com o passar do tempo, confeiteiros franceses inovaram ao transformar ovos em delícias de chocolate recheadas. Essa ideia rapidamente conquistou adeptos além das fronteiras religiosas; até mesmo pessoas sem conotações religiosas ligadas à Páscoa desfrutam dos ovos de chocolate.

O coelho também desempenha um papel significativo nas celebrações pascais. Embora esse animal não coloque ovos como muitos imaginam, ele simboliza fertilidade desde tempos remotos no Egito antigo. A capacidade do coelho de gerar várias ninhadas anualmente contribui para essa associação com renascimento e vitalidade.

No Brasil, o coelho como símbolo da Páscoa começou a se popularizar na década de 1910 com a imigração alemã. As tradições incluem pintar ovos e escondê-los para as crianças encontrarem.

Para muitos historiadores e especialistas como Jefferson Ramalho, doutorando em História pela Unicamp, é importante reconhecer que não existe uma única versão sobre essas tradições: “O essencial é entender os significados que esses símbolos carregam nas diversas culturas.”

Por outro lado, para a Igreja Católica, o verdadeiro símbolo da Páscoa é o círio pascal – uma grande vela branca representando a luz da ressurreição de Cristo. Isidoro Mazzarolo, teólogo da PUC-Rio, ressalta: “O símbolo maior da Páscoa é a luz de Cristo que transforma dor em alegria.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 16/04/2025
  • Fonte: Sorria!,