Ouro encerra primeiro pregão de 2026 com queda
Apesar das tensões no Iêmen e na Ucrânia, o ouro recua 0,26% em meio à baixa liquidez; investidores aguardam dados de juros nos EUA
- Publicado: 03/02/2026
- Alterado: 02/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Michel Teló
O mercado global de metais preciosos iniciou o ano de 2026 em um cenário de alta volatilidade e cautela. Nesta sexta-feira (2), o preço do ouro registrou uma queda de 0,26% na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), encerrando o dia cotado a US$ 4.329,60 por onça-troy. O movimento reflete um ajuste técnico após o metal ter operado em alta durante a manhã, impulsionado pela busca por refúgio seguro diante de novos conflitos geopolíticos.
A liquidez reduzida, comum no primeiro pregão após o feriado de Ano-Novo, acentuou as oscilações de preço. Enquanto o ouro recuou levemente, a prata seguiu um caminho oposto, subindo 0,6% com a expectativa de uma demanda industrial robusta para os próximos meses. Analistas indicam que o metal amarelo segue sustentado pelo receio inflacionário de longo prazo, conforme apontado em relatório recente do Deutsche Bank.
Tensões geopolíticas e o impacto no preço do ouro
O pregão matinal foi marcado por uma valorização de 1% no ouro, motivada pelo agravamento das tensões no Oriente Médio. Relatos de ataques aéreos da Arábia Saudita contra forças apoiadas pelos Emirados Árabes Unidos, no sul do Iêmen, acenderam o alerta para uma possível ruptura entre os aliados regionais. Historicamente, conflitos que envolvem potências petrolíferas tendem a canalizar investimentos diretamente para o ouro.
No Leste Europeu, o cenário permanece igualmente instável. A Rússia denunciou novos ataques ucranianos com drones na região de Kherson, enquanto o presidente Volodymyr Zelensky afirmou que, embora 90% de um acordo de paz esteja desenhado, os 10% restantes — que envolvem questões territoriais e de soberania — são críticos e impedem o fim definitivo das hostilidades. Esse impasse contínuo mantém o ouro como uma proteção essencial nas carteiras de investimento internacionais.
Expectativa por indicadores econômicos e o Federal Reserve
Para a próxima semana, os holofotes do mercado financeiro saem do campo de batalha e se voltam para a economia real. A divulgação de indicadores de inflação e emprego nos Estados Unidos e na Europa será determinante para o ouro. Investidores buscam sinais sobre a velocidade da flexibilização monetária conduzida pelo Federal Reserve (Fed) ao longo de 2026.
Caso os dados econômicos confirmem a desaceleração da inflação e permitam novos cortes nas taxas de juros, o ouro poderá experimentar uma nova onda de valorização. Como o metal não gera rendimentos (juros), ele se torna comparativamente mais atraente quando as taxas de títulos públicos caem. Por ora, o mercado aguarda se o suporte dado pelo medo da inflação e pela instabilidade política será suficiente para romper as resistências de preço nos próximos dias.