Os Satyros 25 anos, no Itaú Cultural

Durante cinco dias, o público confere três espetáculos da companhia, participa de encontro com os fundadores e assiste com exclusividade ao mais recente corte de Os Satyros

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O Itaú Cultural entra nas comemorações aos 25 anos de criação de Os Satyros, dedicando a sua programação de 29 de outubro a 2 de novembro (quarta-feira a domingo) ao grupo teatral fundada em 1º de abril em 1989. Começa com a peça Pessoas Perfeitas, integrando edição especial do De Vez em Quarta, Teatro, rubrica de apresentações da dramaturgia brasileira na casa. Segue com as apresentações dos espetáculos Adormecidos e o infantil Mitos Indígenas. Abre espaço, ainda, para o público conhecer mais sobre a história desta companhia em um debate com os seus fundadores e a exibição, em primeira mão, de documentário sobre a sua trajetória.

 “Mesmo depois desses primeiros 25 anos de atuação, a gente se sente como criança quando recebe homenagens como esta, assim como quando vemos novas possibilidades de atuação se abrirem no nosso caminho”, comemora Rodolfo García Vázquez, diretor e fundador, com Ivam Cabral, de Os Satyros. “É muito instigante pensar que conseguimos realizar tudo isso e hoje em dia pensemos em fazer não só teatro, mas cinema também, por exemplo”, complementa.

A encenação de Pessoas Perfeitas, que abre a programação no dia 29 de outubro (quarta-feira), às 20h, representa bem essa fase de transição entre o teatro e o cinema de Os Satyros. Ela estreou em agosto, como a primeira peça deles criada especialmente para ser transformada em um filme, previsto para começar a ser rodado em janeiro de 2015. Até aqui, eles apenas fizeram a adaptação para as telas de Hipóteses para o Amor e a Verdade, também se sua autoria.

Com direção de Vázquez e texto assinado por ele e Cabral, Pessoas Perfeitas lança um olhar sobre moradores anônimos do centro de SP, após terem feito entrevistas, investigações in loco e observações que levaram ao roteiro do espetáculo. No palco, os personagens interpretados por Cabral, Fábio Penna, Henrique Mello, Julia Bobrow, Eduardo Chagas, Marta Baião e Adriana Capparelli se encontram ao acaso, conseguindo conviver apesar das grandes diferenças que existem entre si. O espetáculo conta com a participação das violoncelistas Alessandra Giovannoli e Rebeca Friedmann.

HISTÓRIA
Na quinta-feira, 30, também às 20h, o palco da Sala Itaú Cultural abre espaço os fundadores da companhia discorrerem sobre as suas diversas fases, tanto no Brasil quanto no exterior, e o impacto que estas experiências tiveram sobre a estética do grupo. A dupla tem muita história a dividir com o público. Vázquez tem uma vasta trajetória como diretor e dramaturgo e recebeu os mais importantes prêmios do teatro brasileiro, como Shell, da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e da Cooperativa Paulista de Teatro. Cabral é doutorando em Pedagogia do Teatro e mestre em Artes Cênicas pela ECA/USP, além de ator, dramaturgo, roteirista e cronista. Tem vários livros publicados, e dezenas de produções em teatro, cinema e televisão.

FILME
A trajetória da companhia e de seus fundadores ganha também a tela da Sala Itaú Cultural na sexta-feira, dia 31, às 20h, com a exibição em primeira mão de Os Satyros, documentário ainda em progresso do cineasta Evaldo Mocarzel. Nos 92 minutos desse primeiro corte do filme, o público confere uma reconstituição do percurso do grupo por meio de entrevistas e imagens desses 25 anos.

“O diferencial desse documentário é que Rodolfo desvendar integrantes de Os Satyros por meio da luz que foi montada para as entrevistas com Ivam, as atrizes Phedra de Cordoba e Cléo de Páris, além de um auto-retrato dele mesmo”, adianta Mocarzel. “Em alguns momentos usamos espelhos, para que os atores vivam uma acareação com a sua própria imagem”, explica o cineasta. Com este documentário, ele fecha uma trilogia com o grupo, iniciada com o longa-metragem Cuba Libre, sobre o retorno da transexual Phedra a Cuba, seu país, após 53 anos, e Vila Verde, sobre a instalação dramática feita pelo Satyros na periferia de Curitiba, com entrevistas a moradores de diferentes bairros, que depois se misturaram a atores e atrizes para recriar as histórias contadas na localidade.

ADULTOS E CRIANÇAS
No final de semana a programação segue com espetáculos, também de Os Satyros, voltados para adultos e crianças. Às 20h do sábado, 1 de novembro, a companhia apresenta Adormecidos. A peça dirigida por Vázquez foge aos padrões das últimas montagens deles ao levar ao palco o consagrado texto do norueguês Jon Fosse. Abordando a temática dos relacionamentos e a maneira como cada indivíduo projeta as suas próprias aflições e anseios em seu parceiro, os atores Suzana Muniz e Tiago Leal e Luiza Gottschalk e José Sampaio interpretam dois casais. Eles se revezam em cena, em um jogo onde luz, espelhos e transparências levam os personagens para outros planos, ora em processo de fusão, ora de oposição.

Encerrando a programação, às 16h do domingo a companhia se volta para seu novo público, com a peça infantil Mitos Indígenas. Ela integra o projeto de teatro para a infância e juventude desenvolvido por eles e realizado com patrocínio do Banco Itaú e apoio do Itaú Cultural, com o qual já levou a apresentação a mais de 25 escolas públicas da rede de ensino da grande São Paulo, a C.E.U.s, ao Espaço dos Satyros I e na Aldeia de Rio Silveira, atingindo um público de mais de 3,5 mil crianças.

A peça se inspira em histórias dos índios Guarani, com cuja cultural parte do elenco fez um mergulho. Neste texto, Lucas, um menino da cidade, se perde na floresta e encontra Jaci Jaterê, o guardião da mata, que o ajuda a reencontrar seu caminho. Antes, o índio lhe conta várias histórias da tradição indígena guarani, como a origem da mandioca e do fogo, retratando, por meio delas, a visão sobre temas caros a este povo, como ecologia, companheirismo, respeito e cooperação.

 “Nesse momento do nosso trajeto, gostamos de lembrar que um espetáculo infantil nos reanimou anos atrás, quando Ivam e eu estávamos pensando em desistir do teatro”, recorda Vazquez. Era o ano de 1989 e eles estrearam a peça infantil Aventuras de Arlequim (1989), que ganhou o APCA de Melhor Ator, para Cabral, e de Melhor Atriz Coadjuvante, para Rosemeri Ciupak, e foi indicado ao Prêmio Mambembe de Melhor Texto. Segundo ele, isso deu uma reviravolta na companhia. “Aí, resolvemos continuar.”

SERVIÇO
OS SATYROS 25 ANOS
Dia 29 de outubro (quarta-feira), às 20h
Pessoas Perfeitas (dentro da programação De Vez em Quarta, Teatro)
Texto: Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez. Direção: Rodolfo García Vázquez
Duração: 80 min
Classificação Indicativa: 16 anos
Sala Itaú Cultural (232 lugares)

Dia 30 de outubro (quinta-feira), às 20h
Debate com os fundadores do Os Satyros
Com Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez
Duração: 80 min
Classificação Indicativa: 16 anos
Sala Itaú Cultural (227 lugares)

Dia 31 de outubro (sexta-feira), às 20h
Exibição de Os Satyros, documentário de Evaldo Mocarzel
Duração: 92 min
Classificação Indicativa: 16 anos
Sala Itaú Cultural (227 lugares)

Dia 1 de novembro (sábado), às 20h
Peça Adormecidos
Texto: Jon Fosse. Direção: Rodolfo García Vázquez
Duração: 75 min
Classificação Indicativa: 16 anos
Sala Itaú Cultural (232 lugares)

Dia 2 de novembro (domingo), às 16h
Peça Mitos Indígenas
Direção: Rodolfo García Vázquez
Duração: 45 min
Classificação Indicativa: LIVRE
Sala Itaú Cultural (232 lugares)

Entrada franca (ingressos distribuídos com 30 minutos de antecedência)
Estacionamento com manobrista: R$ 14 uma hora; R$ 6 a segunda hora; e mais R$ 4 p/ hora adicional
Estacionamento gratuito para bicicletas
Acesso para deficientes físicos
Ar condicionado

Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Fones: 11. 2168-1776/1777