Os livros que marcaram 2024
De narrativas íntimas a reflexões sociais, obras destacadas pela revista Piauí exploram temas como maternidade, negritude, meio ambiente e os laços humanos
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 17/12/2024
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O encerramento do ano de 2024 trouxe consigo uma série de publicações que merecem ser destacadas, não apenas por sua qualidade literária, mas também pelo impacto social e cultural que exercem. A equipe da revista Piauí se debruça sobre algumas das obras mais significativas lançadas ao longo do ano, abordando temas variados que vão desde a exploração da identidade até questões ambientais.
“Deus na Escuridão”
No romance “Deus na Escuridão”, o autor português Valter Hugo Mãe retrata com delicadeza e profundidade o amor fraternal através da história de dois irmãos na Ilha da Madeira. O narrador, o irmão mais velho, vive a expectativa e o desafio da chegada do caçula, que nasce com uma condição de saúde frágil. A obra se desdobra em uma reflexão sobre a aceitação e o carinho em um contexto social marcado pela pobreza e pela violência, fazendo o leitor ponderar sobre os laços familiares e as nuances do amor entre irmãos.
“O Silêncio da Motosserra”
Escrito por Claudio Angelo e Tasso Azevedo, “O Silêncio da Motosserra” narra a luta do Brasil contra o desmatamento da Amazônia. Os autores, com vasta experiência no tema, traçam um panorama histórico desde a ocupação predatória até as políticas de preservação implementadas nas últimas décadas. A obra discute os desafios enfrentados nos governos recentes e apresenta dados alarmantes sobre a degradação ambiental, além de trazer esperança com as novas diretrizes propostas pelo atual governo.
“Ilê Aiyê: A Fábrica do Mundo Afro”
Em comemoração ao cinquentenário do bloco afro Ilê Aiyê, o antropólogo francês Michel Agier lança uma obra que investiga as raízes desse movimento cultural. O livro mergulha nas origens do bloco que defende a identidade negra e critica a presença de brancos em suas festividades. Agier analisa a importância do Ilê Aiyê na reconfiguração dos imaginários sobre a negritude no Brasil, oferecendo uma perspectiva única sobre a resistência cultural.
“Melhor Não Contar”
Tatiana Salem Levy apresenta uma narrativa íntima e visceral em “Melhor Não Contar”, onde aborda os efeitos duradouros do abuso sexual em sua infância. Através de uma linguagem delicada e poderosa, Levy explora o silêncio imposto às mulheres e os traumas que carregam ao longo da vida. Sua coragem em compartilhar experiências pessoais provoca uma reflexão necessária sobre a necessidade de romper com os silêncios que cercam tais vivências.
“Três Camadas de Noite”
No romance autobiográfico “Três Camadas de Noite”, Vanessa Barbara navega pelas complexidades da maternidade contemporânea. Com um toque de humor e sinceridade, a autora explora seus desafios pessoais enquanto cria seu filho durante um período turbulento. Ao intercalar sua narrativa com referências literárias, Barbara oferece um olhar íntimo sobre a busca por significado e conexão durante momentos difíceis.
“Querido Estudante Negro”
Bárbara Carine lança “Querido Estudante Negro”, um livro escrito em formato epistolar que traz à tona as tensões sociais enfrentadas por pessoas negras no Brasil. Por meio de cartas dirigidas a um amigo, Carine aborda questões como racismo institucional e solidão na academia. Sua narrativa serve como um convite à empatia e à reflexão crítica sobre as desigualdades persistentes na sociedade brasileira.
Essas obras representam apenas uma fração das vozes emergentes que estão moldando a literatura contemporânea brasileira e mundial. Cada autor traz sua perspectiva única para questões universais como amor, identidade, resistência e luta social.
À medida que 2024 se despede, fica evidente que a literatura continua sendo uma ferramenta poderosa para provocar reflexões profundas e fomentar diálogos essenciais na sociedade.