Operação SP Sem Fogo reduz em 91% área queimada
Ações integradas e tecnologia garantiram recorde histórico mesmo com estiagem severa no estado.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 17/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
São Paulo alcançou um marco histórico na preservação ambiental em 2025. A Operação SP Sem Fogo registrou a maior redução no índice de incêndios florestais já documentada no estado. Durante o período crítico da estiagem, entre os meses de junho e outubro, houve uma queda expressiva de 91% na área queimada em unidades de conservação e uma diminuição de 50% no número de focos detectados, em comparação ao ano anterior.
Os dados do Painel Geoestatístico da operação revelam a eficácia das medidas: foram contabilizados 102 focos e 2.908 hectares afetados em 2025, contra 205 focos e 32.377 hectares em 2024. O coordenador estadual da Defesa Civil, Coronel Henguel Pereira, ressalta a importância do planejamento antecipado:
“Mesmo em um ano de condições meteorológicas extremamente críticas — com calor intenso, baixa umidade e meses sem chuva — conseguimos reduzir drasticamente a área queimada e o número de focos. Isso só foi possível porque ampliamos o planejamento, reforçamos as equipes e adotamos uma estrutura inédita de monitoramento e antecipação de riscos”.
Monitoramento avançado e contexto climático
Os resultados positivos da Operação SP Sem Fogo foram obtidos em um cenário climático adverso. As temperaturas máximas ficaram, em média, 41% acima do esperado, enquanto as chuvas estiveram 55% abaixo da normalidade. Para enfrentar esse desafio, o governo estadual implementou a “Sala SP Sem Fogo”.
Inspirada em modelos de gestão de crises de Portugal e Espanha, essa estrutura pioneira centralizou especialistas e inteligência geoespacial. O sistema permitiu antecipar ações preventivas em até 24 horas, agilizando o deslocamento de equipes para regiões vulneráveis.
Investimentos em infraestrutura e rodovias
A prevenção nas estradas foi um pilar fundamental da estratégia. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SP) investiu mais de R$ 141,4 milhões em ações preventivas ao longo de 12 mil km de rodovias. As intervenções incluíram:
- Roçada mecânica: 30,4 mil hectares (R$ 45,5 milhões investidos);
- Roçada manual: 22,7 mil hectares (R$ 91,8 milhões investidos);
- Capina manual: 581 hectares.
Além disso, novos contratos disponibilizaram 56 caminhonetes equipadas com autobombas e 224 brigadistas dedicados. O Governo Estadual também destinou R$ 14 milhões exclusivos para apoio aéreo, utilizando aviões e helicópteros para monitoramento e combate direto, reforçando a estrutura da Operação SP Sem Fogo.
Tecnologia e capacitação recorde
A fase de preparação registrou o maior contingente já formado no estado: cerca de 3 mil agentes de 600 municípios foram capacitados. Houve a distribuição de quase 14 mil Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e a adesão ao Plano de Contingência da Estiagem cresceu 47%.
A Fundação Florestal, braço da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), investiu R$ 11 milhões na operação. Os recursos foram destinados à compra de tecnologias como drones com câmeras termais e ampliação dos sistemas SMAC e PANTERA, que integram dados de satélites e sensores térmicos.
A secretária da Semil, Natália Resende, enfatiza a integração dos órgãos:
“Este é um trabalho baseado em ciência, planejamento e presença constante no território. São Paulo investiu em inteligência climática, formação de brigadistas, ampliação da frota, novas tecnologias e integração entre todos os órgãos envolvidos. O resultado aparece claramente. Somos hoje referência nacional em prevenção e combate a incêndios florestais”.
Estratégias de prevenção e resultados
Uma tática crucial adotada pela Operação SP Sem Fogo foi a realização de queimas prescritas. Essas intervenções controladas, feitas antes do período crítico, reduziram a carga de combustível vegetal e o potencial destrutivo dos incêndios.
Para o combate direto, foram contratados 57 postos temporários de bombeiros civis, totalizando um investimento de R$ 8,3 milhões. A agilidade na resposta garantiu que, das 121 ocorrências registradas em unidades geridas pela Fundação Florestal, os danos fossem contidos rapidamente.
Rodrigo Levkovicz, diretor-executivo da Fundação Florestal, conclui sobre a eficácia do modelo:
“A combinação de inteligência climática, presença territorial, capacitação contínua e tecnologia de alta precisão é o que nos permite proteger de forma mais eficaz nossos patrimônios naturais e também as zonas de amortecimento. A prevenção está cada vez mais estratégica, rápida e integrada, e isso faz toda a diferença no resultado final”.
A Operação SP Sem Fogo consolida-se como uma ação intersecretarial contínua, atuando durante todo o ano com fases ajustadas conforme o risco climático, envolvendo Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar Ambiental e diversos outros órgãos estaduais.