Operação prende envolvidos em esquema de extorsão no MP
Operação do Gaeco investiga rede que usava dados sigilosos e praticava extorsão contra criminosos de alto poder aquisitivo.
- Publicado: 09/06/2026 10:28
- Alterado: 09/06/2026 10:28
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Agência SP
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e a Polícia Militar deflagraram, na manhã desta terça-feira (09), a Operação Infiltrados. A ação mira uma rede criminosa especializada na corrupção de agentes públicos, extorsão, violação de sigilo funcional e na infiltração de integrantes dentro da própria estrutura do Ministério Público paulista.
A força-tarefa mobilizou agentes do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (BAEP) de Campinas, além das Corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal. Ao todo, estão sendo cumpridos dez mandados de busca e apreensão e três mandados de prisão temporária nas cidades de Campinas e Cardoso. Os mandados foram expedidos pelo Juízo de Garantias de Campinas.
Vazamento de Dados e Atentado Contra Promotor

A Operação Infiltrados é um desdobramento direto da Operação Pronta Resposta, deflagrada em agosto de 2025 para frustrar o plano de um atentado contra a vida de um promotor de Justiça do Gaeco.
Durante a análise dos materiais apreendidos na investigação anterior, os promotores descobriram vídeos que revelaram que, uma semana antes da operação de 2025, o criminoso responsável direto pela execução do plano de assassinato se reuniu secretamente com o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas. O Gaeco apura se o policial repassou informações sigilosas e sensíveis que colocaram em risco a integridade do membro do Ministério Público.
Estagiário do MP Infiltrado e Balcão de Extorsão

Cruzando dados com outra investigação, a Operação Off White, o Gaeco identificou que grandes lideranças de facções criminosas estavam sendo vítimas de extorsão por pessoas que detinham dados sigilosos do Judiciário. A investigação revelou que o cérebro desse esquema era um estagiário do próprio Ministério Público, que havia se infiltrado propositadamente em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas.
O esquema funcionava em uma rede de cooperação criminosa:
- Acesso aos Sistemas: O estagiário utilizava as credenciais, bancos de dados e sistemas de pesquisa do MP-SP para mapear e rastrear criminosos de alto poder aquisitivo que eram alvos de investigações sigilosas;
- A Rede de Apoio: De posse dos dados, o estagiário contava com a ajuda de um policial penal e de um ex-policial civil (que já havia sido expulso da corporação pelo crime de extorsão mediante sequestro);
- A Extorsão: O grupo cobrava altas quantias em dinheiro dos criminosos sob a promessa de “blindagem” ou proteção nas investigações em andamento.
Rastreamentos tecnológicos do Gaeco apontaram que os atos de chantagem e extorsão digital eram operados utilizando a rede de internet de um escritório de advocacia em Campinas. Por conta disso, as buscas no local contaram com o acompanhamento oficial de representantes da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).