Operação da PF investiga vice-presidente da Liga de Escolas de Samba em SP
Operação Vila do Conde mira rede de drogas e lavagem de dinheiro
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 23/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) desencadeou, na última terça-feira (23), a Operação Vila do Conde, com o propósito de enfrentar o tráfico internacional de drogas e a lavagem de dinheiro. A operação abrangeu os estados de São Paulo, Pará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás.
No total, foram emitidos 22 mandados de prisão e 40 de busca e apreensão. Em São Paulo, especificamente, a polícia cumpriu mandados em 11 endereços, incluindo duas instalações da escola de samba Império de Casa Verde.
A operação resultou na detenção de 16 indivíduos, enquanto três suspeitos permanecem foragidos na Europa. As autoridades já solicitaram a inclusão dos nomes destes foragidos em uma difusão vermelha da Interpol.
O principal alvo da operação foi Alexandre Constantino Furtado, mais conhecido como Teta. Ele ocupa o cargo de vice-presidente da Liga das Escolas de Samba de São Paulo e é presidente da Império de Casa Verde. Investigações indicam que Furtado pode estar associado a uma facção criminosa e teria contratado membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) para a realização de atividades ilícitas.
Fontes policiais afirmam que os detidos utilizavam a estrutura logística do PCC, embora não fossem integrantes formais da organização. A escola de samba Império de Casa Verde se manifestou, afirmando que sua equipe jurídica está monitorando a situação e que até o momento não existem evidências concretas que justifiquem qualquer declaração adicional sobre os fatos.
A agremiação também reafirmou seu compromisso com a transparência perante o público e com as instituições legais. A Liga das Escolas de Samba ainda não se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido.
Este episódio não é inédito para Furtado; em 2006, ele já havia sido preso em uma investigação relacionada ao PCC, onde se apurou que a facção movimentava cerca de R$ 500 mil mensais através da Império de Casa Verde. Na época, a acusação envolveu o uso da escola para obter empréstimos com origem duvidosa, negada pelos responsáveis pela agremiação.
A investigação atual teve início após a apreensão significativa de cocaína no Porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA), em fevereiro de 2021. Naquela ocasião, foram confiscados 458 quilos de cocaína escondidos em uma carga de quartzo com destino ao Porto de Rotterdam, na Holanda.
No ano seguinte, novas evidências surgiram em São Paulo, levando a polícia a intensificar as investigações no estado. Segundo o delegado Alexandre Custódio, à frente do caso, muitos dos envolvidos residiam em São Paulo e atuavam ativamente na região.
A operação identificou não apenas os membros da organização criminosa transnacional, mas também sua estrutura logística destinada ao transporte da cocaína proveniente da Bolívia para a Europa. Entre os países citados como compradores estavam Bélgica, Holanda e Espanha; porém, a polícia ainda não detalhou o suposto papel de Furtado no esquema.
Além disso, as investigações revelaram um sofisticado esquema para a lavagem dos lucros ilícitos por meio de empresas fictícias e investimentos em setores legítimos como restaurantes e serviços diversos.
A ação contou com a colaboração da Polícia Militar do estado de São Paulo e da Receita Federal. A Ficco é composta por diversas entidades governamentais, incluindo a Polícia Federal e as Secretarias Estadual e Nacional relacionadas à segurança pública e penitenciária.