Operação investiga venda ilegal de camarotes no Morumbis
A Polícia Civil de SP investiga venda ilegal de camarotes no Morumbis, envolvendo diretores do São Paulo FC e saques suspeitos de R$ 11 milhões
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 21/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A Polícia Civil de São Paulo desencadeou uma operação na manhã desta quarta-feira (21) voltada para desmantelar a prática ilegal de comercialização de camarotes no Estádio do Morumbis, casa do São Paulo Futebol Clube.
Operação no Morumbis
Na ação, foram expedidos quatro mandados de busca e apreensão. Entre os alvos da investigação estão Douglas Schwartzmann, atual diretor-adjunto das categorias de base do clube, e Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares, presidente afastado do São Paulo, que exercia funções na diretoria feminina, cultural e de eventos.
Além deles, Rita Adriana figura como um dos principais alvos, sendo apontada pela polícia como a responsável pelas negociações ilegais dos camarotes.
O portal ge revelou áudios onde Douglas menciona a partilha de lucros decorrente das transações. “Teve negócio aí que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou, mas foi feito tudo na confiança”, diz ele em uma das gravações.
Ambos os envolvidos solicitaram licença de seus cargos em função das investigações. Os advogados deles negam as alegações e sustentam que os áudios foram extraídos de contexto.
O São Paulo Futebol Clube enfrenta um período crítico em sua história recente, marcado por uma crise política e institucional sem precedentes. Através de investigações conduzidas pela Polícia Civil, o clube lida com sucessivos escândalos internos e a recente votação que culminou no impeachment de Julio Casares.
Em paralelo à crise interna, a Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar possíveis delitos ligados à administração do clube. As acusações contra Casares incluem associação criminosa, furto qualificado e apropriação indébita, com o SPFC figurando como vítima nas apurações.
A investigação revela que entre 2021 e 2025 foram realizados saques em dinheiro vivo que totalizam aproximadamente R$ 11 milhões das contas do clube. Inicialmente, essas retiradas eram feitas por funcionários do São Paulo, mas posteriormente passaram a ser realizadas por uma empresa responsável pelo transporte de valores.
O destino desse montante permanece incerto. Paralelamente, registros indicam depósitos na conta pessoal de Julio Casares que somam cerca de R$ 1,5 milhão durante o mesmo período investigado.
O advogado do presidente afastado, Bruno Borragini, refutou qualquer ligação entre os saques realizados pelo clube e os depósitos na conta pessoal de Casares. “Não há uma relação de vinculação, nem direta nem indireta”, afirmou ao programa Fantástico.
A defesa argumenta ainda que Casares atuava como publicitário antes de assumir a presidência do clube e recebia parte de sua remuneração em dinheiro vivo, o que justificaria os depósitos detectados em sua conta.
Por sua vez, o advogado do São Paulo, Pedro Iokoi, explicou que alguns pagamentos necessários às operações do futebol exigem transações em espécie, como é o caso da arbitragem e premiações aos jogadores.
Recentemente, o clube contratou peritos para reunir notas fiscais e comprovar a destinação correta dos valores sacados. A crise institucional se agrava em um ano sem títulos para a equipe e envolve outros episódios polêmicos; em 2025, dois atletas fizeram uso de canetas emagrecedoras adquiridas sem autorização da Anvisa. Mesmo após a prescrição do medicamento ter sido defendida pelo clube como criteriosa, o nutrólogo Eduardo Rauen enviou uma carta ao clube comunicando sua decisão de se desligar.