Operação apreende 1 milhão de peças avaliadas em R$ 6 mi

“As lojas cheiram a sangue, pois essas peças são resultado de latrocínios”, diz secretário

Crédito: Celina Oliveira

O secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, acompanhou nesta sexta-feira (30) uma operação da Polícia Civil que resultou na apreensão de 1 milhão de peças de motocicletas sem comprovação de origem, avaliadas em mais de R$ 6 milhões. Os responsáveis pelas três lojas na rua dos Gusmões, na região central da cidade de São Paulo, foram presos em flagrante.

“Essas lojas cheiram a sangue, pois essas peças são resultado de latrocínios cometidos para se roubar motocicletas. Nós temos aqui quadros de motocicletas já desmanchados, com o número do chassi já raspados”, disse o secretário. Ele afirmou que os demais comércios da região também serão investigados e a fiscalização aos locais será feita com a participação do Corpo de Bombeiros, que irá verificar se os imóveis oferecem condições de segurança para funcionar e se têm AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros).

O secretário explicou que a operação tem dois objetivos. O primeiro, segundo ele, é evitar a continuidade dos roubos. “Ao atacar o receptador, dificulta-se as vendas. E pegando o receptador, a investigação continua para pegar a quadrilha que rouba”.

O segundo ponto, de acordo com Alexandre, é que as apreensões fazem com que as quadrilhas fiquem sem dinheiro. O secretário explicou que a ideia é cada vez mais intensificar a investigação e as operações. “O mais importante é identificar os roubadores que vendiam para os receptadores”.

Os locais foram interditados administrativamente pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e serão lacrados pela Prefeitura de São Paulo.

Desde julho do ano passado, a Operação Desmanche, criada pelo Governo, combate as vendas irregulares de veículos e peças usadas e, consequentemente, o roubo e o furto de veículos. Em 2014, a operação fiscalizou 999 estabelecimentos e interditou 503 locais por irregularidades.

O secretário estava acompanhado do delegado-geral da Polícia Civil, Youssef Abou Chahin, do divisionário da Divecar, Valter de Abreu, e do titular da 3ª Delegacia da Divisão, Jair Barbosa Ortiz.

FISCALIZAÇÃO
A operação desta sexta foi desencadeada na Rua dos Gusmões pela 3ª Delegacia de Polícia de Investigações Sobre Desmanches Delituosos da Divisão de Investigações Sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar), do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Ao longo de semanas de investigações, policiais civis infiltrados realizaram campanas e verificaram uma movimentação suspeita de pessoas levando peças já desmontadas aos estabelecimentos. Sete equipes de investigadores da Divecar organizaram a operação e fizeram os flagrantes nos locais.

CRIMES
O delegado titular da Divecar informou que os presos – O.T.P.A., de 37 anos, D.P.S., de 33, e T.S.A.C., de 32 anos, responderão por receptação qualificada e adulteração de sinal identificador de veículo automotor. Os três possuem antecedente por receptação, um deles também tem passagem por tráfico de drogas.

Segundo o delegado, o trio ainda poderá ser responsabilizado por associação criminosa. A Polícia Civil prossegue com as investigações para verificar se os detidos possuem ligação com uma facção criminosa.

As peças apreendidas na operação serão periciadas pelo Instituto de Criminalística (IC).