Operação Apate investiga desvios de recursos da Lei Rouanet em MT
A PF em Mato Grosso, em parceria com a Controladoria Geral da União e o MPF, deflagrou hoje, 26, a Operação Apate, contra supostas fraudes na aplicação de recursos públicos da Lei Rouanet.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 26/04/2018
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
De acordo com as investigações, uma empresária investigada teria se utilizado das verbas para comprar sala comercial onde fica sua empresa; 37 contas, veículos e imóveis foram bloqueados.
De acordo com a PF, as “investigações foram iniciadas em 2017, a partir de uma apuração preliminar realizada pela Controladoria Geral da União – CGU, que identificou indícios de fraudes na execução de um projeto cultural por uma empresária de Cuiabá/MT, cuja empresa teria sido beneficiada pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura – PRONAC, instituído através da Lei 8.313/1991 (Lei Rouanet)”.
“As apurações iniciais apontaram que a empresária, ao realizar a devida prestação de contas junto ao Ministério da Cultura – MinC utilizava notas fiscais e recibos com valores superfaturados ou contendo a descrição de serviços que não foram prestados. Nessa fase inicial também restou comprovado que, no ano de 2015, as fraudes viabilizaram a locação de uma praça pública por R$ 90.000,00”, diz a PF.
A corporação afirma que “o aprofundamento das investigações, foi possível constatar a ocorrência de inúmeras fraudes na execução de dois projetos culturais nos anos de 2014 e 2015”.
“No ano de 2014, o Ministério da Cultura – MinC aprovou a execução de um projeto cultural no valor de R$ 460.160,00, sendo constatados indícios que apontam para um prejuízo aproximado de R$ 162.935,70. Já em 2015, o MinC aprovou a execução de outro projeto no valor de R$ 1.200.197,60, mas indícios apontam para um prejuízo aproximado ainda maior, de R$ 699.831,96”, afirma a PF, em nota.
A Federal afirma que do “total de recursos desviados, foi identificado que parte foi utilizada pela empresária para adquirir uma sala comercial, onde funciona a sede da empresa investigada”.
A corporação informou, por meio de nota, que são cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, São Paulo e Ribeirão Preto (SP). “A Justiça Federal deferiu, ainda, o sequestro de valores de 37 contas bancárias, bem como de automóveis e imóveis registrados em nome da empresária e da empresa proponente investigada, além da sala comercial adquirida com a utilização de parte dos recursos públicos desviados”, revelou a PF.
Em nota, a PF ainda detalha que a “Justiça Federal deferiu também a suspensão de repasses financeiros de qualquer natureza à investigada ou suas empresas, assim como a suspensão de outros sete projetos culturais em andamento junto ao Ministério da Cultura e sob a responsabilidade da empresária, cujos valores aprovados pelo MinC ultrapassam R$ 9 milhões de reais”. A Operação foi deflagrada pela 7ª Vara Federal Criminal de Cuiabá, capital do Mato Grosso.
Participam da operação 55 policiais federais e dois auditores da CGU. Segundo a PF, na mitologia grega, Apate era um espírito que personificava a fraude, o dolo e o engano.