ONGs devem movimentar US$ 443 bi com impacto de 4,27% no PIB

Estudo projeta crescimento de 6,6% das ONGs ao ano. No Brasil, elas já respondem por 4,27% do PIB e são essenciais para a inclusão social e economia

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Longe de ser apenas um espaço para o voluntariado, o terceiro setor se consolida como uma potência econômica global e um pilar estratégico para o desenvolvimento do Brasil. O mercado que engloba as ONGs (Organizações Não Governamentais) e entidades beneficentes deve atingir a marca de US$ 443,2 bilhões em movimentação até 2029.

A projeção, parte do relatório “NGOs and Charitable Organizations Market Report 2025” divulgado pela Research and Markets, revela um crescimento robusto e constante. A taxa de crescimento anual composta (CAGR) está estável em 6,6%, impulsionada principalmente pela expansão em mercados emergentes e pelo aumento de parcerias entre o setor privado e doações públicas.

O peso das ONGs na economia brasileira

No Brasil, os números acompanham a tendência global e impressionam pela sua dimensão. O país conta atualmente com cerca de 897 mil organizações da sociedade civil (OSCs) ativas, segundo o mais recente levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Este ecossistema não é apenas um agente de transformação social, mas um motor econômico relevante:

  • Participação no PIB: O setor já responde por 4,27% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
  • Geração de Emprego: Emprega diretamente aproximadamente 5,9 milhões de pessoas.
  • Impacto Financeiro: O impacto total na economia brasileira se aproxima de R$ 221 bilhões.

Embora o crescimento no número de novas entidades tenha sido modesto nos últimos anos (cerca de 2% em 2024), o setor se consolida pela relevância e, principalmente, pela profissionalização.

Da boa intenção à gestão profissional

ONGs
Divulgação Instituto Sow

O tempo em que o terceiro setor era visto como um espaço amador ou puramente assistencialista ficou para trás. A complexidade das demandas sociais e a necessidade de sustentabilidade financeira exigiram uma nova postura.

Hoje, o terceiro setor é profissional, estratégico e essencial para o desenvolvimento do país“, analisa Sheila Zanchet, fundadora do Instituto Sow, organização voltada ao impacto social e educacional que já atendeu mais de 60 mil pessoas desde 2017.

Para a especialista, a percepção da sociedade sobre o papel dessas organizações amadureceu. “A sociedade começou a entender que as ONGs movimentam a economia, geram empregos formais e transformam comunidades inteiras, indo muito além da filantropia básica“, destaca Zanchet.

A força da liderança feminina no setor

Um dos traços marcantes dessa profissionalização no Brasil é a forte presença feminina. Dados da plataforma Nossa Causa indicam que as mulheres compõem 65% dos profissionais do terceiro setor e já ocupam 46% dos cargos de liderança.

Essa característica é vista por especialistas como um diferencial estratégico. “As mulheres têm um olhar empático e, ao mesmo tempo, estruturador. Essa liderança humanizada é o que dá sentido e consistência às iniciativas de impacto“, observa Sheila Zanchet. “No Instituto Sow, por exemplo, mais da metade das voluntárias são mulheres, e isso reflete diretamente nos resultados.”

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Os desafios de 2025 para as ONGs

O cenário para 2025, embora projete uma movimentação global significativa de US$ 353,21 bilhões, traz alertas. O estudo internacional aponta o segundo semestre como o período potencialmente mais desafiador do ano, exigindo resiliência das organizações.

A sustentabilidade financeira das ONGs dependerá cada vez mais da diversificação de receitas. O fortalecimento de parcerias com o setor privado e o aumento das doações individuais serão fundamentais para manter a saúde operacional.

O apoio da comunidade continua sendo o principal pilar das OSCs. Patrocínios e doações são fundamentais para manter os projetos funcionando”, explica Zanchet. O desafio, segundo ela, está em garantir transparência e constância nesses apoios. “Hoje, nosso foco é transformar boas intenções em resultados práticos.

O fortalecimento das ONGs brasileiras, portanto, revela um ecossistema maduro, que vai além da solidariedade e se firma como um vetor indispensável de desenvolvimento humano e econômico no país.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 06/11/2025
  • Fonte: FERVER