Onça-pintada resgatada em Roraima enfrenta anemia após ser criada como cachorro
Animal recebe tratamento no CETAS e será reabilitada para o habitat natural
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 30/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Uma fêmea de onça-pintada, com aproximadamente quatro meses de idade, foi diagnosticada com anemia devido a uma alimentação inadequada. O animal está sob tratamento no Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), localizado em Boa Vista.
O filhote foi encontrado em uma chácara na zona rural do município de Caroebe, Roraima, onde estava sendo criado como um cachorro doméstico. O animal usava uma coleira e era alimentado com restos de comida humana, o que contribuiu para seu estado de saúde debilitado.
De acordo com James Rodrigues, analista ambiental e médico veterinário do CETAS, as condições de vida da onça eram precárias. “Ela apresentava problemas de saúde por conta da má alimentação e estava presa a uma corrente”, destacou. Além disso, a suspeita é de que sua mãe tenha sido morta, o que gerou uma investigação por parte da Polícia Civil sobre possível crime ambiental e maus-tratos.
A onça foi resgatada no dia 24 por policiais da Companhia Independente de Policiamento Ambiental (Cipa) após um morador da área denunciar a situação. Segundo informações, o homem havia encontrado o animal em uma área florestal e o levou para sua casa.
Após o resgate, a onça-pintada foi levada ao CETAS, onde passou por uma série de exames clínicos. Os resultados revelaram inflamações no ouvido, infecções fúngicas e ferimentos ao redor do pescoço. A equipe médica coletou sangue para hemograma e outros testes, que confirmaram a anemia severa e desidratação do animal.
O tratamento da onça é realizado por uma equipe composta por médicos veterinários que atuam voluntariamente no CETAS. O próximo passo na recuperação do filhote envolve a introdução alimentar, na qual ele aprenderá a se alimentar de presas vivas, como coelhos e codornas, essencial para sua reabilitação.
Após um período de recuperação que deve durar entre três a quatro meses, a onça receberá um colar telemétrico para monitoramento antes de ser reintegrada ao seu habitat natural. As áreas possíveis para soltura estão sendo avaliadas, com preferência pela região de Caroebe ou Rorainópolis.
A onça-pintada é um dos maiores felinos das Américas e desempenha um papel crucial na cadeia alimentar dos ecossistemas brasileiros. Em 2018, o Ministério do Meio Ambiente estabeleceu o dia 29 de novembro como o Dia da Onça-Pintada, em homenagem à importância desta espécie para a biodiversidade nacional.