Oficina discute relação da sociedade com mulheres em situação de rua

Participantes ressaltaram a importância das políticas públicas para melhoria de vida de pessoas em vulnerabilidade social; encontro foi realizado nesta sexta-feira (21), em Santo André

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Timidamente, eles foram chegando e ocupando lugares no Anfiteatro Heleni Guariba nesta sexta-feira (21). A atividade ocorreu em comemoração ao mês da mulher na cidade, mas o grupo reuniu homens e mulheres que têm nas ruas a sua moradia ou vivem provisoriamente nelas. A Secretaria de Inclusão e Assistência Social, em parceria com a Secretaria de Políticas para Mulheres, organizou a oficina Mulheres em Situação de Rua. O que você tem com isso? para participar um pouco da dura realidade vivenciada por esta população no município.

As secretárias de Inclusão e Assistência Social e de Políticas para Mulheres, Fátima Grana e Silmara Conchão, fizeram a abertura da programação desenvolvida pelo Centro de Referência Especializado para a População em Situação de Rua – Centro POP Casa Amarela. “A sociedade é muito desigual, dando oportunidades só para alguns, quando todos têm os mesmos direitos”, pontuou Silmara Conchão. “As políticas públicas existem também para defender as pessoas que foram excluídas do sistema; nosso diálogo é realizado também com essa função”, emendou.

Fátima Grana ressaltou a obrigação de a Administração acompanhar a pessoa em situação de rua e oferecer dignidade e resgate da autoestima. “A atividade de hoje promoveu uma escuta qualificada que colaborará, diretamente, para uma vida melhor de cidadãos andreenses e maior eficiência dos serviços disponibilizados.”

Rosemeire Ferreira da Silva, de 47 anos, participou da oficina. Desempregada e com a filha Maria Clara, de apenas dois meses, ela vive em um albergue. Sem documentação, ela recorre aos serviços da Administração para garantir sua sobrevivência. “A Casa Amarela me ajuda muito. Estou há dois anos na rua e, espero, em breve, sair desta situação”, contou. A auxiliar de limpeza não vê a hora de voltar a ter um registro em carteira como auxiliar geral de limpeza e alugar uma casa para morar com sua pequena. Atualmente, ela faz bicos entregando panfletos e trabalhando com as placas de divulgação de apartamentos à venda.

No evento, ainda houve homenagem a mulheres que passaram pela Casa Amarela e foram mortas e assassinadas.      

A CASA – A Casa Amarela é um equipamento da Prefeitura que oferece espaços para higiene pessoal, provisão de documentação e guarda de pertences. O local também disponibiliza atendimento psicossocial e orientações e, nos casos necessários, direciona para os serviços de alimentação e vagas de acolhimento em albergue. Está localizada na Avenida Queiroz dos Santos, 736, Centro, e faz atendimento social das 7h30 às 18h, de segunda a sexta-feira. Durante 24 horas, todos os dias, dois veículos da Casa Amarela fazem monitoramento dos pontos críticos da cidade, com maior aglomeração de pessoas em situação de rua. O rádio é 98172-3036.

Em janeiro deste ano, o equipamento atendeu 233 pessoas, das quais 26 mulheres. Em fevereiro, registraram-se 194 pessoas; 28 do sexo feminino. Do total de atendidos, passaram pelo centro, pela primeira vez, sete mulheres, em janeiro, e 10 mulheres, em fevereiro.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 21/03/2014
  • Fonte: FERVER