Odebrecht diz que repassou € 2 milhões de caixa dois a José Serra
O ex-presidente do grupo disse em delação premiada que repassou € 2 milhões de caixa dois a José Serra (PSDB) a partir de 2006, quando disputou e venceu a eleição para o governo de SP
- Publicado: 10/04/2017 13:46
- Alterado: 16/08/2023 00:47
- Autor: Redação
- Fonte: Folha de São Paulo
Os valores foram depositados entre 2006 e 2007 em contas indicadas pelo empresário José Amaro Pinto Ramos, na Suíça, segundo a delação de Pedro Novis.
Ramos afirmou à Folha de São Paulo, por meio de advogado que prestou consultoria para a Odebrecht referente a estudos de viabilidade econômica na Argélia, Turquia e Uruguai e recebeu o montante de € 1,2 milhão entre 2006 e 2007.
Em 2006, a campanha de Serra não registrou nenhuma doação da Odebrecht. Serra declarou à Justiça eleitoral que gastou R$ 25,9 milhões na eleição daquele ano.
A Folha revelou em agosto do ano passado que delatores da Odebrecht haviam dito a procuradores da Lava Jato que Serra recebera R$ 23 milhões pelo caixa 2 em contas secretas na Suíça em 2010, quando disputou a Presidência pelo PSDB e acabou derrotado .No caso dos R$ 23 milhões, Novis e outro funcionário da Odebrecht afirmaram à Lava Jato que os repasses foram feitos em contas de dois amigos de Serra: os empresários Ronaldo Cezar Coelho, fundador do PSDB e hoje no PSD, e Márcio Fortes, que já foi tesoureiro nacional do PSDB.
A Justiça eleitoral registra R$ 2,4 milhões doados pela empreiteira ao candidato.
Novis presidiu o grupo Odebrecht entre 2002 e 2009, quando foi substituído no cargo por Marcelo Odebrecht. Amigo de Serra há mais de 20 anos, Novis se referia ao tucano em planilhas internas como “vizinho” (como de fato foram) ou “careca”, segundo disse em sua delação. Ele tinha autonomia para repassar recursos ao tucano.
O senador José Serra (PSDB) afirmou por meio de nota que “não cometeu nenhuma irregularidade e que suas campanhas foram conduzidas pelo partido, na forma da lei”. Serra diz que “enquanto não forem abertos os sigilos dos depoimentos dos delatores investigados, é impossível apresentar qualquer comentário ou defesa, pois não se pode confirmar sequer o conteúdo das informações”. Sobre o repasse de R$ 23 milhões em 2010, Serra disse que a campanha foi conduzida dentro da legalidade, mas afirmou que o partido era o responsável pelas finanças. O empresário José Amaro Pinto Ramos afirma que recebeu € 1,2 milhão da Odebrecht entre 2006 e 2007, mas nega ter feito repasses a Serra. De acordo com o advogado Thiago Nicolai, que defende Pinto Ramos, o empresário tem contratos de todos os estudos de viabilidade que produziu e os pagamentos foram declarados às autoridades dos países em que ele atuou. O advogado afirma que o Ministério Público da Suíça analisou todas as movimentações bancárias feitas por Pinto Ramos naquele país e concluiu que não houve repasse de suborno. Como não havia provas de ilegalidades, as autoridades suíças arquivaram as investigações, o que equivale a ser absolvido, ainda de acordo com Nicolai.