Ocupação para negros e não negros sobe no 2º Tri em SP
Ocupação entre negros cresce 2%, com mulheres liderando (+4%), mas disparidade salarial chega a 61% frente a não negros, diz Seade.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 14/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O crescimento na ocupação de trabalhadores negros marcou o balanço positivo do mercado de trabalho no Estado de São Paulo no segundo trimestre de 2025. Os dados recentes da Fundação Seade indicam que, apesar de persistentes e históricas disparidades, houve um notável aumento na inserção ocupacional para este segmento da sociedade, sinalizando um caminho de recuperação e avanço.
O contingente estimado de trabalhadores negros ocupados no estado alcançou a marca de 10,5 milhões no período analisado. Este número representa um crescimento de 2% quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior (2º trimestre de 2024). A maior força deste avanço veio das mulheres, com a ocupação entre mulheres negras crescendo expressivos 4% no mesmo comparativo, enquanto o crescimento para os homens negros foi de 1%. Em contraste, a população não negra viu um aumento de 2%, tanto para homens quanto para mulheres, somando 13,8 milhões de ocupados.
A vulnerabilidade persiste: taxa de desocupação de negros e rendimentos
Apesar do crescimento numérico na ocupação, a desigualdade estrutural do mercado de trabalho paulista continua a se manifestar em métricas cruciais, especialmente ao considerar a população negra em idade ativa, que corresponde a 16,2 milhões de pessoas (frente a 22,1 milhões de não negros).
A taxa de desocupação é um indicador direto dessa disparidade. Os trabalhadores negros representavam 43% dos ocupados e alarmantes 49% dos desocupados no estado. Consequentemente, a taxa de desocupação para esta população foi de 5,8%, ou seja, 1,2 ponto percentual maior do que a registrada para a população não negra (4,6%).
Disparidade salarial recorde para Mulheres Negras
A inserção ocupacional dos trabalhadores negros frequentemente se dá em posições de maior vulnerabilidade, uma condição que se traduz em rendimentos significativamente inferiores. A análise do 2º trimestre de 2025 aponta que, em média, a população negra recebe rendimentos 61% menores do que os auferidos por não negros.
O contraste mais marcante, no entanto, recai sobre as mulheres. Para as mulheres negras, a diferença de rendimento é ainda mais severa: elas obtiveram rendimentos 47% inferiores aos dos homens não negros no mesmo período. Tais números reforçam a necessidade de políticas públicas e corporativas focadas em equidade salarial e oportunidades.
Balanço positivo em Meio às Crises
É fundamental destacar que, apesar dos desafios persistentes em termos de rendimento e desocupação, os resultados gerais do 2º trimestre de 2025 são amplamente positivos quando comparados tanto ao ano anterior quanto a 2019, o ano imediatamente anterior ao início da crise sanitária global causada pela pandemia de Covid-19. A resiliência e o crescimento da ocupação entre a população negra são vetores importantes para a recuperação econômica contínua de São Paulo.
O aumento da participação no mercado, mesmo com a inserção em setores mais vulneráveis, sugere uma retomada gradual. Contudo, o caminho para a equidade e para a superação da disparidade histórica de rendimentos e de oportunidades para a população negra ainda exige atenção prioritária por parte do poder público e da iniciativa privada.