Oceanos 2025 bate recorde de livros inscritos e amplia alcance internacional

Com mais de 3 mil obras inscritas, prêmio destaca produção de países lusófonos e reforça necessidade de maior intercâmbio literário entre as nações de língua portuguesa

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O Oceanos – Prêmio de Literatura em Língua Portuguesa 2025, que contempla a produção literária recente de todos os países de expressão no idioma, vem desde 2007 medindo seu impacto cultural pela curva crescente de inscrições e editoras. Se, em 2024, o prêmio contou com 2.619 livros inscritos de 384 editoras, 2025 apresenta novos recordes: 3.142 livros inscritos, de 488 editoras.

Os livros de 2025 foram escritos por autores de 18 diferentes nacionalidades, sendo 7 dos 9 países de língua portuguesa da CPLP: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. Também se inscreveram autores da Argentina, Espanha, Federação Russa, França, Haiti, Hungria, Itália, Japão, Países Baixos, Suíça e Venezuela.

As 488 editoras são de 11 países, sendo cinco de língua portuguesa. Ao todo, são eles: Alemanha, Angola, Brasil, Cabo Verde, Chile, Espanha, EUA, Itália, Moçambique, Portugal e Reino Unido. Os números superlativos deste ano comprovam mais uma vez o prestígio do prêmio no mercado livreiro e editorial.

Números da edição 2025
3.142 livros inscritos ao prêmio
488 editoras de 11 países diferentes
280 autores independentes com publicações submetidas
18 nacionalidades representadas entre os autores
7 países de língua portuguesa com obras inscritas
• Jurados de 6 países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe
• Curadores de 4 países lusófonos: Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal

Divididos em duas categorias – poesia e prosa (romance, conto, crônica e dramaturgia) –, os livros são avaliados por júris específicos de seis países de língua portuguesa. A divisão permite uma análise mais qualificada, respeitando a natureza dos gêneros literários.

A categoria de prosa conta com 1.652 obras, sendo 919 romances, 482 livros de contos, 202 livros de crônicas e 49 dramaturgias. Já a poesia soma 1.490 livros inscritos.

Participação africana cresce no prêmio

O Brasil é o país com a maior população afrodescendente da América Latina, enquanto os brasileiros formam a maior comunidade estrangeira em Portugal. Apesar disso, o intercâmbio literário entre os países de língua oficial portuguesa (PALOP) ainda é limitado, especialmente no que se refere à circulação de obras em diferentes territórios lusófonos.

A edição de 2025 do Oceanos marca um recorde de participação de autores e editoras do continente africano de língua portuguesa, com inscrições de 93 escritores/poetas: 47 de Moçambique, 36 de Angola, 6 de Cabo Verde, 3 de São Tomé e Príncipe e 1 da Guiné-Bissau. Participam também 23 editoras africanas, sendo 12 de Moçambique, 10 de Angola e 1 de Cabo Verde (em 2024, foram 43 escritores africanos no total).

Ainda assim, a circulação de obras em mais de um país de língua portuguesa segue restrita. Entre os poucos exemplos estão:

  • As coisas do morto, do moçambicano Francisco Guita Jr., publicado em Angola pela Kacimbo e em Moçambique pela Gala-Gala
  • Mestre dos batuques, do moçambicano José Eduardo Agualusa, publicado no Brasil pela Planeta e em Portugal pela Quetzal
  • Os herdeiros de Jurema, da brasileira Eva Potiguara, publicado no Brasil pela Jandaíra e em Portugal pela Exclamação
  • Roteiros provinciais, do moçambicano João Paulo Borges Coelho, publicado no Brasil pela Kapulana e em Portugal pela LeYa

O Oceanos vem buscando ampliar esse intercâmbio e espera contar com a adesão das editoras lusófonas para aumentar a circulação de livros entre os países falantes do idioma.

A lista completa de livros concorrentes está disponível no site do prêmio: https://associacaooceanos.org.

Já a catalogação completa, com dados sobre autores, editoras, jurados e obras inscritas desde 2015, pode ser acessada em https://catalogacao.associacaooceanos.org. A plataforma é fruto de uma parceria com a Base dos Dados, organização especialista em tratamento de dados públicos, e oferece um panorama abrangente da produção literária recente em língua portuguesa.

Etapas do Prêmio

Na primeira etapa, entre abril e agosto, os livros são avaliados por dois júris internacionais compostos por escritores, poetas, professores e críticos literários dos países participantes. Ao final, são escolhidas as obras semifinalistas.

Na segunda etapa, entre agosto e outubro, novos júris eleitos avaliam as obras semifinalistas e selecionam os finalistas. Em novembro, dois júris finais, também eleitos pelos anteriores, escolhem os vencedores, um de poesia e outro de prosa.

O prêmio tem patrocínio do Itaú, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, além do apoio do Ministério da Cultura de Portugal, do Itaú Cultural e dos Ministérios da Cultura de Moçambique e Cabo Verde.

A premiação total é de R$ 300 mil, dividida igualmente entre os vencedores de cada categoria.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 16/04/2025
  • Fonte: FERVER