Obrigatoriedade autoescola vai acabar, diz ministro

Proposta do governo cria instrutor autônomo e visa reduzir custo da CNH, sem extinguir os CFCs.

Crédito: Diego Campos / Secom / PR

O ministro dos Transportes, Renan Filho, detalhou nesta quarta-feira (29) a proposta do Governo do Brasil para modernizar a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A medida central, atualmente em Consulta Pública, é o fim da obrigatoriedade autoescola na contratação de um pacote mínimo fechado de 20 horas de aulas práticas.

Segundo o ministro, a mudança trará competição ao setor ao criar a figura do instrutor autônomo, o que deve reduzir o preço final pago pelo cidadão.

Em entrevista ao “Bom Dia, Ministro”, Renan Filho fez questão de enfatizar que a proposta não visa encerrar as atividades dos Centros de Formação de Condutores (CFCs).

A autoescola, deixa eu deixar bem claro, não vai acabar. Vai continuar. O que vai acabar é a obrigatoriedade de contratar aula prática pela autoescola”, esclareceu o ministro.

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O novo modelo com instrutor autônomo

A proposta quebra a exclusividade dos CFCs. Com o fim da obrigatoriedade autoescola como única via, o candidato à CNH ganha poder de escolha.

O cidadão vai poder escolher, porque ele vai ter um instrutor autônomo que vai poder dar aula no carro do instrutor, no carro da pessoa, como é no mundo todo hoje, ou no carro de uma autoescola”, relatou Renan.

Para o governo, a medida valoriza o profissional de instrução, que poderá atuar de forma independente ou vinculado a um CFC. Para se tornar um instrutor autônomo, o profissional precisará:

  1. Cumprir os requisitos básicos e fazer o curso de formação.
  2. Obter a Carteira de Identificação Profissional (gratuita, via Senatran).
  3. Ser autorizado pelo Detran para exercer a atividade.

Após o registro no Ministério dos Transportes, os cidadãos poderão verificar a aptidão do profissional nos sites dos órgãos oficiais, garantindo segurança na contratação.

Obrigatoriedade autoescola vai acabar, diz ministro
Divulgação/Secom

Mudança pode ser rápida

O ministro explicou que a alteração para flexibilizar o acesso à CNH não depende de uma nova lei no Congresso Nacional. A implementação pode ser ágil, pois altera apenas uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Não é a lei que obriga o cidadão a seguir esse caminho, esse fluxo. É uma resolução do Contran. E o que a gente está alterando com essa consulta pública é a resolução”, afirmou. A expectativa é que a deliberação do Contran possa ocorrer ainda em novembro.

Atualmente, a Resolução nº 789/2020 impõe regras consideradas burocráticas e que encarecem o processo, como a exigência de metragem mínima específica por aluno nas salas (1,2 m²) e até regras sobre a identidade visual da fachada das unidades.

Impacto da burocracia no mercado

A proposta também flexibiliza essas obrigações, o que deve reduzir os custos operacionais dos próprios empresários donos de autoescolas.

Renan Filho alertou que a burocracia e o alto custo do sistema atual, incluindo a rígida obrigatoriedade autoescola, geram distorções graves no mercado de trabalho. Um dos setores mais afetados é o de transporte de cargas.

Um brasileiro hoje, para tirar a primeira carteira, tira aos 25 anos de idade, quando é homem, se for mulher, aos 27. Com isso, tem dificuldade de tirar carteiras profissionais, por isso o Brasil está perdendo caminhoneiros“, registrou.

A medida visa beneficiar diretamente os cerca de 20 milhões de brasileiros que hoje encontram dificuldades para acessar a CNH, além de modernizar o setor para os atuais CFCs. O fim da obrigatoriedade autoescola para aulas práticas é, portanto, visto como um passo essencial para baratear e desburocratizar a formação de novos condutores no país, sem diminuir a obrigatoriedade da formação teórica e da realização dos exames.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 29/10/2025
  • Fonte: Fever