Obesidade atinge mais de 60% da população brasileira
Dados da Vigitel 2025 apontam salto alarmante em doenças crônicas e trazem análise inédita sobre a relação entre insônia e saúde nas capitais.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 28/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O avanço da obesidade no Brasil atingiu um novo patamar de alerta nas capitais do país. Segundo a pesquisa Vigitel, divulgada na última quarta-feira (28) pelo Ministério da Saúde, mais de 60% da população adulta está acima do peso. O levantamento, que funciona como um raio-X dos hábitos de vida nacionais, revela que 25% dos brasileiros já enfrentam a obesidade, configurando um desafio complexo para o sistema público de saúde.
Desde 2006, o inquérito telefônico monitora fatores de risco e proteção para doenças crônicas. A análise atual abrange indicadores vitais, incluindo:
- Obesidade e sobrepeso;
- Diagnóstico de diabetes e hipertensão;
- Frequência de atividade física;
- Consumo de alimentos in natura versus processados;
- Qualidade do sono (dado inédito).
A série histórica expõe uma tendência preocupante. A prevalência do excesso de peso saltou de 42,6% em 2006 para 62,6% em 2024. No mesmo intervalo, os índices de obesidade mais que dobraram, subindo de 11,8% para 25,7%.
Cenário da obesidade no Brasil e doenças crônicas
O crescimento da obesidade no Brasil caminha lado a lado com o aumento de outras enfermidades metabólicas. O diagnóstico médico de diabetes entre adultos, por exemplo, disparou para 12,9% em 2024 — um número significativamente maior que os 5,5% registrados no início do monitoramento.
Letícia Cardoso, diretora do Departamento de Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, pondera sobre esses resultados. Para a especialista, embora o aumento possa refletir uma maior capacidade de diagnóstico do sistema de saúde, ele evidencia a necessidade crítica de fortalecer ações preventivas contra a obesidade no Brasil e suas comorbidades.
A hipertensão arterial segue um fluxo semelhante, embora menos abrupto. A prevalência desta condição subiu de 22,6% em 2005 para 29,7% no levantamento mais recente.
Atividade física e nutrição
Apesar dos indicadores negativos sobre o peso, o brasileiro tem buscado se movimentar mais. O enfrentamento à obesidade no Brasil ganha um aliado importante na mudança de comportamento: a prática de atividades físicas no tempo livre aumentou.
Em 2024, 42,3% dos entrevistados afirmaram praticar pelo menos 150 minutos de exercícios moderados por semana. Em 2006, esse índice era de apenas 30%.
A alimentação também apresenta sinais de estabilidade e melhora pontual:
- Hortifrúti: O consumo regular de frutas e hortaliças manteve-se estável, oscilando levemente para 31,4%.
- Refrigerantes: A ingestão regular de bebidas açucaradas caiu drasticamente de 30,9% (2007) para 16,2% (2024).
Contudo, as autoridades mantêm a cautela. Letícia Cardoso alerta para um ligeiro repique no consumo de refrigerantes nos últimos dois anos, o que exige vigilância contínua para não reverter os ganhos no combate à obesidade no Brasil. O Guia Alimentar para a População Brasileira permanece como a principal bússola, incentivando o consumo de alimentos minimamente processados.
Inédito: O impacto do sono na saúde
Pela primeira vez, o Vigitel investigou como os brasileiros dormem, fator que influencia diretamente as taxas de obesidade no Brasil. Os dados mostram que 20,2% dos adultos nas capitais dormem menos de seis horas por noite.
Ainda mais alarmante é a incidência de sintomas de insônia, relatada por 31,7% da população. O problema afeta desproporcionalmente as mulheres (36,2%) em comparação aos homens (26,2%).
“Um sono adequado e saudável é essencial para o funcionamento do corpo e contribui significativamente para a saúde metabólica e controle do peso”, conclui Letícia.
O descanso insuficiente desregula hormônios fundamentais para a saciedade, tornando o controle da obesidade no Brasil uma tarefa que vai além da dieta e do exercício, exigindo uma abordagem integrada de saúde e bem-estar.