Obama fala com Dilma sobre acordo do clima

Segundo nota divulgada pela Casa Branca, os dois governantes concordaram em permanecer em contato durante o andamento das negociações da COP 21

Crédito: Roberto Stuckert Filho/PR

Os presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama conversaram na segunda-feira, 7, por telefone sobre a 21ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-21), realizada em Paris

Eles se comprometeram a trabalhar juntos por um acordo “ambicioso” sobre mudança climática até a conclusão do encontro, na sexta-feira, 11.

“Ambos os líderes enfatizaram seu compromisso pessoal de alcançar um acordo sobre mudança climática ambicioso e seu interesse em trabalhar juntos para o êxito (do encontro)”, disse a nota da Casa Branca.

O combate à mudança climática é uma das prioridades de Obama, que pretende deixar um legado nessa área quando sair do governo, em janeiro de 2017. Mas o presidente enfrenta a oposição doméstica do Partido Republicano, que promete rejeitar qualquer tratado que seja apresentado ao Congresso com metas de redução de emissões que provocam o efeito estufa.

Por isso, Obama defende que o acordo a ser alcançado em Paris não tenha caráter legalmente vinculante em relação aos compromissos de corte de emissões dos países.

Para os americanos, apenas o mecanismo de verificação das promessas realizadas pelos governos deve ter caráter obrigatório. Nesse formato, o acordo não teria a natureza de um tratado internacional e poderia entrar em vigor sem a chancela do Congresso americano.

Voluntárias

Negociadores de países desenvolvidos e em desenvolvimento concordaram ontem, em Paris, que nações emergentes farão “contribuições voluntárias” para ações de financiamento à adaptação às mudanças climáticas. O tema, uma das bandeiras da Cúpula do Clima, era até aqui um dos grandes pontos de controvérsia do rascunho do acordo que foi apresentado no sábado.

Pela Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC), os países desenvolvidos e em desenvolvimento têm “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, em razão do histórico de emissões de gases de efeito estufa na atmosfera – muito maior no caso de países ricos. Obter dos emergentes, como China ou Brasil, um sinal de boa vontade em relação às ações de financiamento era um dos pontos-chave da diplomacia americana em Paris.

Na segunda-feira, o embaixador do Brasil em Washington, Luiz Alberto Figueiredo, disse que o ponto de entendimento sobre o tema está próximo. (Colaboraram Andrei Netto, correspondente em Paris, e Giovana Girardi, enviada especial)

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 16/08/2023
  • Fonte: Farol Santander São Paulo