OAB São Bernardo e Adote um Cidadão debatem inclusão e empregabilidade PcD
Roda de conversa cobrou ação efetiva do poder público e empresas para ampliar oportunidades no ABC
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 29/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Na última sexta-feira, 24 de outubro, a sede da OAB São Bernardo do Campo foi palco de uma roda de conversa marcante sobre a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho. O evento foi promovido pela Comissão de Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/SBC, sob a coordenação da presidente Dra. Telma Cristina de Melo, com apoio social do projeto Adote um Cidadão, idealizado por Antonio Carlos Veiga — uma parceria que se destaca pela atuação prática e colaborativa na luta por acessibilidade e oportunidades reais de inclusão profissional.
O encontro reuniu profissionais, instituições, gestores públicos e representantes da sociedade civil comprometidos com a pauta da inclusão. O debate foi direto, produtivo e provocador: um verdadeiro chamado à ação para transformar boas intenções em políticas e práticas concretas.
Durante o evento, diversos profissionais com deficiência relataram suas dificuldades em encontrar vagas de qualidade e oportunidades reais de crescimento. Apesar de leis como a Lei de Cotas, a realidade ainda é dura: muitos são contratados apenas para que empresas cumpram a obrigatoriedade legal, sem perspectivas de desenvolvimento, valorização ou ascensão profissional.
“A inclusão não acontece sozinha — ela depende de diálogo, ação e comprometimento coletivo. A OAB São Bernardo está empenhada em mudar essa relação que há décadas é falha, aproximando empresas, poder público e sociedade civil para construir um novo cenário de oportunidades reais para as pessoas com deficiência”, destacou a Dra. Telma Cristina de Melo, presidente da Comissão da Pessoa com Deficiência da OAB/SBC.
Leia também:
Quando a lei encontra a consciência: o papel social da OAB
Desafios estruturais e causas do problema
A roda de conversa evidenciou as principais barreiras que ainda limitam a inclusão profissional das pessoas com deficiência (PCDs) no Brasil:
• Capacitismo: o preconceito e a subestimação das capacidades das PCDs seguem sendo entraves invisíveis. Mesmo com formação superior, enfrentam mais obstáculos que pessoas sem deficiência.
• Falta de acessibilidade e estrutura: a ausência de adaptações físicas, digitais e de transporte adequadas ainda dificulta a permanência dessas pessoas no ambiente de trabalho.
• Vagas limitadas e estereotipadas: muitas empresas oferecem apenas cargos operacionais, sem considerar perfil, formação e experiência.
• Remuneração desigual: pessoas com deficiência chegam a receber até 31% menos que colegas em funções equivalentes.
• Risco de perder benefícios: o medo de perder o BPC (Benefício de Prestação Continuada) impede muitos de ingressarem no mercado formal.
• Baixa fiscalização da Lei de Cotas: apesar da legislação, muitas empresas não cumprem as exigências, e a fiscalização ainda é insuficiente.
Esses pontos reforçam a urgência de uma mudança cultural e institucional: inclusão não é caridade — é direito.
Presenças e ausências

Entre os participantes estiveram representantes do CTR – Centro de Trabalho e Renda de SBC, ASIITE – Associação Santo Inácio para Integração do Trabalhador Especial, Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, INSS – Instituto Nacional do Seguro Social, e da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Bernardo, além de membros da Comissão da OAB e do projeto Adote um Cidadão.
Apesar da relevância do tema e do convite formal, o Ministério do Trabalho e Emprego de SBC e o Ministério Público do Trabalho de SBC não compareceram nem enviaram representantes. A ausência reforça a necessidade de maior engajamento do poder público nas discussões sobre empregabilidade e direitos das pessoas com deficiência.
Um encontro de impacto

Com um formato aberto e participativo, a roda de conversa promoveu reflexões profundas sobre acessibilidade, oportunidades e o papel das empresas e instituições públicas. Mais do que um evento, foi um movimento transformador, que plantou sementes para um futuro mais inclusivo, participativo e equitativo.
“Há 26 anos vejo o mesmo quadro na relação entre as pessoas com deficiência e as empresas: promessas, discursos e pouca ação concreta. O Estado segue ausente, agindo apenas como um mediador indiferente, quando deveria ser o primeiro a garantir o cumprimento da lei e o respeito à dignidade humana”, afirmou Antonio Carlos Veiga, idealizador do Adote um Cidadão, que há mais de duas décadas atua voluntariamente na inclusão de milhares de pessoas com deficiência em todo o país.