O xadrez político de Ribeirão Pires começa a ser montado
Disputas e alianças já movimentam o cenário eleitoral, com grupos testando nomes e estratégias para se manter no poder
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 26/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
Em Ribeirão Pires, é cedo demais para analisar as eleições municipais de 2028. Porém, os balões de ensaio começam a ser rascunhados e testados nas pré-campanhas para a Assembleia e a Câmara Legislativas.
O grupo político governista tem pela frente uma estrada com final já definido, visto que o atual prefeito, Guto Volpi, não tem a possibilidade de reeleição e, por força de lei, nenhum integrante da família Volpi poderá se candidatar ao cargo do Executivo na cidade
Diante desse cenário, o grupo político por trás dos principais atores, ainda que de forma precoce, naturalmente inicia os cálculos para manter a hegemonia do poder em Ribeirão Pires. Essa força já esteve em risco na última eleição, quando o principal adversário, Gabriel Roncon, promoveu uma disputa acirrada contra o candidato da máquina.
A disputa mostrou a decadência da força política do grupo liderado por Clóvis Volpi, pai do atual prefeito. Guto Volpi enfrentou dificuldades de popularidade, inclusive junto aos servidores públicos.
Nomes, ausências e estratégias
Passados quase dez meses do segundo mandato, Ribeirão Pires vive um cenário inédito: a ausência de figuras políticas com envergadura eleitoral para a próxima disputa municipal. A morte de Luiz Carlos Grecco e Felipe Magalhães, a saída de Saulo Benevides do protagonismo político para os bastidores, a possível candidatura de Kiko Teixeira em Diadema e de Clóvis Volpi em Mauá, o afastamento de Amigão D’Orto, voltado aos negócios da família, e o sepultamento de nomes tidos como prefeituráveis — mas que nas urnas não conseguiram sequer uma cadeira na Câmara Municipal, como Lair da Apraespi e Rosi de Marco (que fez um bom trabalho à frente da Secretaria de Educação) — deixam a Ribeirão Pires sem alternativas de peso.

Nesse contexto, Ribeirão Pires pode enfrentar situação semelhante à vivida pela vizinha Rio Grande da Serra, que, em meio a um imbróglio político, teve praticamente apenas um candidato de expressão, herdeiro dos espólios de adversários impedidos de concorrer. O resultado foi uma vitória fácil, cenário que pode se repetir em Ribeirão Pires diante da candidatura de Gabriel Roncon.
Os primeiros movimentos no tabuleiro político de Ribeirão Pires
O grupo governista já deu início ao primeiro balão de ensaio. Nos bastidores, começa a ventilar o nome de um possível candidato em 2028: Davi dos Caminhões, parceiro comercial e fornecedor da prefeitura de Ribeirão Pires, além de amigo próximo de Clóvis Volpi. Esse balão de ensaio, no entanto, pode ser apenas uma estratégia para enfraquecer Roncon, já que Davi tem atraído, um a um, antigos aliados do adversário.
O recente racha entre Guto e seu vice-prefeito, Rubão, divulgado pela mídia local como uma divergência em torno do apoio político na eleição de deputado do próximo ano — quando Guto optou por apoiar o pai, Clóvis Volpi — também entra no xadrez político. Para enfraquecer o vice, Guto exonerou todos os cargos indicados por Rubão, medida que pode fazer parte de uma estratégia planejada.
O grupo de Volpi precisa urgentemente de um nome para lançar em 2028. Sem um candidato de peso, seria conveniente a Rubão aproveitar as eleições para deputado e trabalhar fortemente seu nome na cidade, enquanto Davi dos Caminhões busca lideranças políticas deixadas de lado por Gabriel Roncon, esvaziando seu adversário.
Esse balão de ensaio ganharia relevância caso se confirmasse: uniria os votos de Rubão ao capital financeiro de Davi em uma chapa prefeito e vice, dentro de um cenário fabricado desde já, com uma suposta briga e rompimento entre Rubão e Guto. Assim, Rubão se apresentaria como um legítimo candidato de oposição, mas forjado dentro do próprio grupo, podendo até atrair figuras que já haviam deixado a política, dependendo do ambiente daqui a três anos.
Um grande jogo de xadrez começa a ser jogado sem pressa — porque, na política, quem tem pressa não chega a lugar algum.
Márcio Prado

Márcio Prado, mais conhecido como Peninha, carrega há anos o apelido inspirado no personagem dos gibis da Disney. Jornalista com mais de uma década de atuação, ele encontrou no jornalismo investigativo sua vocação, movido pela indignação diante de apurações superficiais e pela determinação em expor esquemas de corrupção, desvios de recursos e práticas ilícitas no poder público e na iniciativa privada. Seu trabalho vai além da publicação direta: muitas vezes contribui de forma anônima com órgãos de investigação, fortalecendo a cidadania e reafirmando o papel da imprensa como fiscal da sociedade.