Nos Bastidores da Penumbra: terror político em Brasília

Enquanto o STF encena sob holofotes, o Centrão costura anistia no porão, onde silêncio fede mais que incêndio anunciado

Crédito: Ilustração gerada por IA via ChatGPT (OpenAI)

Para quem passou a semana grudado no sofá, no radinho, na televisão, no celular ou debaixo das cobertas, tentando acompanhar os últimos capítulos dos julgamento da política nacional: parabéns aos corajosos. Vocês desbloquearam mais uma fase nesse survival horror chamado Brasília.

Aqui, cemitérios têm pôster, crises têm trilha sonora e escândalos ganham versão “remasterizada” antes mesmo do enterro da anterior que vira “edição de colecionador” e a cada capítulo novo, você percebe que na verdade está assistindo sempre ao mesmo filme — só mudam as legendas. Nesse banquete do inferno, o cardápio é recheado de promessa velha que volta com maquiagem glam e escândalo antigo reaparece embalado como novidade. Brasília não respira — e quem tenta acompanhar, tropeça em morto-vivo se revirando na tumba.

Se você piscou achando que era Jesus chamando, pode relaxar: não era morte com arrebatamento… era só Brasília atualizando a pauta de um filme que te prende na sala e nunca apaga as luzes. O próximo ato já está pronto, com luzes baixas, clima carregado e a câmera tremendo na mão do diretor. A cidade centro do país, só se enterra com escândalo de música triste, e mesmo assim, vende ingresso pra velório antes do café esfriar e já logo anuncia o remake do mesmo drama com figurino novo, tal qual Vale Tudo.

E como se tudo isso fosse pouco, aqui você confere como foi a Semana Aterrorizante da Política Nacional. E você achando que ia descansar… assistir à política nacional virou maratona de terror B com pretensão de blockbuster: trocam os figurinos, refazem o cartaz, remixam a trilha, mas o roteiro… esse você já decorou. E mesmo assim, ninguém desliga. É vício coletivo: toda semana promete o “último capítulo”, entrega plot twist improvisado e termina com gancho armado pra próxima tragédia. A gente jura que não cai de novo — mas já tá com a pipoca na mão e o dedo no “play”.

Não tem herói, só sobreviventes. A pergunta que ecoa nos corredores é sempre a mesma: “quem matou a semana?Spoiler: ninguém sabe, todo mundo suspeita, e a reprise já tá no ar e eu acho que no final, eles já estavam todos mortos. Será?

Créditos Iniciais

O Supremo Tribunal Federal brilha sob luzes teatrais, mas não se engane com o glamour: o clima é de VHS antigo rodando numa sala escura. As togas, alinhadas como figurinos de gala, refletem o peso do espetáculo, mas carregam também a sensação de algo está fora do lugar — é meio como um daqueles filmes em que o público já sabe que algo terrível vai acontecer, só não sabe quando.

Discursos medidos, gestos coreografados e pausas ensaiadas para caberem no corte perfeito das transmissões ao vivo. A câmera passeia devagar pelo plenário, como quem explora uma casa onde todas as portas rangem. O país assiste como quem acompanha uma final de campeonato, mas com a respiração suspensa: olhos colados, hashtags engatilhadas e indignações embaladas em memes.

Pra quem acompanhou por aqui a primeira parte da cobertura quase cinematográfica do julgamento, a sensação foi de maratona com câmera lenta, replay e close dramático — e, se algo faltou, tenha certeza: foi só o estoque de petiscos, sumariamente esgotado na disputa entre os dedos, os olhos atentos e os farelos caídos no sofá.

E mesmo após o segundo dia do julgamento, nós percebemos: esse não é o roteiro real. Não inteiro. Brasília finge olhar para o holofote, mas escreve outro texto na sombra. Enquanto o plenário encena a defesa da democracia, portas entreabertas nos corredores escondem o que realmente move o enredo: conversas abafadas, cafés frios e olhares atravessados.

O julgamento é espetáculo. Mas o destino — como todo bom filme de terror dos anos 80 — se decide fora da cena principal, num canto escuro, entre sussurros e ruídos abafados. E é por essa porta entreaberta que a câmera de nossas tramas adentra: sem pedir licença, com um zoom lento e trilha grave, como quem sabe que o pior… ainda está por vir.

Julgamento do Bolsonaro - STF - Brasília
Ilustração gerada por IA via ChatGPT (OpenAI)

O Sussurro que Ascendeu das Sombras

Uma frase atravessou corredores como fumaça e mudou o roteiro da capital

Num evento discreto, Barroso deixou escapar a frase que virou gatilho:

“Anistia antes do julgamento, impossível. Mas, depois dele, é questão política.”

Para quem estava no auditório, soou como comentário lateral. Para Brasília, foi senha — e, para alguns, quase um código secreto. A frase atravessou o prédio como fumaça espessa num corredor mal iluminado, daqueles onde a luz pisca antes de apagar. Entrava por uma porta, saía por outra, grudava nas paredes como se o próprio ar carregasse recados. Chegava em gabinetes e reuniões privadas como um bilhete dobrado no bolso de alguém que evita ser visto.

O efeito foi imediato: discursos afinados, articulações silenciosas, votos sendo medidos como moedas raras. Parecia que todos agiam por instinto, como se alguém tivesse ensaiado os movimentos — mas ninguém tinha.

Enquanto o país se fixava no Supremo, o Congresso trocava de frequência. Os holofotes serviam para um palco: o projeto de anistia. Contudo, para outros, na trilha sonora desse filme, a música baixava. Lá fora, gritos abafavam os o que se passava na verdade, eram passos pesados afundando no carpete grosso. Um telefone tocava em algum gabinete — três vezes, sempre três, como nos thrillers antigos — e parava antes que alguém atendesse.

O barulho do julgamento cobria tudo — hipnotizava. Distraia. E quando a plateia voltava os olhos para o palco, era porque o contrarregras já estavam nos bastidores, mexendo no cenário.

Neste enredo, tudo começa no exato ponto em que as mãos que não são vistas, meio como um truque de mágico, aparecem só depois e só assim passam a importar mais que os rostos conhecidos.

E, como nos filmes de terror dos anos 80, o susto nunca está na cena iluminada — ele está sempre na espreita, a espera no fundo das escadas. E é por ali que o filme desce, direto para o porão.

O Porão do Centrão

Onde os acordos são costurados em silêncio e cada passo ecoa como aviso

Nos porões do Centrão, a engrenagem girava sem ruído, mas o ar era denso, pesado, como poeira acumulada numa fita VHS esquecida no fundo de um armário. Os corredores estreitos e tapetes gastos abafavam os passos, e as portas semiabertas deixavam escapar fragmentos de frases, como se a cidade inteira sussurrasse a mesma senha. Nada ali era dito em voz alta — tudo parecia programado para existir só no subtexto.

Davi Alcolumbre tentava posar de estadista, defendendo uma anistia parcial — uma narrativa palatável para os “enganados” que invadiram prédios, mas não financiaram o golpe. A fala saía mansa, mas a mão no braço do aliado tremia, como quem tenta conter o próprio nervosismo.

Em outras salas, líderes da Câmara rabiscavam planilhas como quem monta mapas de guerra. Linhas, setas, nomes, códigos: a coreografia dos bastidores. Era uma operação silenciosa, de asteriscos ao lado de sobrenomes que podiam custar um voto, cada telefonema na hora errada, derrubaria uma estratégia inteira. Cada ligação tinha uma segunda camada. Cada aceno, um subtexto. Estas são as tais, “articulações”.

O Supremo fazia barulho, no Congresso havia silêncio por entre as sombras. Deste modo, “pauzinhos” eram mexidos para garantir um favorito e assim, pagavam o preço com articulações em detalhes para garantir seus objetivos.

E, naquele silêncio, havia algo quase palpável — um som que não existe, mas pesa na pele, como o chiado de um VHS parado na tela preta. Mas, sempre agindo com descrição.

Do lado de fora, câmeras transmitiam os ministros sob luzes teatrais, togas alinhadas e frases calculadas. Do lado de dentro, porém, Brasília rodava outro filme: passos lentos sobre carpete grosso, telefones que tocavam sem parar, e um ventilador de teto rangendo como se carregasse segredos antigos.

No porão abafado, uma minuta não assinada repousava sobre a mesa, ao lado de cartões de vacina em branco e um diário amarelado, com anotações confusas de um general que já não lembra das próprias ordens. Entre as páginas, rabiscos de rotas de fuga e números riscados como se alguém tentasse esconder algo que nunca deveria ser visto. No canto, um projetor 8mm antigo chiava baixo, com o filme de uma reunião pendurado para fora escrito “confidencial”, feito um corpo suspenso.

Atirado aos cantos desmembrados, havia manequins sem cabeça: um vestia uma faixa presidencial apodrecendo ao lado de caixas fechadas com remédios vencidos. Junto de uma manequim feminina, tinha uma caixa de maquiagem profissional personalizada com nome masculino. Em cima de sofás rasgados com meia luz, espelhos refletiam rachaduras expostas brevemente por lençóis sujos, espalhados com bíblias sem uso recobertas com moedas enferrujadas de todos os valores, tudo espalhado em um chão empoeirado. O cenário parecia ter saído de um pesadelo.

E então, de forma quase imperceptível, um cheiro de queimado começa a subir pelas rachaduras, serpenteando até onde o julgamento ecoava distante. O ar pesava cada vez mais. Algo lá embaixo acabara de despertar.

O Cheiro de Queimado

Quando o silêncio começa a feder antes mesmo do incêndio

Hugo Motta ensaia neutralidade diante das câmeras, mas nos bastidores é sabido que o pavio já foi aceso. Ele circula pelos corredores como quem pisa sobre tábuas ocas, consciente de que qualquer passo errado pode abrir um buraco sob seus pés.

O clima é o de um incêndio que ainda não começou, mas já aquece o ar. “Se houver votos e clima, não terá como segurar a pauta”, assim disse Hugo Motta. A frase se repetia como um sussurro de conversas privadas — baixa, quase inaudível, como quem evita acordar algo que dorme nas frestas da parede.

Do outro lado, Tarcísio de Freitas corre contra um cronômetro invisível. Não é lealdade, é cálculo: manter Bolsonaro como ativo político, mas inelegível. O mito preservado, mas fora do tabuleiro. A estratégia é clara: abrir caminho para herdar o espaço sem precisar competir com quem o criou.

Enquanto isso, Brasília fede a promessas vencidas e reuniões são marcadas sem registro, cargos são prometidos como heranças que nunca chegam, e garantias circulam como bilhetes dobrados. Assim, deputados juram fidelidade pela manhã e hesitam à noite, enquanto líderes cochicham sobre alianças que mudam de cor de um dia para o outro.

E então, vem o cheiro. Não se vê fogo, mas ele está lá. É aquele instante em que a casa velha parece segurar o ar antes do estalo. As portas rangem sozinhas. As paredes começam a suar. O silêncio pesa.

A câmera desce devagar pelas escadas estreitas, e lá embaixo, no porão, algo se mexe — devagar, quase imperceptível. Como se a fumaça estivesse abrindo espaço para o que estava enterrado. Mas quando o fogo começar, o que estava escondido nas rachaduras poderá surgir.

As portas rangem sozinhas. As paredes começam a suar compulsivamente. O silêncio pesa ainda mais. A câmera desce devagar, agora pelas escadas estreitas próximo do Palácio da Esplanada, e lá embaixo, no porão, algo se mexe — devagar, quase imperceptível. Como se a fumaça estivesse abrindo espaço para o que estava enterrado. E então… uma fissura se abre. Pequena, mas o suficiente para deixar escapar o primeiro sussurro.

Rachaduras Atrás das Paredes

Quando o porão começa a expelir, o que deveria ficar enterrado acaba surgindo das paredes

Do absoluto nada, um estalo ecoa, seco, quase tímido, mas suficiente para transformar o silêncio em algo palpável. A câmera do nosso filme desce devagar, cruzando corredores frios, até encontrar as primeiras fissuras no rodapé. Brasília parece imóvel por fora, mas por dentro as paredes respiram.

Depois que a defesa de Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, empurra o plano golpista direto para o colo de Bolsonaro, e o impacto se espalha pelos bastidores como vibração de baixa frequência. Então se percebe, não é um grito: é apenas um zumbido que atravessa o carpete, vidro e porta fechada. Quem está dentro sabe: algo foi rompido.

Nos gabinetes, advogados trocam olhares rápidos, assessores mastigam frases antes de falar, e aliados mais próximos sussurram o óbvio: “suicida”. Não em tom de julgamento, mas de constatação. O movimento expôs mais do que devia. As rachaduras começaram a transparecer.

E é aí que os fantasmas voltam. Não monstros literais, mas memórias enterradas, mensagens antigas, áudios esquecidos. Documentos reaparecem como vultos saindo de caixas de papelão empilhadas. Provas antes dadas como mortas voltam à luz com a frieza de quem nunca foi embora.

Cada gabinete se torna trincheira improvisada. Um tenta salvar o próprio nome, outro empurra a culpa para o vizinho, mas cada passo só revela mais sujeira debaixo do tapete. As criaturas são eles mesmos, fragmentos de versões que juraram enterrar. Quanto mais tentam abafá-las, mais ganham corpo.

O Centrão sente o cheiro. As alianças estremecem. Eduardo Bolsonaro percebe que as sombras guardam mais facas do que apertos de mão. Tarcísio, no meio do labirinto, tenta mover-se sem fazer barulho — como quem pisa sobre um assoalho que geme no escuro.

A luz do palco não chega até aqui. Aqui embaixo, tudo é penumbra, poeira e ar pesado. Cada pequena rachadura parece deixar escapar um som, um sussurro, uma respiração que não deveria existir. Se o porão ruir, o que sai de lá não volta para dentro.

E, enquanto o plenário segue seu espetáculo ensaiado, os corredores estreitos engolem os ruídos e coisas se mexendo próximo a uma tela ligada sem espectadores. As criaturas despertas pelo porão não voltam para onde estavam. Escorrem pelas rachaduras, atravessam corredores, e alguém jura ouvir passos na direção da luz. O palco segue iluminado, mas a sensação é de que as sombras se aproximam.

E, quando as cortinas começam a tremer sem vento, o filme gira para o outro lado, som de estática na tela e então…

O Outro Lado do Palco

O desfile sobrenatural e a arte de desaparecer na hora certa

De um lado, o “Centrão” se aventura com destemor digno de vendedor de guarda-chuva em meio a um furacão, montando barraca e pagando caro na esperança de blindar Bolsonaro de uma tempestade que já deixou de ser previsão para virar dilúvio inevitável.

No compasso desse torvelinho, abre-se, o outro lado do palco, uma “marolinha” cresce na precisão de um mestre enxadrista, expandindo em um vasto tabuleiro para Lula reposicionar suas peças, reconstruindo — com a habilidade de quem já venceu partidas épicas — o arco democrático que o levou à vitória em 2022.

É o tipo de cenário em que, enquanto uns rezam para o tempo firmar, outros aproveitam o vento para fazer história. Não é um gesto de generosidade — é um efeito colateral. Um movimento que não estava no script, mas altera todo o enredo.

De um lado, o “Centrão” surge como aquele grupo de vizinhos que insiste em acampar no quintal mal-assombrado, armando guarda-chuvas contra um furacão que já fez a casa tremer e as luzes piscarem. Montam barraca, pagam caro, achando que podem proteger Bolsonaro da tempestade que já mudou de previsão para dilúvio, enquanto relâmpagos riscam o céu e sombras se arrastam pelas paredes.

A oposição virou e disco o risco tocando ao contrário o vinil ao repetir: “anistia, anistia, anistia”. Ajuste fiscal, reforma e agenda liberal — tudo esquecido no camarim, junto com discursos que ninguém mais ensaia. Os slogans repetem como diálogos ruins de uma fita VHS já rodada demais, com o chiado no fundo lembrando que essa trilha sonora está ultrapassada.

E então surge Silas Malafaia, gritando do palco lateral, microfone no talo, tentando inflamar a plateia. O tom é dramático, a entrega é intensa, mas o eco denuncia o que as luzes tentam esconder: a pauta da anistia, antes vendida como vitória inevitável, começa a ruir. Os votos evaporam, lideranças recuam, aliados somem atrás de compromissos “inadiáveis” — aqueles que só aparecem quando a derrota ou o medo batem à porta.

Nos bastidores, o clima é outro. Brasília, tão acostumada ao ruído, começa a falar baixo. As portas dos gabinetes se fecham, os telefonemas ficam sem retorno, mensagens não são lidas, reuniões são adiadas “sem previsão”. A cada rosto ausente, a cada cadeira vazia, cresce a sensação de que as coisas importantes estão acontecendo em outro lugar — um lugar onde as câmeras não entram.

O som do plenário ecoa distante, como uma trilha antiga que vai sendo abafada pelo chiado. Ali, o silêncio virou ferramenta: quem some, sobrevive. Quem fala demais, se expõe. Brasília descobriu a arte de desaparecer na hora certa. A câmera do nosso filme passeia devagar pelo palco iluminado, os rostos tensos dos protagonistas congelados num frame perfeito. Mas então ela gira, lenta, para a escuridão atrás da cortina — e é lá, onde ninguém olha, que a história muda de rumo.

O plenário brilha, discursos se encenam, câmeras piscam e tremem sem parar. Mas, por trás do barulho, um som seco atravessa o ar. Um estalo — pequeno demais para os olhos distraídos, grande demais para quem sabe ouvir. E então… passos. Vindos da mata atrás do prédio. Como se alguém se aproximasse, vestido de trevas e carregando algo cortante.

Corte no Acampamento do Plenário

Quando a respiração do terror está mais perto que se pode imaginar

O estalo é pequeno. Quase tímido. Mas atravessa o plenário como uma lâmina no escuro — seco, preciso, inesperado. O teatro segue ensaiado: togas bem passadas, discursos afinados, câmeras disputando closes. Mas o ar… o ar muda. Fica denso, metálico, quase palpável. É como se a temperatura caísse três graus sem ninguém entender por quê.

Lá fora, Brasília segue viva: buzinas, passos, cafés borbulhando. Aqui dentro, o plenário parece um acampamento isolado no meio da noite. A fogueira ainda crepita, os ministros ainda trocam sussurros, os papéis ainda deslizam sobre as mesas. Mas o primeiro graveto já quebrou na mata.

As vozes continuam, mas soam distantes, arrastadas, como se alguém tivesse colocado o áudio em câmera lenta. E então, nesse compasso estranho, uma figura vestida de preto ventindo toga surge na penumbra. O rosto está escondido, os contornos borrados pela luz fria, mas os gestos são claros: ela ergue a navalha simbólica.

A lâmina brilha por um segundo, e a frase corta o ar:

DEMOVER… DE QUÊ?

O plenário congela. O frame é perfeito: ministros imóveis, dedos tensos sobre papéis, olhos semicerrados. Um silêncio espesso desce sobre a sala — o tipo de silêncio que parece respirar. Até as câmeras hesitam, como se soubessem que gravaram mais do que deviam.

Por minutos que parecem horas, ninguém se move. Ninguém ousa engolir seco. Algo mudou para sempre.

E, no entanto, como em todo bom slasher, o segredo permanece escondido. Quem ergueu a navalha? Quem provocou o corte? A cena avança, o roteiro segue, os atores fingem que nada aconteceu.

Só no último ato o espectador descobre: era a própria Cármen Lúcia. A dona do olhar cortante e cabelos que facilmente se confundem com um velho e conhecido vampiro de nosso folclore nacional. A mão que parou o filme inteiro com uma frase. A ministra que, com uma pergunta, fez sangrar o silêncio do plenário.

E, no silêncio pesado do acampamento, algo se move entre as barracas. Um passo lento, um arrastar de pano, uma respiração funda demais para ser ignorada. A câmera se afasta devagar, sobe por sobre as luzes fracas, passa por lençóis que imitam fantasmas, abóboras iluminadas tremendo com o vento quente…

Doces ou Travessuras

Quando a escolha já foi feita por você

Brasília parece fantasiada. No subúrbio do poder, corredores iluminados por luzes frias tremulam como lanternas de abóbora esquecidas ao vento. Há gente vestida de fantasma improvisado, lençol por cima e olhos recortados, tentando assustar quem passa — mas o medo real vem de quem anda sem fantasia nenhuma.

Enquanto o país tenta digerir a sessão, Eduardo Bolsonaro cruza fronteiras. Nos Estados Unidos, ao lado de Paulo Figueiredo, o “03” trata de erguer um novo cenário de terror travesso. O plano maligno é vender ao mundo a ideia de um Brasil em colapso, como se acendesse uma fogueira longe do acampamento para distrair os olhares. Do lado de fora, os gritos ecoam: censura, perseguição e liberdade.

Mas, aqui dentro, o silêncio respira.

É como caminhar por uma rua calma demais na noite de Halloween. Casas decoradas, velas tremendo dentro de abóboras esculpidas, doces deixados à porta… e ainda assim, a sensação de que alguém está te seguindo.

E nesse cenário, Lula não precisa falar. O palco já é dele sem mesmo ele sequer pisar no chão. Ele observa como quem sabe que o verdadeiro susto vem quando a câmera desce do beco iluminado para a esquina escura.

O frame é esse: adversários correndo com lanternas quebradas, tentando enfrentar os próprios reflexos, enquanto algo maior respira atrás das cortinas.

O som é o mesmo, toda semana. O ranger do assoalho, a respiração que não se vê, o vulto que volta mesmo depois de ter sido enterrado. Brasília apaga as luzes, mas os fantasmas conhecem o caminho no escuro.

No subúrbio do poder, fantasmas improvisados vagueiam de porta em porta, mas é outra coisa que arrepia a espinha: aquilo que deveria estar enterrado, mas continua voltando. A pauta, com cheiro de cova fresca, tropeça mais uma vez para o centro da cena. E quando o sangue acaba, vampiros, zumbis e demônios reaparecem para buscar mais…

Demons: O Retorno da Pauta Zumbi

Em Brasília, toda semana é noite das criaturas que nunca descansam

Close em Brasília: céu de névoa alaranjada, fachos de luz cortando os corredores do poder como navalhas em negativo. No cinema vazio do Planalto, cadeiras rangem, sombras deslizam pelas paredes, e o som do vento parece sussurrar promessas antigas. É noite de exibição especial — o filme se chama “Anistia: O Retorno dos Mortos-Vivos”, direção coletiva, roteiro sempre inacabado.

O espectro da pauta zumbi caminha entre os lustres e tapetes, tropeçando sobre seus próprios trapos há temporadas. Enterrada na segunda-feira, ressuscitada na terça, retorna como protagonista cansada de série interminável. Maquiada como quem tenta disfarçar cicatriz com purpurina, veste a faixa do clichê: “Melhor Pauta de Morto-Vivo”. Brasília, plateia inquieta, finge surpresa a cada capítulo, mesmo sabendo que o roteiro foi desenterrado do arquivo morto mais uma vez.

Nas galerias, cordões de líderes calculam a dança das máscaras: uns aguardam o veredito do Supremo atrás das cortinas, outros, do MDB, somem no último corte antes da lâmina. Bancadas cochicham nos cantos, olhos atentos à silhueta do PL à espreita, temendo que o STF, qual diretor impiedoso, apague todos os nomes nos créditos finais. Na coxia, a base do governo ensaia um contragolpe afinado, batizando o texto que deveria ser epitáfio, mas se recusa a morrer — o “projeto da impunidade” ganha vida, sempre à beira de um novo funeral.

A câmera desliza pelo carpete gasto dos bastidores, onde o enredo real se desenrola. O Congresso vira teatro: corredores longos, iluminação esverdeada, reflexos cortantes nos espelhos. O mercado de favores é labirinto de portas semiabertas, onde cada telefonema ecoa como sussurro de ameaça e promessa. Mensagens chegam como bilhetes amassados encontrados sob cadeiras: pedidos velados, ofertas de cargos, acordos riscados a caneta vermelha, sangue cenográfico escorrendo pelos papéis.

Ninguém confia fiado no próximo — a fila anda, mas todos calçam luvas de couro preta. O preço do apoio muda a cada batida de porta, e a sensação é de que alguém sempre assiste de trás da cortina de veludo. Com o Supremo segurando a plateia no suspense, os acordos se costuram ao som de trilha sonora sibilante, cheia de cordas tensas e teclados que anunciam o perigo iminente. Não há certeza de quem paga a conta; só importa que, até a próxima votação, o cenário permaneça de pé, mesmo se o fio da gambiarra já estiver puído.

No clímax, luzes piscam — como se fosse a realidade, cansada, desse pane proposital. Máscaras caem, mas só para revelar outras, mais grotescas. O suspense vem do silêncio entre as frases, do ranger do assoalho, da batida surda do tamborim político marcando o próximo take. O Supremo, ora perseguidor, ora vítima, maneja a lâmina na sala de mixagem. Cortes profundos, gritos abafados, e o quadro final é sempre o mesmo: cicatriz exposta, argumento desfeito, e a pergunta pairando feito névoa — Até quando?

Fade out. O filme recomeça amanhã, com os mesmos fantasmas rondando cadeiras e microfones, esperando por mais uma sessão à meia-noite. Nesse giallo tropical, o verdadeiro terror não está nos monstros de lençol, mas na certeza de que a pauta morto-viva nunca aprende o caminho do descanso. Assim os demônios de Mario Bava, ficariam pequenos perto desses macabros corredores onde todo dia é Halloween político, e o roteiro nunca encontra um ponto final.

E a cada renascimento, a anistia volta mais difícil de matar. Mas o terror muda de forma: o palco se fecha, as luzes baixam, e a política vira sala de tortura. Cada gabinete tem uma armadilha escondida, cada voto pode ser um corte.

Brasília respira fundo. Apostem certo, pois está preste a começar uma nova aventura macabra. Que comecem os jogos!

Jogos Mortais no Congresso

Cada voto, uma armadilha; cada gesto, um corte — o Brasil em suspense

Julgamento do Bolsonaro - STF - Brasília
Ilustração gerada por IA via ChatGPT (OpenAI)

O teatro político brasileiro ergue-se como a sala central de “Jogos Mortais”, onde cada porta entreaberta pode esconder um novo dispositivo, cada máscara esconde o rosto de um cúmplice ou de uma vítima, e a plateia, em poltronas velhas, assiste com o coração na garganta. As galerias são corredores sombrios: refletem luz verde sobre rostos tensos, ecoam sussurros de acordos riscados a sangue cenográfico, e cortinas de veludo escondem operadores e espectadores da próxima cena. Aqui, ninguém entra ileso.

O elenco assume posições. A oposição, que prometeu racionalidade, se revela na bateria de uma nota só: o refrão da “anistia” martela como alarme de relógio preso em ciclo eterno; o surdo é o veto e o repique traz o suspense do próximo corte. O camarote presidencial não precisa reger, pois o compasso se autoimpõe, e o roteiro — sempre escrito a lápis — gira sobre trilhos que rangem, ameaçando descarrilar a qualquer giro do tamborim. O filme não explode: silencia, deixa o espectador no limiar do pânico, esperando a próxima armadilha disparar.

Na semana seguinte, o cenário parece confortável. Chinelo nos bastidores, pauta leve, consenso em fumaça — mas é aí que o fantasma revisita o roteiro, murmurando:Se aprovar, vem o veto; para derrubar, conte 257 deputados e 41 senadores”. O número é a piada de terror, fácil como escapar de uma sala trancada sem chave enchendo d’água com tubarões. O suspense não é sobre o final, mas sobre quanto tempo a lâmina dos dentes gira sem tocar a pele. O STF, espectador e carrasco, não se surpreende: em outros tempos, tentou-se perdoar tais crimes, mas o decreto parece ter caído feito pano branco com lâmina de barbeiro habilidoso, assim revela-se o óbvio, que indulto não deve cobrir infração contra o Estado Democrático.

Aqui, não há disputa de poderes: há partitura. O Legislativo escolhe o tema, o Judiciário aponta a desafinação. Quem erra, paga a vaia — quem insiste, ganha reprise nos extras do DVD político. Desenvolve-se então a coreografia das dúvidas. Nos gabinetes, a regra é parecer inevitável: quem deseja a anistia lateja sem admitir, quem não quer, deixa o tempo escorrer como areia no relógio de Jigsaw. A arte da sobrevivência é fingir dúvida, pedir estudo, convocar audiência, cada ação adiando o momento em que a porta da sala se fecha e a luz vermelha acende.

O método é antigo, mas eficiente — cada adiamento reescreve o roteiro, muda a matemática, faz do “ainda não” um mantra que mantém todos em suspense, vendendo vitória em prestações, enquanto o público, do outro lado, ajusta a coberta e tenta não perder o fôlego.

O clímax pulsa nos bastidores, onde cada gabinete vira sala de tortura psicológica, cada reunião é uma rodada de escolhas impossíveis. Regras não escritas, prazos elásticos, personagens que se esgueiram pelas sombras, negociando apoio em troca de promessas frágeis, cada gesto uma tentativa desesperada de escapar do próximo teste. O silêncio, aqui, não é ausência: é estratégia. É ele quem salva a foto, garante a legenda e apaga a luz antes do clique fatal.

No final, o ciclo não se fecha: o plantão eterno. O público, espectador de horror, percebe que está preso no looping, maratonando um filme que nunca termina. O roteiro não encontra ponto final; a pauta morta-viva retorna, fantasma inquieto, sempre à espreita da próxima sessão à meia-noite. Nesse terror gráfico tropical, cada corredor é armadilha, cada votação é porta trancada, e a certeza de consequências inesperadas.

O país se acostuma com a meia-luz, e a democracia, cenário fixo, observa o elenco rotativo dançar entre facas, esperando pelo próximo susto. E pelo próximo. Até que tudo recomeça no silêncio: corredores desertos, reflexos distorcidos, elevadores que descem devagar demais. Nos bastidores, ninguém confia em ninguém. Cada telefonema pode ser a última chamada — por isso, ninguém quer atender. No fundo, todos sabem: o assassino nunca foi embora.

Pânico (nos bastidores de Brasília)

Uma crônica literária inspirada no terror dos anos 90

Brasília, noite. A cidade se transforma em Woodsboro: becos iluminados por luzes vacilantes, gabinetes onde o silêncio é mais mortal que qualquer faca, elevadores que rangem como portas prestes a revelar o próximo susto. O clima é denso, a trilha sonora bate entre o suspense e o desespero, e o roteiro — escrito a lápis e apagado às pressas — ecoa a paranoia de quem já assistiu ‘Pânico’ demais para confiar na própria sombra.

Nos bastidores, promessas são feitas com o mesmo nervosismo de adolescentes escondidos atrás de cortinas, esperando que Ghostface não esteja por perto. Cada compromisso murmurado se dissolve na fumaça de expectativas quebradas; cada cargo ofertado é uma ligação misteriosa que pode ser desmentida antes do amanhecer. Aqui, o silêncio é arma — o flash da câmera salva reputações, enquanto a luz se apaga antes do clique fatal, e a foto da vergonha, vira relíquia entre as cortinas puxadas às pressas.

Fotografia de constrangimento: sorrisos congelados, olhares de quem sabe que na próxima manchete pode virar vítima. Negocia-se com a penumbra. O país se acostuma à meia-luz, a democracia faz figuração, e o elenco gira — mas a trilha permanece, repetida como a voz rouca do assassino ao telefone. O que muda é o foco: quem sai do elevador primeiro, quem segura o script, quem sobrevive ao próximo corte.

O elevador de Brasília é laboratório de tensão. Ali, pares improváveis dividem o quadrado claustrofóbico, a respiração se faz sentir como fundo musical de cena perigosa. Reflexos no inox denunciam quem evita contato visual, quem ajeita o nó da gravata, quem prepara a máscara, quem aperta o “térreo” duas vezes, só para garantir. Nos poucos segundos de silêncio, decisões são tomadas entre o medo do que espreita e a esperança de escapar ileso. Quando a porta abre, o roteiro volta à rua: o público respira, mas sabe que o terceiro ato ainda não começou.

As chamadas do terror: “depois do julgamento”, “na sessão de quarta”, “na volta do feriado”. O Brasil assiste como quem espera o assassino surgir atrás da porta. O crédito não sobe, a cidade aprende a viver do quase, improvisa como vítimas tentando sobreviver até o próximo capítulo. O diretor — no caso, o chefe do plenário — finge controle, mas todos sabem que ninguém está seguro. O público ri de nervoso; o elenco improvisa fuga, mas a sensação é de que alguém sempre observa atrás do espelho.

No fim, quando os créditos subirem, talvez já seja tarde para perceber quem realmente escreveu o script. Porque a encenação é pública, mas o enredo é de condomínio fechado, onde os vizinhos estão sempre prontos para uma última ligação. O espetáculo está no plenário, mas o filme — de horror e suspense — se desenrola nos bastidores. Brasília é cenário fixo de um thriller político: paranoia, rostos mascarados, portas entreabertas, a certeza de que o próximo susto está a uma chamada de distância. E assim, entre luzes de serviço e sussurros no corredor, a democracia dança com o terror — e o jogo nunca termina.

Serra, Papel e Café (no Escuro)

A crônica política com aroma de canela e serra elétrica

Quando o último voto ecoa no vazio do plenário e as câmeras piscam como lanternas prestes a falhar, Brasília se transforma de vez no celeiro sombrio do roteiro. Não tem trilha de suspense, só rangido de porta — e a luz de serviço, essa nunca se desliga, igual àquela lâmpada pendurada que ilumina as ferragens do massacre. O sofá acumula farelos como se fossem ossos do banquete, a xícara vazia é o prêmio de consolação do sobrevivente, e a canela, esquecida sobre a bancada, perfuma o ar com o tipo de ironia que apenas quem já sentiu o cheiro de madrugada sabe reconhecer. O computador, ainda ligado, pisca o cursor como se perguntasse: “Quem será o próximo?”

O escritor desta coluna, mais espectador do que protagonista, observa tudo pela tela com a mesma tensão de quem assiste ao massacre no celeiro — teclado rangendo, com roteiro reescrito às pressas, sempre à espera do próximo susto político. O texto nasce entre um gole de café e o medo de faltar luz, quando até a canela parece se esconder atrás do monitor com o atraso pro editor. Aqui, o metalinguagem não é truque: é sobrevivência. O cronista digita, mas sabe que, no escuro, até a vírgula vira armadilha.

A semana promete leveza — mentira dita com a seriedade de quem marca consulta em hospital abandonado. O Café com Cinismo segue, mas o aroma é de tensão e pasto seco, não de esperança. O país se acostumou ao breu, a ter democracia trancada num galpão a espera por quem acenda a próxima lâmpada. No celeiro político, cada personagem ajeita o nó da gravata como quem amarra os cadarços antes de correr do vilão mascarado. E o roteiro, escrito a lápis e apagado a serrote, se reinventa no travesseiro de quem tem voto — e medo de virar manchete no escuro.

Se fosse filme, seria daqueles em que a serra elétrica ruge mais alto que os discursos. Se fosse crônica, a graça estaria no detalhe que a câmera não pega: o cheiro de canela e poeira, o tique-taque do computador, a falta de luz que revela mais do que esconde. Brasília finge pose para o holofote, mas o massacre acontece nos bastidores, entre cortinas rasgadas e teclas gastas.

Quando a luz finalmente se apaga, só fica a de serviço — e alguém sempre insiste em permanecer lá dentro, jurando que o palco era dele. No fim, todo mundo sai correndo, mas o roteiro continua, escrito no escuro, esperando pela próxima temporada do terror. E, com licença da canela, a ironia é saber que o jogo nunca termina — só troca o vilão, nunca a serra.

E assim, no escuro do celeiro político, a pauta da anistia cambaleia como fantasma teimoso de filme B dos anos 80 — cai com um estrondo, levanta arrastando correntes, retorna sempre mais pálida, cheirando a canela esquecida na bancada e poeira de plenário. Não morre nunca: aparece até e se levanta, não sabe que já morreu, mesmo assim ressurge maquiada de museu de novidades, mas sem a trilha do poeta. Tropeçando igualzinho a zumbi que se recusa a deitar para sempre.

Deste outro lado, o cronista assiste tudo pela luz mortiça do computador, dedo trêmulo no teclado, esperando o momento em que a energia vai falhar e tempestade vai chegar. A sessão no plenário é só cenário: o massacre real acontece atrás das cortinas, onde a pauta tropeça em fios soltos e o medo escorre pelas rachaduras. Cada personagem, gravata apertada e olhos arregalados, corre do monstro de sempre — o roteiro escrito apressado, canela perfumando o ar, vírgulas disfarçando susto.

No final, quando a luz realmente vacila e sobra só a de serviço piscando, talvez ninguém perceba quem segurava a serra, muito menos quem redigiu o script. Esse terror que sussurra “anistia”, não termina: ele apenas se esconde no escuro, esperando a próxima chamada. E, ao som do computador rangendo e do cheiro de madrugada, o cronista sussurra: encerrou, mas talvez ninguém tenha saído vivo de verdade dali… Será?

João Pedro Mello

João Pedro Mello
Divulgação

𝐏𝐞𝐫𝐟𝐢𝐥 𝐞𝐦 𝐕𝐞𝐫𝐬𝐨𝐬: à 𝐥𝐚 𝐋𝐞𝐦𝐢𝐧𝐬𝐤𝐢 (𝐉. 𝐌𝐞𝐥𝐥𝐨)
𝘌𝘯𝘵𝘳𝘦 𝘱𝘢𝘭𝘢𝘷𝘳𝘢𝘴, 𝘵𝘦𝘭𝘢𝘴 𝘦 𝘴𝘢𝘶𝘥𝘢𝘥𝘦𝘴 (𝘦)𝘵𝘦𝘳𝘯𝘢𝘴

𝚅𝚒𝚟𝚎 𝚍𝚎 𝚙á𝚐𝚒𝚗𝚊𝚜, 𝚍𝚎 𝚕𝚒𝚗𝚑𝚊𝚜 𝚎𝚖 𝚋𝚛𝚊𝚗𝚌𝚘,
𝚓𝚘𝚛𝚗𝚊𝚕𝚒𝚜𝚝𝚊 𝚏𝚘𝚛𝚖𝚊𝚍𝚘 𝚗𝚊 𝚏𝚘𝚖𝚎 𝚍𝚘 𝚎𝚗𝚌𝚊𝚗𝚝𝚘.
𝚎𝚜𝚌𝚛𝚎𝚟𝚎 — 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚘𝚞𝚝𝚛𝚘𝚜, 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚜𝚒 𝚎 𝚙𝚊𝚛𝚊 𝚘 𝚝𝚎𝚖𝚙𝚘 𝚚𝚞𝚎 𝚙𝚊𝚜𝚜𝚊,
𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚗ã𝚘 𝚙𝚛𝚘𝚌𝚞𝚛𝚎 𝚜𝚎𝚛 𝚜𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚎𝚖 𝚌𝚊𝚜𝚝𝚎𝚕𝚘 𝚍𝚎 𝚐𝚛𝚊ç𝚊.
𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚜ó 𝚜𝚎 𝚙𝚎𝚛𝚌𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚊𝚕𝚊𝚟𝚛𝚊𝚜 𝚍𝚎 𝚙𝚛𝚊𝚗𝚝𝚘 𝚊𝚖𝚊𝚛(𝚎𝚕𝚘) 𝚍𝚊𝚜 𝚝𝚛𝚊ç𝚊𝚜

𝙳𝚎 𝚋𝚊𝚗𝚍𝚊𝚜, 𝚙𝚛𝚘𝚓𝚎𝚝𝚘𝚜, 𝚙𝚘𝚎𝚝𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚘𝚎𝚒𝚛𝚊,
𝚍𝚎 𝚋𝚕𝚘𝚐𝚜, 𝚗𝚘𝚝í𝚌𝚒𝚊𝚜, 𝚍𝚎 𝚛á𝚍𝚒𝚘 𝚎𝚖 𝚋𝚎𝚜𝚝𝚎𝚒𝚛𝚊
𝚊𝚜𝚜𝚎𝚜𝚜𝚘𝚛 𝚍𝚎 𝚏𝚘𝚗𝚎𝚖𝚊𝚜 𝚎𝚖 𝚙𝚘𝚍 (𝚜𝚎𝚖) 𝚌𝚊𝚜𝚝 𝚟𝚒𝚟𝚒𝚊,
𝚌𝚒𝚗𝚎𝚖𝚊 𝚙𝚞𝚕𝚜𝚊𝚗𝚝𝚎 𝚗𝚘 𝚙𝚎𝚒𝚝𝚘 𝚎𝚖 𝚌𝚊𝚍𝚎𝚒𝚛𝚊 𝚟𝚊𝚣𝚒𝚊.
𝚊𝚜𝚜𝚎𝚜𝚜𝚘𝚛 𝚍𝚎 𝚏𝚘𝚗𝚎𝚖𝚊𝚜 𝚎 𝚗𝚎𝚕𝚎 𝚎𝚍𝚒𝚝𝚊𝚟𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚒𝚗𝚌𝚎𝚕
𝚙𝚊𝚕𝚊𝚍𝚒𝚗𝚊𝚟𝚊 𝚗𝚊𝚜 𝚕𝚎𝚝𝚛𝚊𝚜, 𝚊𝚛𝚖𝚊𝚍𝚞𝚛𝚊 𝚎𝚖 𝚙𝚊𝚙𝚎𝚕,

𝚂𝚎 𝚏𝚎𝚣 𝚜𝚎𝚖 𝚝𝚛𝚘𝚏é𝚞, 𝚌𝚘𝚖 𝚖𝚒𝚜𝚝𝚘 𝚍𝚎 𝚏𝚎𝚕, 𝚌𝚑𝚎𝚐𝚊𝚍𝚊 𝚎𝚖 𝚕𝚒𝚗𝚑𝚊
𝚌𝚘𝚖𝚙𝚘𝚗𝚍𝚘 𝚗𝚊 𝚏𝚛𝚊𝚜𝚎 𝚜𝚎𝚖 𝚏𝚘𝚖𝚎 𝚘𝚞 𝚖𝚊𝚍𝚛𝚒𝚗𝚑𝚊
𝚖𝚊𝚜 𝚊𝚝é 𝚚𝚞𝚊𝚗𝚍𝚘 𝚎𝚜𝚌𝚛𝚎𝚟𝚘? 𝙽ã𝚘 𝚜𝚎𝚒, 𝚗ã𝚘 𝚌𝚘𝚗𝚝𝚘.
𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚊𝚝é 𝚖𝚘𝚛𝚛𝚎𝚛 𝚍𝚎 𝚜𝚊𝚞𝚍𝚊𝚍𝚎, 𝚝𝚊𝚕𝚟𝚎𝚣 𝚊𝚝é 𝚖𝚘𝚛𝚛𝚎𝚛 𝚍𝚎 𝚎𝚗𝚌𝚊𝚗𝚝𝚘.

𝚂𝚎𝚓𝚊 (𝚎)𝚝𝚎𝚛𝚗𝚘. 𝚂𝚎𝚖𝚙𝚛𝚎

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 11/01/2026
  • Fonte: Sorria!,