O recado de Flávio Dino fecha portas e costura mensagens
Voto expõe a engrenagem do plano golpista, antecipa o embate no Congresso e fixa limites históricos contra a anistia
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 10/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O próprio nome do plano já carregava a confissão: Punhal Verde-Amarelo — e não “Bíblia Verde-Amarela”. Não havia oração, havia lâmina. A violência não era detalhe, era a espinha dorsal de tudo que consta nos autos. Cada minuta, rabisco e reunião revela um enredo milimetricamente ensaiado: generais à mesa, decretos desenhados à sombra e acampamentos estrategicamente posicionados diante dos quartéis. Não há improviso, não há “manifestação espontânea”: havia um roteiro escrito para atacar a democracia com método, logística e cálculo.
Foi esse pano de fundo que moldou o voto de Flávio Dino. Ao seguir o relator, Dino vestiu a toga com um tom próprio, deixando subentendido um recado institucional: golpe não se relativiza, não se apaga, não se anistia. Não há brecha para ler os autos como um “erro de avaliação”, nem para transformar minuta em barquinho de papel esquecido. O Punhal Verde-Amarelo não era um devaneio: era um projeto. E isso muda tudo.
Enquanto Flávio Dino costurava sua narrativa, o país respirava em outro tabuleiro: o Congresso. A reunião de líderes hoje revelou o que todos já sabiam nos bastidores — a pauta da anistia vai voltar com força máxima na próxima semana. Hugo Motta tenta vender um consenso que ninguém acredita de verdade, enquanto a base governista, mais realista, admite que o texto vai avançar. Mas até lá, esta semana será usada para o que mais importa: as tropas políticas vão se organizar. Telefonemas, cafés fora de agenda, pressão sobre parlamentares hesitantes — quando a pauta voltar, virá armada, carregada e pronta para confronto.
Um voto que fecha portas e costura mensagens
É aqui que o voto do Flávio Dino ganha uma dimensão maior: ele se antecipa à batalha política e deixa o recado embutido no discurso. Não cita nomes, mas o alvo é claro. O Supremo está dizendo que pode até assistir o Congresso discutir seus palanques e narrativas, mas, se a anistia bater na porta, não passa.
Essa linha encontra eco no voto de Alexandre de Moraes, que foi ainda mais incisivo ao reconstruir os detalhes do projeto golpista. Moraes lembrou que quem ameaça descumprir ordem judicial já revelou até onde está disposto a ir. Não é sobre retórica, é sobre fatos: minutas assinadas, reuniões registradas, mensagens resgatadas e cadernetas recheadas de planos. Não há ingenuidade possível.

O país, no fundo, sabe disso. Ainda carrega as cicatrizes da última ruptura democrática — uma ditadura que terminou há pouco mais de 20 anos e que deixou marcas profundas nas instituições e na memória coletiva. A tentativa de reeditar o mesmo roteiro, agora com novos personagens, não engana ninguém. Quando Dino e Moraes sustentam que não há espaço para “passar a borracha”, não é bravata jurídica: é um freio histórico.
E ainda assim, nos corredores do Congresso, a narrativa segue outra lógica. Os defensores da anistia tentam vendê-la como medida humanitária, apelando para os chamados “peixes pequenos”. A estratégia é conhecida: usar o drama dos mais vulneráveis para blindar quem estava no topo da cadeia de comando. Mas o voto de Flávio Dino desmonta essa fábula. Quem participou de um projeto para implodir a democracia responde por ele, independentemente do tamanho do papel que desempenhou. Não há “cúmplices inocentes” quando o que se planejou foi rasgar a Constituição.
Flávio Dino e Alexandre de Moraes: Mensagens além da retórica
A mensagem, portanto, vai além do presente. Flávio Dino e Alexandre de Moraes falam para a história. Cada linha dos votos, cada referência ao Punhal Verde-Amarelo, cada reconstrução de cronograma serve para algo maior: cravar nos autos que a democracia não pode ser tratada como um contrato com cláusula de devolução. Não há manual para apagar o que foi planejado, nem atalhos institucionais para quem ensaiou um golpe.

E talvez esse seja o ponto central do recado: não se trata apenas de punir quem participou, mas de estabelecer um limite civilizatório. Se o Congresso decidir usar a pauta da anistia como palanque, o STF já sinalizou qual será a resposta. Quem ainda sonha com “soluções discretas” vai se frustrar.
No fim, o recado não está apenas nos votos, mas no subtexto: se alguém ainda acredita na existência de uma “sala escura” onde tudo se resolve, Flávio Dino mostrou que ela não existe. Não há sombras, não há atalhos, não há segredos — o Supremo acendeu a luz. E, diante da luz, não há golpe que se esconda.