O que se sabe sobre a fuga de Flávio Bolsonaro aos EUA
Derrotado nas eleições recentes, o cerco judicial provoca a suposta fuga de Flávio Bolsonaro rumo ao território americano com a promessa de asilo seguro
- Publicado: 27/10/2026 14:02
- Alterado: 27/10/2026 17:11
- Autor: Leonardo Nogueira
Dois dias após ser derrotado na disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tornou-se o centro de uma operação de rastreamento da Polícia Federal após suspeita de uma possível fuga do Brasil nesta terça-feira (27/10). A evasão ocorre em meio a um cerco judicial imposto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e envolveu uma rota de despiste pela Argentina, culminando em um asilo político a ser concedido pelo governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump.
Fuga de Flávio e o risco iminente da perda de foro

A engrenagem da fuga foi acionada na segunda-feira (26/10), após o ministro do STF, Alexandre de Moraes, determinar o recolhimento dos passaportes brasileiro e italiano do parlamentar. Flávio é investigado em ações criminais por suspeita de lavagem de dinheiro, com inquéritos que envolvem plataformas de apostas, o caso do Banco Master, desvios no INSS e o financiamento do filme “Dark Horse”.
Como o mandato de Flávio como senador pelo Rio de Janeiro termina em fevereiro de 2027, ele perderia o foro privilegiado, o que o deixaria mais vulnerável à Justiça comum. Diante do descumprimento da entrega dos documentos, a PF cancelou seu passaporte brasileiro e emitiu alertas para vigiar as fronteiras, mas a medida foi tomada quando o senador já estava em movimento.
A rota de fuga e a estratégia de despiste
O trajeto exato do ex-candidato envolveu manobras para despistar as autoridades. Durante a madrugada de terça-feira, a imprensa argentina noticiou que Flávio teria cruzado a fronteira a pé usando seu documento de identidade, rumo a Puerto Iguazú. No aeroporto local, um jato executivo de fato o aguardava para levá-lo a Miami, mas decolou sem o parlamentar.
Aliados do núcleo duro bolsonarista afirmam que a inclusão do nome de Flávio na lista de passageiros em Puerto Iguazú foi apenas uma tática coordenada por um advogado próximo à família. Segundo essa versão, o senador decolou de outro ponto do território argentino.
Oficialmente, o porta-voz do presidente Javier Milei, que chegou a participar do lançamento da campanha de Flávio, negou que haja qualquer registro de entrada do político brasileiro no país.
Conexão americana: asilo e a articulação de Marco Rubio

O destino final da fuga são os Estados Unidos, com desembarque em cidades como Miami ou Dallas. Fontes próximas à família garantem que o governo de Donald Trump não apenas está ciente da ida do brasileiro, mas participou ativamente da manobra, com a promessa de lhe conceder asilo político.
O envolvimento de Washington na operação teria partido do mais alto escalão diplomático americano. Segundo Simón Levy, advogado mexicano ligado ao presidente Donald Trump, o plano foi desenhado diretamente pelo atual secretário de Estado norte-americano. “O cérebro por trás dessa operação é o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio”, afirmou Levy em uma publicação na rede social X (antigo Twitter) nesta terça-feira.
Após essa publicação, Levy voltou a falar horas depois, relatando que Flávio Bolsonaro já teria chegado aos Estados Unidos (EUA).
“Como relatei há algumas horas, Flávio Bolsonaro chegou em segurança aos Estados Unidos… Dos Estados Unidos, livre e seguro, Flávio liderará a oposição contra Lula”, escreveu.
Nos EUA, Flávio poderá se juntar ao irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive no país desde o ano passado após ser condenado à prisão pelo STF, de onde tem articulado campanhas junto à direita americana. Trump, embora focado nas eleições legislativas de seu país, chegou a levantar suspeitas de fraude no pleito brasileiro, uma narrativa que costuma adotar desde a sua própria derrota em 2020.
Repercussões e histórico familiar
A notícia da evasão gerou reações imediatas em Brasília. Parlamentares do PT, incluindo os deputados Lindbergh Farias e Rogério Correia, acionaram o STF pedindo a prisão preventiva do senador. Eles também solicitaram a inclusão de seu nome na Difusão Vermelha da Interpol (alerta global de captura), para garantir a prisão internacional.
O coordenador da campanha bolsonarista, Rogério Marinho, inicialmente chegou a negar a fuga, mas Flávio encontra-se incomunicável. Embora não tenha reconhecido publicamente a derrota nas urnas, o senador desistiu de contestar o resultado eleitoral na Justiça, que teve o horário de votação estendido em duas horas devido à falta de ônibus em várias cidades.
O episódio adiciona um novo capítulo de tensões envolvendo o a Família Bolsonaro e a Justiça, ecoando o histórico recente da família. O caso guarda semelhanças com o movimento feito por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que, em meio a investigações em 2024, abrigou-se por dois dias na embaixada da Hungria, em uma suposta tentativa de blindagem diplomática contra o alcance judicial brasileiro.
Cúpula do PL faz reunião de emergência

O comando da sigla convocou um encontro urgente com todos os dirigentes logo que Flávio Bolsonaro embarcou para os Estados Unidos de forma inesperada. O presidente do Partido Liberal agiu rápido. Valdemar Costa Neto organizou a conferência interna minutos após a saída do senador do território nacional.
A cúpula partidária tenta entender os próximos passos reais da legenda. Os desdobramentos dessa viagem internacional afetam diretamente a estratégia da oposição no Congresso Nacional. Lideranças avaliam o cenário de Brasília com muita cautela.