O papel do flare no Polo Petroquímico do ABC

Clarão visto no Grande ABC evidenciou como o sistema atua para proteger operações, trabalhadores, comunidade e meio ambiente

Crédito: (Divulgação/Braskem)

Na madrugada do dia 17 de março, muitos moradores do Grande ABC perceberam um forte clarão vindo do Polo Petroquímico da região. Para quem está do lado de fora, pode causar apreensão. É compreensível: uma luz intensa, um som diferente e algo fora da rotina despertam dúvidas.

Por isso, é importante explicar, de forma clara e direta, o que aconteceu naquela noite. O que se viu não foi um incidente fora de controle, mas a atuação de um dos principais sistemas de segurança da indústria petroquímica: o flare.

O que aconteceu na madrugada do dia 17

Naquele momento, houve uma interrupção no fornecimento externo de energia elétrica, uma ocorrência que afetou não apenas o Polo Petroquímico, mas os moradores da região. Quando isso acontece, as unidades entram
automaticamente em modo de segurança. Esse processo é automático, projetado, testado e simulado para agir com rapidez e controle. É nesse contexto que o flare entra em ação.

O flare é um sistema de queima controlada de gases, utilizado no mundo todo nas indústrias químicas, petroquímicas e de óleo e gás. Ele permite eliminar, com segurança, gases que não podem ser processados naquele instante, evitando riscos e protegendo as instalações, os trabalhadores, a comunidade e o meio ambiente.

Em termos simples, ele funciona como uma válvulade alívio do processo, com uma diferença importante: ele é visível.

A chama que aparece, às vezes acompanhada de maior luminosidade e som, é resultado dessa queima controlada. O que pode parecer preocupante, num primeiro momento, é justamente um indicativo de que os sistemas de proteção estão funcionando como deveriam.

Investimentos e tecnologia ampliam a estabilidade no Polo Petroquímico

Ao longo dos anos, a Braskem no ABC vem investindo continuamente em melhorias tecnológicas, confiabilidade operacional e segurança de processos no Polo Petroquímico. Esse é um compromisso permanente da companhia:
evoluir sempre, mesmo em operações que já são estruturadas para operar com segurança.

Um exemplo é o projeto Vesta, com investimento de um pouco mais de R$800 milhões, consiste em um conjunto de soluções em tecnologia, equipamentos e sistemas de controle que ampliam ainda mais a estabilidade e a previsibilidade das operações.

Com operações cada vez mais estáveis, o acionamento do flare se torna menos frequente no Polo Petroquímico. E, justamente por isso, quando acontece, chama mais a atenção de quem está ao redor, por sair da rotina.

É importante esclarecer também que existem diferentes tipos de flare, cada um com uma função específica.

O flare elevado (stack flare), mais visível, está instalado no topo de estruturas altas e é utilizado principalmente quando há a necessidade de liberar rapidamente maiores volumes de gases, garantindo
dispersão eficiente e segurança operacional.

O flare ao nível do solo (ground flare) é menos visível e também tem uma ótima eficiência de queima. Durante a noite, pode gerar uma luminosidade característica, podendo deixar o céu alaranjado e é
perceptível por quem está na região.

Há ainda o flare enclausurado, uma tecnologia mais recente, que opera dentro de estruturas fechadas, reduzindo de forma significativa os impactos visuais, sonoros e luminosos, oferecendo também um
bom controle do processo de queima.

Segurança visível e diálogo com a comunidade

Independentemente do tipo, todos os flares têm o mesmo objetivo: proteger as pessoas, as instalações, as comunidades do entorno e o meio ambiente.

A presença desse parque de flares, com três modelos distintos e complementares, representa um importante diferencial positivo, evidenciando alto nível tecnológico, robustez operacional e investimentos consistentes em segurança, eficiência e sustentabilidade.

O episódio do último dia 17 de março reforça como esses sistemas funcionam na prática. Situações externas, como a interrupção de energia, são previstas nos projetos das plantas, que já contam com respostas automáticas e seguras para esses cenários.

Por isso, ao se tornar cada vez menos frequente graças aos investimentos realizados, o acionamento do flare passa a causar a sensação de algo grandioso e distinto, quando na verdade não é um evento fora
do comum, mas a atuação de um sistema confiável e preparado para proteger.

Ainda assim, sabemos que a visualização do flare pode gerar dúvidas, o que é absolutamente natural. Nesse contexto, manter um diálogo transparente com a comunidade é parte essencial do nosso trabalho, pois informar com clareza é tão importante quanto operar com segurança no Polo Petroquímico.

Seguiremos avançando com responsabilidade, investindo continuamente em segurança, tecnologia, inovação e diálogo. Quando a segurança se torna visível, ela também se torna uma oportunidade de reforçar nosso compromisso com as pessoas, com o meio ambiente e com as comunidades com as quais convivemos todos os dias.

Luis Pazin

Luis Pazin - Braskem - Polo Petroquímico do ABC
(Divulgação/Braskem)

Luis Pazin é diretor industrial da Braskem São Paulo.

  • Publicado: 09/04/2026 13:36
  • Alterado: 09/04/2026 13:36
  • Autor: Luis Pazin
  • Fonte: Braskem