O legado sombrio das bombas atômicas: 80 anos após Hiroshima e Nagasaki

A devastação em Hiroshima foi catastrófica, resultando na morte imediata de aproximadamente 70 mil pessoas

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Em agosto de 1945, Robert Lewis, copiloto do avião que lançou a primeira bomba atômica em combate na cidade japonesa de Hiroshima, expressou seu horror ao refletir sobre as consequências de tal ato. “Meu Deus, o que nós fizemos? Quantos nós matamos?” foram suas palavras em um momento de profunda consternação.

A devastação em Hiroshima foi catastrófica, resultando na morte imediata de aproximadamente 70 mil pessoas, com outras 70 mil sucumbindo posteriormente devido a queimaduras e exposição à radiação. Três dias após o ataque a Hiroshima, uma segunda bomba foi lançada sobre Nagasaki, elevando o número total de mortos para cerca de 200 mil.

Com o passar de oito décadas, o uso das armas nucleares em conflitos armados permanece um capítulo sombrio da história moderna. Desde então, a potência e a versatilidade das armas nucleares aumentaram, mas não foram mais utilizadas em combate direto contra seres humanos. O mundo atualmente conta com nove países dotados de arsenais nucleares, uma situação que contraria as previsões dos anos 60 sobre uma proliferação desenfreada.

No entanto, especialistas alertam que essa aparente contenção não deve levar à complacência. O clima de ansiedade durante a Guerra Fria deu lugar a uma negação após o colapso da União Soviética em 1991 e agora a uma normalização do armamento nuclear entre as nações que o possuem. Essa mudança é evidenciada pelas ações recentes dos Estados Unidos e da Rússia.

Durante sua presidência, Donald Trump ampliou os cenários em que as armas nucleares poderiam ser empregadas e retirou os EUA de dois importantes tratados de controle de armamentos. Recentemente, ele fez ameaças à Rússia utilizando submarinos nucleares como parte de sua retórica militar.

A Rússia, sob a liderança de Vladimir Putin, também tem utilizado a retórica nuclear como parte de sua estratégia desde o início da invasão da Ucrânia. As menções ao uso potencial de armas táticas têm sido uma ferramenta para moderar o apoio ocidental à Ucrânia.

Além disso, Putin anunciou novas diretrizes para o uso nuclear e congelou a participação russa no tratado Novo Start — um dos últimos acordos significativos de controle de armamentos — enquanto avança na instalação de mísseis próximos às fronteiras da OTAN.

A OTAN tem respondido ao crescente arsenal russo ao reabastecer suas bases europeias com armamento tático americano e reforçar suas operações conjuntas entre potências nucleares como Reino Unido e França.

Em resposta às movimentações russas, Belarus recebeu armas nucleares russas, levando países vizinhos como a Polônia a solicitar garantias semelhantes dos Estados Unidos. Em um cenário ainda mais complexo, a China tem acelerado seu programa nuclear e já possui cerca de 600 ogivas, conforme reportado pelo Pentágono.

O aumento das tensões globais envolvendo potências nucleares ressalta um paradoxo: apesar da teoria da dissuasão nuclear — que sugere que o medo do uso dessas armas previne guerras — os conflitos atuais têm potencial para escalar rapidamente. A situação na Ucrânia exemplifica essa preocupação ao envolver diretamente atores nucleares em um cenário belicoso.

De acordo com pesquisas recentes, uma parcela significativa da população americana acredita que as armas nucleares tornam o mundo mais perigoso e defende sua eliminação total. Enquanto isso, iniciativas como o Tratado de Proibição de Armas Nucleares ratificado por 73 países não incluem potências nucleares e muitas vezes são ignoradas nas discussões sobre desarmamento.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou em 2022 sobre os riscos iminentes associados às armas nucleares: “A humanidade está a um mal-entendido, um erro de cálculo da aniquilação nuclear”. À medida que o mundo avança para um futuro incerto, é vital reavaliar a segurança global e os riscos associados ao armamento nuclear.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 05/08/2025
  • Fonte: Sorria!,