O diabetes tipo 1 como protagonista na nova versão de Vale Tudo

A refilmagem abraça a realidade ao mostrar que quem vive com diabetes tipo 1 também pode trilhar uma vida intensa e com autonomia

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Na refilmagem de Vale Tudo, Solange Duprat ressurge como uma mulher complexa, empoderada e agora, também como alguém que vive com diabetes tipo 1. A decisão dos roteiristas de incluir essa condição na narrativa não é apenas um acerto dramático, mas um gesto de empatia e representatividade. Ao acompanhar os desafios na vida de Solange, o público se aproxima da realidade de milhões de pessoas que, mesmo diante das limitações impostas por uma doença crônica, continuam firmes em seus sonhos, amores e conquistas pessoais e profissionais.

“É essencial que a mídia aborde questões de saúde com responsabilidade e sensibilidade. A representação de personagens com condições crônicas pode inspirar e educar, mostrando que a vida continua com qualidade e dignidade”, afirma a endocrinologista do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Dra. Tarissa Petry.

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que o corpo deixa de produzir insulina, hormônio essencial para o controle da glicose no sangue. A condição costuma surgir ainda na infância ou juventude, exigindo controle rigoroso e aplicação diária de insulina. Diferente do tipo 2 que está associado à hereditariedade e aumento da gordura visceral e é mais comum após os 35 anos. É importante reforçar que a causa do diabetes tipo 1 não está ligado a sobrepeso ou sedentarismo, e não pode ser prevenido.

O tipo 2 merece atenção crescente: o rastreamento agora deve começar aos 35 anos, diante do avanço da doença nessa faixa etária. Um algoritmo proposto para diagnóstico facilita a identificação precoce, com base em testes como glicemia de jejum e hemoglobina glicada (HbA1c).

Na novela, Solange enfrenta os dilemas típicos da vida moderna: relacionamentos, trabalho, pressão social enquanto lida com a constante vigilância de uma doença invisível de forma natural e sem vergonha. E é justamente essa combinação que torna sua jornada tão potente. Uma mulher que precisa parar para medir a glicose entre uma reunião e outra, mas que também dança, ama, se frustra e recomeça.

Com essa escolha de roteiro, a teledramaturgia renova sua relevância ao incorporar temas atuais de saúde pública, contribuindo para a conscientização sobre o diabetes tipo 1. A novela demonstra que, embora a condição exija atenção constante à alimentação, à rotina e ao monitoramento da glicose, é possível manter uma vida plena, produtiva e equilibrada. A representação realista e responsável ajuda a normalizar o convívio com uma doença crônica, promovendo informação e empatia sem perder a leveza da narrativa.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 25/06/2025
  • Fonte: Fever