O Auto da Compadecida 2: um retorno emocionante ao sertão brasileiro
Nostalgia e inovação marcam a volta de João Grilo e Chicó nos cinemas. Prepare-se para uma nova jornada no sertão
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 25/12/2024
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O tão aguardado O Auto da Compadecida 2 estreia nos cinemas nesta quarta-feira, dia 25 de dezembro, trazendo de volta a icônica dupla João Grilo e Chicó, interpretados por Matheus Nachtergaele e Selton Mello, respectivamente. A nova produção é uma continuação que se propõe a revisitar a rica narrativa do primeiro filme, baseado na obra de Ariano Suassuna, mas agora com uma abordagem que incorpora as mudanças trazidas pelo tempo.
A ambientação segue em Taperoá, no sertão nordestino, onde a amizade entre os protagonistas se mantém, mesmo após duas décadas desde o lançamento do primeiro filme. Contudo, o diretor Guel Arraes não hesita em evidenciar as transformações ocorridas: João Grilo desapareceu e Chicó aguarda ansiosamente o retorno de Rosinha, interpretada por Virgínia Cavendish, enquanto novas figuras emergem no cenário local, como o Coronel Ernani (Humberto Martins).
Ariano Suassuna faleceu em 2014 sem deixar um desdobramento direto da peça original. Assim, o roteiro elaborado por Guel Arraes, Adriana Falcão e João Falcão apresenta uma inspiração no legado suassuniano, mas segue por um caminho próprio. O novo filme introduz personagens frescos à narrativa, tais como o Coronel Ernani e o radialista Arlindo (Sterblitch), que buscam explorar a popularidade de João Grilo para alavancar seus próprios interesses políticos. Outro personagem notável é Antônio do Amor (Luís Miranda), um trambiqueiro que se torna amigo de João.
Humberto Martins expressou sua empolgação ao mergulhar no universo de Suassuna e desenvolver seu personagem: “Eu fui construindo o Coronel Ernani de dentro pra fora, idealizando um homem austero e solitário”. Novidades também incluem Clarabela (Fabíula Nascimento), filha de Ernani, que retorna ao sertão com grandes expectativas e ilusões oriundas da vida na cidade grande. Taís Araújo assume o papel de Nossa Senhora e fala sobre a responsabilidade de interpretar uma figura tão significativa: “Ao entender a proposta do Guel Arraes, percebi a magnitude do papel. Foquei na conexão sagrada entre Nossa Senhora e João Grilo”.
As inovações não param por aí; a produção optou por uma estética moderna utilizando tecnologia digital avançada para criar os cenários do sertão. Matheus Nachtergaele destaca que “o tempo influenciou até na estética final do filme”, que respeita as características do longa anterior enquanto incorpora as possibilidades contemporâneas.
Selton Mello relembra como as decisões tecnológicas do primeiro filme surpreenderam a audiência na época e espera que O Auto 2 provoque reações semelhantes. “O primeiro filme foi uma ousadia técnica para o contexto daquela época”, reflete Mello.
Além das questões técnicas, a nova narrativa também reflete sobre as transformações no cinema nacional desde a estreia do primeiro filme em 2000. Naquele período, o Brasil ainda se recuperava de crises econômicas e sociais; agora, após anos de polarização política que afetaram profundamente o setor audiovisual, há um chamado à reconstrução da relação do público com o cinema brasileiro. Segundo Nachtergaele: “A celebração de Auto 2 é um convite para reiniciar essa conexão perdida com as telas”.
Com temas atuais e uma trama repleta de nostalgia e esperança, O Auto da Compadecida 2 promete não apenas entreter, mas também provocar reflexões sobre a cultura brasileira e sua evolução ao longo das últimas duas décadas.