Nvidia projeta alta receita com data centers no Brasil em 2026
Incentivos fiscais e demanda por IA impulsionam a estratégia da gigante para expandir a infraestrutura local
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 24/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Considerada a empresa mais valiosa do mundo, a Nvidia traçou uma meta ambiciosa para o mercado brasileiro: aumentar expressivamente as receitas oriundas de data centers a partir de janeiro de 2026. Segundo Márcio Aguiar, diretor da companhia na América Latina, o cenário atual de vendas ainda é modesto e restrito a iniciativas de pesquisa, mas a perspectiva de mudança é sólida.
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Impacto da Medida Provisória e Expansão Global
O otimismo da corporação apoia-se no programa governamental Redata, desenhado para reduzir a carga tributária sobre componentes vitais para a infraestrutura de processamento de dados. Aguiar reforçou a expectativa do setor:
“Estamos ansiosos para que o governo federal formalize este regime especial de tributação para serviços de data center no Brasil.”
A virada de chave está prevista para 2026, quando uma Medida Provisória (MP) deverá isentar de tributos federais os produtos do setor de processamento de dados. A medida beneficia diretamente as GPUs (unidades de processamento gráfico) e os chips avançados da Nvidia, produtos que hoje correspondem a 90% das vendas da gigante tecnológica. Para que o planejamento se concretize, a aprovação do Congresso precisa ocorrer até 2 de janeiro.
No cenário internacional, a empresa diversifica suas parcerias para mitigar os efeitos do veto comercial dos Estados Unidos à China. O CEO Jensen Huang tem liderado essa expansão, firmando acordos na Alemanha, no Reino Unido e uma parceria estratégica com a Nokia, na Finlândia. O Brasil surge como prioridade nesse xadrez global, com a equipe local já mobilizada para atender à futura demanda.
Resultados Financeiros e Movimentação dos Hyperscalers
O último balanço financeiro da Nvidia demonstrou a força da companhia, com uma estimativa de faturamento próxima a US$ 65 bilhões (R$ 346,7 bilhões) para o trimestre que encerra em janeiro. O montante supera em US$ 3 bilhões as previsões dos analistas de mercado.
Os maiores clientes da empresa são os chamados hyperscalers — provedores de nuvem pública como Amazon, Microsoft, Google e Huawei. O interesse também é massivo por parte de líderes em inteligência artificial, como a Meta e a OpenAI.
Aguiar destaca que a saturação da capacidade elétrica nos Estados Unidos tem forçado essas empresas a buscarem alternativas na América Latina. O México saiu na frente devido à proximidade geográfica e acordos comerciais, mas o executivo vê o Brasil como um destino inevitável:
“O país possui toda a infraestrutura necessária, incluindo energia limpa e acessível, além de conexões com outras partes do mundo. Contudo, os altos custos tributários têm sido um grande impedimento para atrair investimentos locais.”
Inteligência Artificial e Novos Mercados
Apesar do anúncio de US$ 25 bilhões em investimentos da OpenAI na Argentina, a Nvidia informou que a operação ainda não resultou na compra de suas GPUs na região, uma vez que a parceira local, Sur Energy, ainda não estabeleceu conexão direta com a fornecedora de chips.
A tecnologia da empresa é o motor por trás da revolução da IA Generativa. O ChatGPT, por exemplo, utilizou 25 mil GPUs operando por cinco meses para o treinamento do GPT-4. Visando democratizar o acesso, a companhia prepara o lançamento do DGX Spark, posicionado como o “menor supercomputador de IA do mundo”.
Aguiar alerta para uma visão equivocada do mercado sobre os custos de entrada na IA:
“É possível iniciar com um sistema básico em torno de R$ 40 mil, ao invés da ideia errônea de que seriam necessárias 10 mil GPUs.”
Além dos data centers, a divisão automotiva e de robótica desponta como a nova fronteira de crescimento, tendo registrado alta de 32% no último ano fiscal e gerando quase US$ 2 bilhões anualmente.