Número de Mulheres na indústria cresceu 70% nos últimos 5 anos
Levantamento da Firjan revela salto expressivo na contratação feminina desde 2020, apontando os desafios para alcançar a equidade no setor.
- Publicado: 09/03/2026
- Alterado: 09/03/2026
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Firjan
A presença de mulheres na indústria fluminense registrou um salto impressionante nos últimos anos. Dados recentes revelam um crescimento de 70% nas contratações femininas desde 2020. Esse avanço supera de forma significativa o aumento observado entre o público masculino, que marcou 34% no mesmo período.
Apesar desse recorde histórico positivo, o cenário atual exige reflexão profunda. A participação feminina no chão de fábrica e em cargos de liderança continua desproporcional quando comparada a outros grandes setores da economia nacional.
O cenário atual para mulheres na indústria do Rio de Janeiro
Em 2025, a fatia ocupada pelas trabalhadoras alcança apenas 22,3% do total no estado. Os homens dominam os postos de trabalho remanescentes, preenchendo 77,7% das vagas. Essa discrepância consolida a manufatura como o segundo setor com maior desigualdade de gênero no mercado fluminense.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) publicou os detalhes dessa dinâmica mercadológica. A entidade analisou métricas de 130 empresas fluminenses e cruzou as informações com os indicadores da Pnad do IBGE.
O resultado expõe a lentidão da mudança estrutural, evidenciando que em dez anos a força de trabalho feminina subiu somente 3,3%. Para entender esse déficit crônico, precisamos avaliar a distribuição demográfica exata. Elas são maioria absoluta em apenas dois dos 33 segmentos mapeados:
- Vestuário e acessórios: 66,9% de presença feminina.
- Artefatos de couro e calçados: 58,8% das posições ocupadas.
Esses números concentrados em áreas específicas refletem a dificuldade de expansão para ramos tradicionalmente ocupados por homens. O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, contextualiza a importância de medir e combater essa lacuna estrutural.
“As mulheres na indústria têm apenas 22,3% da força de trabalho do Rio de Janeiro, enquanto os homens correspondem a 77,7% da ocupação. É o segundo setor com maior desigualdade de gênero no estado. O estudo busca identificar desigualdades persistentes, reconhecer avanços já alcançados e apontar oportunidades de aprimoramento, contribuindo para o desenvolvimento de políticas de diversidade, equidade e inclusão e para a construção de uma indústria mais competitiva, inovadora e representativa em todo o estado. A produção e a análise de dados consistentes sobre diversidade, equidade e inclusão (DEI) são fundamentais para orientar o avanço necessário.”
Barreiras estruturais e a urgência de inclusão corporativa
A presidente do Conselho Empresarial de Mulheres da Firjan, Carla Pinheiro, aponta as raízes desse desequilíbrio persistente. A empresária do setor de joias destaca que a baixa adesão feminina espelha obstáculos socioculturais severos, bloqueando o acesso a cadeias de base, energia, bens duráveis e infraestrutura.
“Isso evidencia barreiras estruturais e culturais à inserção das mulheres em áreas industriais. A necessidade de políticas públicas e iniciativas empresariais voltadas à inclusão feminina são essenciais para promover maior equidade e diversidade no setor.”
Para reverter esse quadro histórico, grandes corporações apostam em programas de qualificação focados em diversidade. O mercado de trabalho já testemunha ações afirmativas que impulsionam ativamente a entrada e a permanência de mulheres na indústria fluminense.
Projetos que transformam o mercado de trabalho
A mudança real acontece através de treinamento técnico direcionado e metas de contratação. Entre os destaques corporativos levantados pelo diagnóstico estadual, encontram-se iniciativas de alto impacto:
- Autonomia e Renda Petrobras: Foco na independência econômica e geração de renda para grupos minoritários via qualificação.
- Escola de Mulheres Eletricistas (Enel): Formou 46 profissionais em 2025, ostentando uma taxa de contratação interna de 78%.
- Gestão e Governança Corporativa Feminina: Parceria entre Firjan IEL e Cedae desenhada para fortalecer o papel de lideranças.
- Elas Transformam: Projeto da Firjan SENAI SESI em conjunto com a Iconic para capacitar operadoras petroquímicas na Baixada Fluminense.
- Capacitação em Hidráulica: Curso gratuito de Instalador Hidráulico viabilizado pela Iguá na zona oeste da capital.
O caminho rumo à equidade de gênero no setor fabril demanda constância e investimentos robustos. O avanço acelerado dos últimos cinco anos atesta o grande potencial de transformação do mercado. Contudo, erradicar a disparidade sistêmica exigirá novas políticas de retenção e um compromisso corporativo inabalável. Somente com esforços integrados será possível garantir um futuro justo, seguro e plenamente representativo para as mulheres na indústria.