Número de passageiros cai no transporte público de SP
Redução de passageiros no transporte público SP ocorre em 2025, mesmo com aumento recorde dos subsídios municipais
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 02/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A cidade de São Paulo inicia 2026 com mudanças estruturais na mobilidade urbana. A partir da próxima terça-feira (6), a tarifa de ônibus SP passará a custar R$ 5,30. O anúncio, feito pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) no final de dezembro, ocorre em um cenário paradoxal: queda no número de passageiros e aumento histórico dos repasses municipais às empresas operadoras.
Redução de passageiros e subsídios recordes

Dados da SPTrans indicam que o sistema transportou 2,12 bilhões de passageiros em 2025, uma queda de 1,8% em relação a 2024. Apesar do menor número de usuários, o custo para manter os coletivos circulando atingiu níveis inéditos.
Para manter a tarifa acessível, a Prefeitura aplicou subsídios recordes de R$ 7,2 bilhões em 2025, uma alta de 7,4% em relação ao ano anterior, superando a previsão inicial de R$ 6,5 bilhões. Sem esse aporte, cada passagem custaria R$ 13,49 ao usuário. Com a nova tarifa de ônibus, a diferença de R$ 8,19 por passageiro será paga pelo Tesouro Municipal.
Nos últimos dois anos, os subsídios cresceram 35,8%, incluindo R$ 864 milhões referentes à Tarifa Zero nos domingos e 45% relacionados ao Bilhete Único e integrações entre ônibus e trilhos.
Reajuste acima da inflação gera críticas

O aumento de 6% na tarifa de ônibus SP superou a inflação acumulada de 3,9% entre janeiro e novembro de 2025. A administração municipal defende que, desde 2020, a correção de 20,45% ainda é inferior à inflação de 38,4%.
Especialistas contestam a decisão. Rafael Calábria, pesquisador do BRCidades, afirma que o reajuste é “basicamente político” e desconsidera o impacto social: “A justificativa é baseada na inflação, mas ignora os custos reais e o risco de afastar usuários do sistema devido ao preço mais alto”.
O perfil do passageiro mudou: o percentual de pagantes caiu de 54% em 2023 para 50% em 2025, enquanto as gratuidades para estudantes, idosos e pessoas com deficiência subiram para 29%.
Integração e prazo para recarga do Bilhete Único

A integração entre ônibus e trilhos (Metrô/CPTM) subirá de R$ 8,90 para R$ 9,38, e o Vale-Transporte passará para R$ 11,32.
Os usuários têm até segunda-feira, 5 de janeiro, para recarregar o Bilhete Único pelo valor antigo de R$ 5,00. O saldo acumulado será válido por até 180 dias. As recargas feitas a partir de terça-feira (6) já sofrerão o débito do novo valor.