Número de mortos vítimas da queda de ponte na Itália sobe para 42

Parentes dos mortos no desabamento da ponte Morandi culpam governo italiano pelo incidente. Quase mil pessoas continuam procurando de 10 a 20 desaparecidos

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O número de mortos vítimas da queda da ponte em Gênova, na Itália, subiu para 42. Neste sábado, o presidente italiano, Sergio Mattarella, participou do funeral de algumas das vítimas.

O número não oficial de mortos subiu, depois que a equipe de resgate encontrou quatro corpos nos escombros da Ponte Morandi, que caiu na última terça-feira. Investigadores estão trabalhando para ver se houve falha de projeto ou manutenção inadequada.

Além do presidente, participaram também do funeral o primeiro-ministro, Giuseppe Conte, e vários membros de seu gabinete, incluindo o ministro de transporte e infraestrutura da Itália.

Outros funerais ocorreram na sexta-feira, em meio a protestos culpando as autoridades por não traçarem um plano de segurança da ponte.

FAMÍLIAS DE 17 MORTOS REJEITAM PARTICIPAR DE FUNERAL

A Itália se prepara para enterrar os mortos da tragédia de Gênova, em meio a uma crescente polêmica e ao mesmo tempo que prosseguem as buscas por desaparecidos sob os escombros da ponte que desabou na terça-feira.

Os funerais solenes estão programados para este sábado, 18, no centro de exposições de Gênova, com uma missa celebrada pelo arcebispo de Milão na presença das principais autoridades da Itália, incluindo o presidente Sergio Mattarella.

A cerimônia, no entanto, pode ser incômoda para as instituições italianas já que as famílias de 17 das 38 vítimas preferem não participar e, segundo o jornal La Stampa, outras sete famílias ainda não tomaram uma decisão.

“Não queremos uma farsa de funeral, e sim uma cerimônia em casa, em nossa igreja, na Torre de Greco”, escreveu nas redes sociais Roberto, pai de Giovanni Battiloro, um dos quatro jovens deste município, em Nápoles, que se dirigiam de carro para Barcelona para passar férias.

“Meu filho não se transformará em um número na lista de mortes provocadas por uma falta de eficiência italiana”, acrescentou, ao mesmo tempo que pediu justiça.

Além de Roberto, Nunzia, mãe de Gerardo Esposito, outro dos quatro amigos napolitanos, apontou aos veículos de imprensa que “o Estado causou isto” e disse que “a visita de políticos é vergonhosa”. “Que não mostrem suas caras.”

Também é o caso dos parentes de Alessandro Robotti e de sua mulher, Giovanna Bottaro, que realizarão um funeral privado também no sábado na paróquia do município de Arquata Scrivia, na região da Ligúria, informou a imprensa local.

Ao mesmo tempo, as equipes de resgate ainda procuram entre 10 e 20 desaparecidos que poderiam estar no viaduto no momento da tragédia. O balanço oficial continua o mesmo: 38 mortos e 15 feridos.

“As buscas prosseguem, com a demolição e retirada de grandes blocos do viaduto desabado, para encontrar os desaparecidos”, informou o corpo de bombeiros. Quase mil pessoas trabalham no local da tragédia, incluindo 350 bombeiros.

POLÊMICA COM CONCESSIONÁRIA
A grande controvérsia entre o governo italiano e a empresa que administra a rodovia, a Autostrade per l’Italia, ocupa as manchetes da imprensa e não dá trégua.

O governo anunciou a intenção de revogar o contrato de concessão da empresa no trecho que fica a ponte. “Você não pode morrer depois de pagar um pedágio na Itália”, declarou Di Maio, que também é ministro do Desenvolvimento Econômico e líder do Movimento 5 Estrelas (M5S).

“Não podemos esperar a justiça penal”, afirmou Conte. “A Autostrade tinha o dever e a obrigação, o compromisso, de garantir a manutenção deste viaduto e a segurança de todos os que transitavam por ele”.

O grupo Atlantia, controlado pela família Benetton, proprietário da Autostrade per l’Italia, respondeu que os controles de segurança estavam corretos.

A empresa afirmou que trabalhará “com afinco” na reconstrução da ponte, uma obra que deve terminar em “cinco meses”, assim que o local for liberado após as operações de busca.

Além da concessionária, o outro alvo dos ataques do governo italiano é a União Europeia (UE) e sua política de austeridade, acusada pelo novo Executivo do país de impedir novos investimentos.

A Comissão Europeia afirmou que estimulou a Itália a investir em infraestruturas e recordou que os Estados membros têm liberdade para “fixar prioridades políticas específicas, como por exemplo o desenvolvimento e a manutenção das infraestruturas”.

A Liga Italiana de futebol terá a primeira rodada da temporada 2018-19 no fim de semana, mas as partidas de Sampdoria e Genoa, as duas equipes da cidade, previstas para domingo, foram adiadas. As outras partidas respeitarão um minuto de silêncio antes do pontapé inicial.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 18/08/2018
  • Fonte: FERVER