Novo tratamento contra câncer de próstata é aprovado no Brasil
Combinação de medicamentos mostra eficácia em casos com metástase e mutação genética; custo elevado ainda é obstáculo para acesso público
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 03/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em junho um novo tratamento para o câncer de próstata em estágio avançado, quando há metástase e resistência ao bloqueio hormonal. A terapia é baseada na combinação dos medicamentos talazoparibe e enzalutamida, indicada para pacientes com tumores que continuam a progredir mesmo após o tratamento hormonal convencional.
De acordo com especialistas, cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata evoluem para a forma metastática resistente ao bloqueio hormonal, conhecida como mCRPC. Entre esses, um grupo ainda mais grave apresenta mutações no gene de reparo por recombinação homóloga (HRR), que afeta aproximadamente 4% dos casos. Essa alteração genética compromete a capacidade de reparação das células e acelera a progressão da doença.
Estudo clínico aponta redução no risco de progressão e morte
A nova combinação de medicamentos foi testada em estudo de fase 3, publicado em 2023 na revista científica Nature Medicine. Os resultados mostraram que a associação de talazoparibe (comercializado como Talzenna, da Pfizer) e enzalutamida (nome comercial Xtandi, da farmacêutica Accord) reduziu em 55% o risco de progressão do câncer e de morte em pacientes com metástase e mutação HRR, em comparação com a combinação de enzalutamida e placebo.
“Essas drogas vão provocar a morte de células que estão em proliferação, principalmente as cancerígenas”, explica Frederico Leal, oncologista do Hospital das Clínicas da Unicamp. Segundo ele, os cânceres com deficiência no gene HRR têm comportamento mais agressivo e são mais propensos a se espalhar, mesmo após a terapia hormonal.
Apesar da eficácia, o tratamento ainda não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). O custo também é um desafio: o Talzenna custa cerca de R$ 40 mil por mês, enquanto o Xtandi custa aproximadamente R$ 10 mil mensais, totalizando cerca de R$ 50 mil por paciente a cada mês de tratamento.
Diagnóstico precoce segue como principal aliado
Em 2023, o câncer de próstata causou 17.093 mortes no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, um número próximo ao das vítimas do câncer de mama no país. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) destaca a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, que continuam sendo os métodos mais eficazes para aumentar as chances de cura.
A recomendação é que homens a partir dos 50 anos façam consultas periódicas com urologistas. Para os que têm histórico familiar da doença, o ideal é iniciar o acompanhamento aos 45 anos. Quando detectado em estágio inicial, o câncer de próstata pode ser tratado com cirurgia de retirada da próstata (prostatectomia radical) ou radioterapia.
Nos casos mais avançados, além da nova terapia combinada, também estão disponíveis tratamentos com quimioterapia ou radiofármacos. “A gente tem hoje um arsenal bastante variado para usar contra o câncer de próstata avançado”, conclui o oncologista Frederico Leal.