Novo secretário de Cultura de SP, Totó Parente, enfrenta desafios e críticas na gestão cultural
Totó Parente: o novo secretário de cultura que desafia preconceitos e traz experiência política para São Paulo; entenda suas propostas e desafios!
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 27/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
Apesar de uma sensação térmica próxima aos 35°C, José Antônio Parente, mais conhecido como Totó Parente, mantém-se fresco em sua camisa branca. Natural de Cuiabá, ele reconhece que a cidade é famosa por suas altas temperaturas, embora afirme estar há muito tempo longe de casa. “É sempre assim, 40, 42, 43°C. Eu sei como é”, comenta.
Como novo secretário municipal de cultura da gestão de Ricardo Nunes (MDB), Parente enfrenta um desafio peculiar: a sua condição de forasteiro. Desde que assumiu o cargo há cerca de três semanas, ele se deparou com críticas que questionam sua familiaridade com a cena cultural paulistana.
Alguns críticos argumentam que, como ex-vereador em Cuiabá e recém-chegado a São Paulo, Parente carece de conhecimento sobre as especificidades e demandas culturais da cidade. Em resposta a essas críticas, ele defende que tal percepção é uma forma de xenofobia. “Eu me sinto tão paulistano quanto qualquer pessoa que nasceu aqui. Minha vida está entrelaçada com esta cidade”, afirma, ressaltando seu envolvimento em diversas esferas da vida local.
Parente traz consigo uma vasta experiência política, tendo atuado em Brasília e colaborado com figuras proeminentes como Lindbergh Farias (PT-RJ) e Dilma Rousseff (PT). No entanto, sua falta de experiência direta na gestão cultural tem sido um ponto de controvérsia entre os observadores do setor.
Em seu discurso sobre a pasta da cultura, ele enfatiza que seu papel é promover o diálogo. Recentemente, a prefeitura se viu envolvida em um imbróglio relacionado ao uso irregular de recursos da Lei Aldir Blanc. Embora não estivesse na secretaria na época do incidente, Parente esclarece que buscou transparência nas questões financeiras relacionadas ao teatro municipal.
Embora sua trajetória não inclua cargos anteriores na administração cultural, Parente acredita estar capacitado para gerenciar a secretaria devido à sua experiência em articulação política no Ministério do Planejamento e Orçamento. “Fui responsável por criar diálogos complexos entre diferentes setores”, observa.
A primeira ação como secretário envolve o contato com ex-secretários para coletar experiências e opiniões sobre a gestão cultural. Em seu gabinete no edifício Sampaio Moreira, Parente observa um dos maiores desafios de sua administração: o Theatro Municipal, que enfrenta crises há mais de uma década e é atualmente gerido pela organização social Sustenidos.
Recentemente, o Tribunal de Contas do Município solicitou um novo edital para escolher uma nova entidade gestora do teatro após diversas controvérsias financeiras. Embora tenha pouco tempo no cargo para avaliar a gestão atual da Sustenidos, Parente garante que um novo edital está sendo elaborado.
Origem humilde marca a história de Parente, que nasceu em uma aldeia indígena e cresceu em uma pequena cidade no Mato Grosso. Desde jovem, ele se envolveu ativamente na militância política e estudantil, tornando-se uma figura conhecida na organização do movimento dos caras pintadas durante o impeachment de Fernando Collor.
A escolha de Parente para liderar a cultura paulista foi vista por alguns como uma estratégia para lidar com as demandas frequentemente contestadoras desse setor. Em relação à sua posição política atual, ele se define como “radicalmente de centro”, enfatizando a importância das pautas sociais e culturais defendidas tanto por sua antiga militância quanto pela atual gestão.
Criticado por alguns grupos por conta da nomeação de Lyara Oliveira na Spcine e acusada de dominância identitária nas decisões da secretaria, Parente acredita que essas críticas são precipitadas mas entende que fazem parte do jogo democrático.
Considerado por muitos como um “quadro” político valioso devido à sua habilidade em articulação e liderança ao longo dos anos, Parente é constantemente convocado para funções significativas tanto em São Paulo quanto em outras partes do país. Contudo, ele assegura que seu compromisso com a Secretaria Municipal de Cultura é firme e inabalável. “Este é o projeto mais desafiador da minha vida”, finaliza.