Novo remédio para Alzheimer é aprovado pela Anvisa
Anvisa libera uso do lecanemabe para casos iniciais. Medicamento reduz placas no cérebro e desacelera perda cognitiva em pacientes.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 08/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O Alzheimer acaba de ganhar um novo capítulo na medicina brasileira com a decisão recente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O órgão regulador aprovou o lecanemabe, comercializado como Leqembi, voltado especificamente para o tratamento da doença em estágios iniciais e para quadros de comprometimento cognitivo leve (CCL).
Desenvolvido pela parceria entre a japonesa Eisai e a Biogen, o fármaco não promete a cura. Sua função é atuar diretamente na redução das placas de proteína beta-amiloide no cérebro. O acúmulo dessas placas é um dos marcadores biológicos centrais do Alzheimer, causando a degeneração dos neurônios.
A oficialização ocorreu em 22 de dezembro. Diferente de terapias anteriores que apenas mascaravam sintomas, esta nova abordagem busca modificar o curso da patologia. Embora não reberta a perda de memória ou desorientação já estabelecida, o tratamento possui potencial comprovado para desacelerar a progressão do Alzheimer.
Como o remédio age contra o Alzheimer
O mecanismo de ação do lecanemabe foca na limpeza cerebral. As placas de beta-amiloide e tau obstruem a comunicação entre as células nervosas. Ao reduzir a carga dessas proteínas, o medicamento preserva as funções cognitivas por mais tempo.
Mychael Lourenço, professor do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ, analisa o impacto dessa aprovação:
“Embora não seja uma cura, retardar a progressão da doença é uma vantagem significativa em comparação a outros tratamentos disponíveis.”
Essa característica distingue o novo fármaco de opções antigas, como donepezila e memantina. Enquanto estes perdem eficácia rapidamente, o lecanemabe oferece uma janela terapêutica mais duradoura para quem convive com o Alzheimer.
Evidências científicas do estudo Clarity AD
A aprovação baseia-se no ensaio clínico global de Fase 3, denominado Clarity AD. O estudo acompanhou 1.795 voluntários diagnosticados com Alzheimer em fase inicial durante 18 meses.
Os resultados foram claros. O grupo tratado com Leqembi apresentou um declínio cognitivo estatisticamente menor em comparação aos pacientes que receberam placebo. Iniciar o protocolo precocemente mostrou-se vital para maximizar a qualidade de vida e prolongar a autonomia do paciente.
Riscos, contraindicações e cenário atual
Apesar do otimismo, a comunidade médica mantém cautela. A eficácia clínica, embora comprovada, é considerada modesta por alguns especialistas, e os efeitos colaterais exigem monitoramento rigoroso. O uso do medicamento para Alzheimer pode desencadear reações adversas sérias.
Os principais riscos incluem:
- Hemorragias cerebrais menores.
- Dores de cabeça frequentes.
- Edema cerebral (inchaço).
A Anvisa estabeleceu diretrizes rígidas. Pacientes com histórico de sangramentos, edemas por acúmulo de líquido no cérebro ou usuários de anticoagulantes contínuos não devem utilizar o lecanemabe.
Barreiras de acesso no Brasil
O Brasil agora possui dois medicamentos modernos na categoria. O primeiro foi o Kisunla (donanemab), da Eli Lilly, aprovado em abril de 2025. Contudo, o custo elevado é um obstáculo real para a democratização do tratamento do Alzheimer.
Nos Estados Unidos, o tratamento anual supera US$ 50 mil (cerca de R$ 269 mil). Mychael Lourenço alerta para a dificuldade de incorporação ao SUS (Sistema Único de Saúde), dado o impacto orçamentário. O acesso deve se restringir, inicialmente, à rede privada ou via judicialização.
Rodrigo Nascimento, diretor médico da Eisai Brasil, reforça a urgência da inovação. Segundo ele, dois milhões de brasileiros vivem com demência, e 70% desses casos são atribuídos ao Alzheimer. Com projeções indicando que esse número pode triplicar até 2050, cada avanço terapêutico é crucial para enfrentar a epidemia de Alzheimer.