Novo papa Leão XIV tem histórico de críticas a Trump
Novo pontífice americano já havia se posicionado contra a retórica anti-imigratória de Trump e de J.D. Vance, atual vice-presidente católico dos Estados Unidos
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 08/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O cardeal Robert Francis Prevost foi oficialmente nomeado papa, fazendo história ao se tornar o primeiro pontífice nascido nos Estados Unidos. A escolha foi celebrada pelo presidente Donald Trump, que, em sua rede Truth Social, expressou entusiasmo: “Parabéns ao cardeal Prevost, é uma grande honra saber que ele é o primeiro papa americano.” Trump ainda completou: “Que emoção e que grande honra para nosso país. Estou ansioso para conhecer o papa Leão 14. Será um momento muito significativo!”

No entanto, o entusiasmo de Trump contrasta com a trajetória do novo pontífice. Conhecido por sua postura crítica às políticas migratórias do governo republicano, Robert assume o papado com uma visão que desafia diretamente a narrativa nacionalista.
Voz latina no Vaticano
Nascido em Chicago, Prevost consolidou uma carreira estratégica no Vaticano, liderando o Dicastério para os Bispos e a Pontifícia Comissão para a América Latina. Com cidadania americana e peruana, ele desenvolveu um olhar aguçado para as questões sociais e religiosas da região, mantendo um compromisso com uma Igreja sinodal e missionária.

Em seu discurso de posse, o novo papa reafirmou o desejo de fortalecer os laços com a América Latina, citando o Peru como símbolo de resistência e fé. A escolha desse foco contrasta com a expectativa de um pontificado centrado nos interesses dos Estados Unidos.
O choque com a retórica anti-imigração
A liderança de Leão XIV rapidamente se viu envolta em polêmicas políticas. Em fevereiro, ele compartilhou um artigo do National Catholic Reporter que criticava declarações do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, defensor da ideia de que “o amor deve começar pela família e pela comunidade antes de se estender ao mundo”. Na ocasião, o pontífice rebateu com firmeza, destacando o título da matéria: “J.D. Vance está errado: Jesus não pede para classificar nosso amor pelos outros.”
A manifestação pública reforçou sua posição inclusiva e universalista do cristianismo, colocando-o em contraste direto com a ala conservadora da política americana. O novo papa também relembrou um episódio de 2015, quando criticou a política migratória de Trump, acusando o governo de instrumentalizar a fé para justificar práticas excludentes.
Um novo rumo para a Igreja
A nomeação de Leão XIV inaugura um novo capítulo na Igreja Católica, abrindo espaço para um debate profundo sobre seu papel no cenário político contemporâneo. Ao adotar uma postura crítica às práticas conservadoras, especialmente em relação à imigração e justiça social, o pontífice desafia o pensamento tradicional e reforça seu compromisso com uma fé sem barreiras.

A partir de agora, todas as atenções estão voltadas para Robert e seu ousado compromisso com uma fé que atravessa fronteiras e desafia preconceitos. Em um cenário político cada vez mais polarizado, sua liderança promete provocar reflexões profundas sobre o papel da Igreja, reafirmando a luta por justiça social e por um cristianismo verdadeiramente universal. Leão XIV surge como uma figura capaz de confrontar narrativas conservadoras e revitalizar a voz da Igreja diante dos dilemas contemporâneos.