Novas diretrizes de cardiologia são definidas no Brasil

A SBC apresentou novas diretrizes para doenças cardiovasculares, focando em prevenção e tratamento, como controle de colesterol e pressão arterial.

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A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apresentou recentemente suas novas diretrizes para o enfrentamento das principais doenças cardiovasculares durante seu congresso anual, realizado em São Paulo. Essa iniciativa reflete uma crescente preocupação global com a saúde cardíaca.

Nas últimas décadas, houve uma significativa redução nas mortes provocadas por doenças infecciosas, enquanto as enfermidades cardiovasculares passaram a ser a principal causa de óbitos no Brasil, conforme apontam os dados mais recentes.

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O Dia Mundial do Coração, celebrado nesta segunda-feira (29), foi criado pela World Heart Federation como resposta ao aumento das fatalidades relacionadas a doenças cardíacas. No Brasil, a campanha “Cada Coração Importa“, promovida pela SBC, se une a essa causa global, com ações educativas e de conscientização realizadas ao longo de setembro.

Infelizmente, no Brasil, muitos indivíduos falecem precocemente devido a doenças cardiovasculares. Esses problemas poderiam ser geridos de forma mais eficaz se fossem tratados em idades mais avançadas”, destacou Paulo Caramori, presidente da SBC.

De acordo com Caramori, a SBC está concentrando esforços em três áreas principais: educação médica continuada, elaboração de políticas públicas em colaboração com autoridades e orientação ao público geral. Ele enfatiza que as novas diretrizes devem ser amplamente divulgadas entre profissionais da saúde e pacientes.

Para iniciar a prevenção de doenças cardiovasculares, o presidente recomenda hábitos saudáveis como não fumar, manter uma alimentação equilibrada evitando produtos ultraprocessados, praticar atividades físicas regularmente, garantir um sono adequado e cuidar da saúde mental.

Em seguida, é fundamental monitorar indicadores como colesterol, pressão arterial e glicemia para prevenir diabetes. As novas diretrizes incluem orientações sobre como prevenir índices prejudiciais. A seguir, estão os pontos principais das atualizações:

Colesterol: Avaliação de Risco e Ajuste Medicamentoso

A SBC estabeleceu novas metas para os níveis de colesterol LDL (considerado “colesterol ruim”) para minimizar os riscos de doenças cardiovasculares. Esses limites variam conforme a categoria de risco do paciente, que deve ser avaliada por um médico.

  • Baixo risco: menor que 115 mg/dL
  • Risco intermediário: menor que 100 mg/dL
  • Alto risco: menor que 70 mg/dL
  • Muito alto risco: menor que 50 mg/dL
  • Risco extremo: menor que 40 mg/dL

A mudança proposta sugere que os pacientes realizem exames de sangue para medir seus níveis de colesterol e consultem um médico para determinar se estão em situação de risco. Caso afirmativo, devem considerar o uso de estatinas para controle.

Pressão Arterial: Atenção ao “12 por 8”

A nova diretriz estabelece que a pressão arterial sistólica deve estar abaixo de 120 mmHg e a diastólica inferior a 80 mmHg para evitar a classificação como pré-hipertensão. Assim, o famoso “12 por 8” passa a ser um sinal de alerta.

“Se a sua pressão arterial estiver acima desses valores, isso representa um fator de risco e deve-se buscar orientação médica”, afirma Caramori.

Ramon Andrade de Melo, médico clínico geral do Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital Alemão Oswaldo Cruz, acrescenta que o diagnóstico deve considerar medições alteradas em diferentes momentos clínicos. “Além disso, o uso de exames como o MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) é recomendado pela SBC”, complementa.

Obesidade: Avaliação do Risco Cardiovascular

A nova diretriz relativa à obesidade sugere que todos os adultos com sobrepeso ou obesidade tenham sua condição cardiovascular avaliada por meio de um método padronizado que considera não apenas o índice de massa corporal (IMC), mas também outros fatores pelo escore Prevent.

O documento também recomenda a utilização de medicamentos para tratar obesidade e diabetes, como semaglutida e tirzepatida. Uma perda de apenas 5% do peso corporal já pode contribuir significativamente para melhorar os indicadores cardiovasculares.

A mudança proposta implica que os pacientes priorizem estratégias não farmacológicas para emagrecimento; no entanto, caso essas abordagens não sejam eficazes, devem considerar as opções medicinais disponíveis. “Esses medicamentos demonstraram eficácia na redução dos riscos cardiovasculares”, conclui Caramori.

Dor Torácica: Busca Imediata por Atendimento Médico

A diretriz enfatiza que qualquer episódio de dor torácica — sintoma característico do infarto — exige atenção médica imediata. O eletrocardiograma (ECG) deve ser realizado e analisado em até 10 minutos após o primeiro contato com o paciente.

A dor torácica pode irradiar desde o queixo até a região abdominal e pode vir acompanhada por mal-estar ou sudorese intensa. Qualquer pessoa com esses sintomas deve buscar uma emergência médica imediatamente“, alerta Caramori.

A mudança proposta nesta diretriz reforça a necessidade já reconhecida de atendimento rápido; no entanto, a definição do tempo máximo para análise do ECG em 10 minutos promete otimizar os processos clínicos: “Isso terá um impacto positivo significativo na avaliação da necessidade ou não de intervenções adicionais para o paciente“, conclui Andrade.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 29/09/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo