Nova Rodoviária de São Vicente sofre com atrasos e promessas

Prometida para 2025, adiada para o início de 2026 e agora com entrega prometida para Junho, a nova Rodoviária de São Vicente sofre com atrasos nas obras.

Crédito: Reprodução/THMais

Entre a promessa de entrega da Rodoviária de São Vicente, os atrasos nas obras esfregam na cara da população vicentina que empurrar com a barriga é o mais simples. O que deveria ser o marco de melhora no fluxo e modernização no transporte público da cidade em 2024, tornou-se, atualmente, em fevereiro de 2026, um símbolo do caos logístico e jurídico na Baixada Santista.

A construção da nova Rodoviária de São Vicente, orçada em R$ 6 milhões, segue em ritmo lento ao seu destino de finalização e entrega. Quem transita pela Praça Bernardino de Campos não observa de longe um local de embarque e desembarque de passageiros, mas sim um cenário com tapumes e concretos 

Qual é o projeto da nova Rodoviária de São Vicente?

Este é o projeto da nova Rodoviária de São Vicente, na qual teve entrega adiata pela prefeitura da cidade - Divulgação/Prefeitura de São Vicente
Este é o projeto da nova Rodoviária de São Vicente, na qual teve entrega adiata pela prefeitura da cidade – Divulgação/Prefeitura de São Vicente

O projeto da Nova Rodoviária não foi concebido apenas como um ponto de parada para ônibus intermunicipais, mas como um projeto de reurbanização estratégica. O plano de obras, desenhado pela Secretaria de Projetos Especiais, é dividido em três pilares fundamentais:

  • Infraestrutura Operacional: Construção de plataformas elevadas e cobertas com capacidade para veículos de dois andares (double deckers), eliminando o embarque precário em vias públicas.
  • Segurança Tática: A inclusão de uma base da Guarda Civil Municipal (GCM) integrada ao prédio, visando coibir o tráfico de drogas e furtos que historicamente assolam o Centro.
  • Sustentabilidade Econômica: O modelo de financiamento foi o diferencial da gestão, utilizando recursos provenientes da venda de um terreno municipal (onde funcionava o antigo depósito de veículos) para a Fundação Lusíada, garantindo que a obra não dependesse de empréstimos bancários.

O “quebra-galho” oficial: Posto Rodoviário da Capitão-Mor Aguiar

Local virou uma “rodoviária” temporária para passageiros embarcarem e desembarcarem em São Vicente – Divulgação

Já que a nova Rodoviária de São Vicente não é entregue à população, os municípes são obrigados a embarcarem e desembarcarem no novo Posto Rodoviário da Capitão Mor-Aguiar, localizado na Avenida Capitão-Mor Aguiar, 798 (ao lado do prédio da Secretaria de Educação – SEDUC).

O local funciona em um imóvel que já abrigava secretarias municipais. Ele foi adaptado com guichês para a venda de passagens das principais empresas (Cometa, Ultra, Rápido Brasil, etc.) e uma pequena área de espera coberta. Os ônibus não entram em plataformas. Eles estacionam em uma baia recuada na própria avenida para que os passageiros subam ou desçam diretamente da calçada.

Para minimizar as reclamações de insegurança que marcaram o antigo terminal do Parque Bitaru, a prefeitura instalou um totem de monitoramento 24h e mantém uma base de apoio da GCM anexa ao posto.

A “tempestade perfeita” do atraso

Questionada sobre o descumprimento dos prazos originais da entrega da Rodoviária de São Vicente, a Prefeitura vicentina apontou, quando questionada em setembro do ano passado, uma sucessão de fatores que paralisaram o canteiro de obras. O principal deles foi a judicialização movida por grupos de preservação histórica, que questionaram a ocupação da Praça Bernardino de Campos. Embora a municipalidade tenha vencido a disputa legal, o processo travou a logística da construtora por quase um semestre.

Somado a isso, engenheiros da obra confirmaram que a sondagem de solo revelou a necessidade de reforços estruturais não previstos inicialmente, devido ao lençol freático elevado da região central. “O atraso não é apenas por falta de tijolos, mas por segurança de engenharia”, afirmou uma fonte ligada à Secretaria de Desenvolvimento Urbano sob condição de anonimato.

O status atual e a Pressão Popular

Atualmente, em fevereiro de 2026, a obra atingiu a marca de 70% de execução. No local, o foco dos trabalhos está voltado para:

  1. Instalação da cobertura metálica das plataformas.
  2. Acabamento interno do setor comercial e guichês.
  3. Testes de raio de giro para os ônibus nas ruas de acesso (Rua Pero Lopes e Rua XV de Novembro).

Agora fica para Junho de 2026, será? 

Com a proximidade das eleições estaduais e a necessidade de entregar resultados, o Palácio de Vidro (sede da prefeitura) fixou junho de 2026 como a data limite para a inauguração oficial. A estratégia é realizar a entrega junto com a revitalização completa da iluminação do Centro e a integração tarifária com o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

“Não estamos entregando apenas uma rodoviária, estamos devolvendo o Centro ao cidadão vicentino. O atraso foi o preço que pagamos pela segurança jurídica e técnica do projeto”, declarou a gestão em nota oficial enviada à imprensa nesta semana.

Enquanto a fita inaugural não é cortada, os passageiros continuam a utilizar o terminal provisório, convivendo com a poeira das obras e a expectativa de que, desta vez, o prazo seja finalmente respeitado.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 13/02/2026
  • Fonte: FERVER