Nova falha no Smart Sampa expõe acesso a 17 mil câmeras
Vulnerabilidade no sistema de monitoramento paulistano expôs transmissões ao vivo de áreas nobres e residências de autoridades.
- Publicado: 03/11/2026 07:56
- Alterado: 03/11/2026 07:56
- Autor: Thiago Antunes
Uma falha de segurança no sistema Smart Sampa expôs 17 mil câmeras de empresas parceiras da Prefeitura de São Paulo. O acesso direto às imagens ocorreu sem necessidade de senha durante cinco dias e representa a segunda brecha em larga escala no programa em menos de um mês, segundo reportagem divulgada pelo UOL.
A vulnerabilidade do Smart Sampa afetou equipamentos hospedados na nuvem da Monuv, provedora conveniada ao sistema municipal. Imagens ao vivo de vias onde moram autoridades, como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e os ex-presidentes Michel Temer e Fernando Henrique Cardoso, ficaram totalmente livres para visualização.
Origem da falha técnica no Smart Sampa
A raiz deste vazamento difere do primeiro incidente registrado no sistema. Um código-fonte aberto de um site associado à Sentinelx, empresa responsável pela infraestrutura tecnológica do programa, revelava os endereços dos servidores de busca. Essa falha de configuração entregou cadastros completos e links diretos das transmissões privadas, burlando as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Para provar o acesso irrestrito, repórteres foram até o bairro dos Campos Elíseos, na região central, e mostraram uma edição de jornal impresso para os equipamentos na rua. Os links das gravações só saíram do ar na sexta-feira (30), logo após as empresas responsáveis e a administração pública receberem questionamentos sobre as invasões.
Vulnerabilidades cruzadas e valores contratuais
Documentos técnicos de analistas apontam que as instabilidades no Smart Sampa ultrapassam os limites da capital paulista. Usuários relataram acesso não autorizado a uma câmera de leitura de placas na cidade de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, utilizando um simples login registrado em São Paulo. Credenciais administrativas também constam em bases de dados vazadas recentemente por criminosos virtuais.
O consórcio responsável pelo programa de vigilância assumiu o serviço público sob a proposta de R$ 9,8 milhões mensais. O orçamento municipal atual prevê o repasse de R$ 588 milhões pelo período de cinco anos de operação. A Sentinelx assumiu a parte tecnológica oficialmente em dezembro do ano passado, substituindo uma das concorrentes originais da licitação.
Respostas das instituições e prestadoras de serviço
A gestão do prefeito Ricardo Nunes rechaçou a hipótese de exposição pública na rede mundial. “Trata-se de uma planilha de Excel resultado de um trabalho de análise de cibersegurança da plataforma”, justificou a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (SMSU). O órgão classificou o repasse dos arquivos técnicos aos jornalistas como um vazamento criminoso de informações.
A direção da Monuv informou que o compartilhamento das imagens obedece regras contratuais rigorosas estabelecidas pelo poder público. “O acesso às câmeras compartilhadas através da plataforma segue as especificações de acesso e segurança definidas pelo próprio programa”, declarou a fornecedora. A Sentinelx não respondeu aos contatos da imprensa para explicar as seguidas falhas associadas ao Smart Sampa.